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Tráfico de drogas

Advogada e policial são presos em operação em SP

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Operação contra o tráfico de drogas deflagrada, na quarta-feira (15/7), pelo Ministério Público paulista resultou na prisão de 14 pessoas — entre elas uma advogada e um policial civil. As buscas e prisões aconteceram simultaneamente em quatro cidades do interior paulista, no município mineiro de Pouso Alegre e na cidade de São Paulo. A ação foi uma reprise de outra ocorrida há exatamente um ano tendo como base cidades do Vale do Paraíba. Só que, desta vez, os autores evitaram dar nome de batismo à operação.

Mais de 80 policiais militares paulistas e mineiros, seis promotores de Justiça e agentes do Ministério Público e da Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo cumpriram 10 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça. A operação apreendeu mais de cinco quilos de cocaína em pasta, cerca de 1,2 quilos em pedras de crack, além de telefones celulares, anotações, recibos, cartões bancários, três veículos usados no tráfico de drogas e R$ 8 mil em dinheiro.

Todos os presos já foram ouvidos pelos promotores de Justiça, que investigam os crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico. A operação é resultado de investigações do Gaeco, iniciadas há mais de três meses. Os alvos são integrantes da organização criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).

O monitoramento dos acusados foi feito por meio de interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça. Os grampos revelaram que Valter Teixeira da Silva, o Preá, membro do PCC que cumpre pena na Penitenciária de Avaré, contatava de dentro do presídio, por telefone celular, sua irmã Vânia Teixeira da Silva, passando-lhe instruções para a continuidade do tráfico que comandava até ser preso.

Segundo o Ministério Público, os grampos flagraram Vânia conversando com a advogada Marta Pugliese Rocha dos Santos sobre entrega, troca e recebimento de drogas. De acordo com as investigações, a advogada fornecia drogas para a quadrilha de Preá, com o auxílio de seu ex-marido, Osmar Sebastião Rocha dos Santos, investigador de Polícia, lotado na DIG de São José dos Campos.

De acordo com a Polícia e o Ministério Público seria Osmar quem levava Marta para a entrega de entorpecentes, além de receber dinheiro proveniente do tráfico. Também foi identificado como membro da quadrilha Pedro César da Silva, o César ou Pedrão, marido de Vânia e cunhado de Preá.
 
Parte da droga adquirida pela suposta quadrilha era fornecida por Silvio de Faria Paiva, cliente da advogada Marta e morador em Minas Gerais, que se comunicava com o grupo por telefone público. Ainda de acordo com a investigação, a namorada de Preá, Elizabeth de França Queiroz, também recebia ordens do preso e fornecia chips de aparelho celular para a quadrilha.

Esse grupo era associado a outra quadrilha, da qual fazem parte Mariana Vieira Sarneiro e Claudio Roberto Ferreira e Paulo Henrique Proença. Os dois homens foram presos na semana passada, em Jacareí, transportando 1,2 kg de crack para a quadrilha de Preá. A droga seria entregue para Samuel Ribeiro Chagas, o Samuca e Valter Ribeiro Chagas Junior Magrelo, ambos traficantes em Jacareí.

Histórico
Há um ano, em julho de 2008, o Ministério Público paulista fez uma operação nos mesmos moldes quando prendeu seis pessoas suspeitas de ligação com o PCC. Na época, entre os presos, estavam duas advogadas que, de acordo com a investigação, coordenavam equipes de defensores contratados para cuidar de processos judiciais de integrantes da facção criminosa.
 
A operação foi batizada de Prima Donna. Daquela vez foi deflagrada nos municípios de São José dos Campos, Presidente Prudente e na capital paulista. Com autorização da Justiça, o Ministério Público interceptou ligações telefônicas feitas de dentro do presídio de Presidente Venceslau por Orlando Motta Junior, conhecido por Macarrão ou Kalakalu, suspeito de integrar o alto escalão do PCC.

As escutas revelaram, segundo os promotores, que ele era o responsável pelo braço jurídico da facção criminosa, conhecida dentro do PCC como "sintonia dos gravatas", arrecadando mensalmente cerca de R$ 250 mil para pagar advogados para cuidar da defesa de integrantes da facção.
 
Com base naquelas investigações, a Justiça decretou a prisão das advogadas Alessandra Moller e Patrícia Gallindo de Godoy. Alessandra, segundo o Ministério Público, coordenava a equipe de advogados do PCC na capital e Patrícia, no interior.

Os grampos capturaram conversas de dentro do presídio entre Macarrão e as duas advogadas, suspeitas de orientar a ocultação de crimes, lavagem de dinheiro e articulação de comunicação entre lideranças do PCC, além de negociar eventuais pagamentos de propinas a policiais e autoridades e introduzir aparelhos celulares em presídios.

Alessandra foi presa em Presidente Prudente, no extremo Oeste paulista, quando visitava um preso. A operação cumpriu mandado de busca no escritório e na casa da advogada, em São Paulo, onde foram apreendidos documentos, R$ 2.850 em dinheiro, computadores, agenda, quatro aparelhos de celular, planilhas eletrônicas de contabilidade e relatórios mensais de advogados supostamente contratados pelo PCC.

Patrícia foi detida no escritório dela, em Presidente Prudente. A Polícia diz que encontrou com a advogada R$ 35 mil em dinheiro, sete aparelhos celulares, documentos e planilhas de contabilidade.

A operação ocorreu simultaneamente no Vale do Paraíba, onde foi preso Jamilson de Andrade Fernandes. Ele foi apontado como o gerente dos pontos de droga comandados por Macarrão de dentro do presídio em São José dos Campos e na Cidade Dutra (zona sul de São Paulo). Com Jamilson foram apreendidos R$ 7.000 em dinheiro e nove celulares.

A operação ainda prendeu a sogra de Jamilson, Maria Inês da Silva, apontada como responsável pela contabilidade do tráfico e ajudante na logística da distribuição de drogas. Também em São José dos Campos foi presa a mulher de Macarrão, Maria Jucinéia da Silva. Irmã de Maria Inês, ela é acusada de lavagem de dinheiro da quadrilha. Ela tinha R$ 12.400 em dinheiro, seis aparelhos celulares e um computador.

No bairro de Cidade Dutra, na zona sul da capital paulista, foi detida Sirlene Costa Aguilar, suposta responsável pela venda de drogas na região a mando de Macarrão. A Operação Prima Donna teve a participação de 150 pessoas. Entre elas, oito promotores, agentes de promotoria e 80 policiais militares, inclusive do serviço reservado da Polícia Militar.

 é repórter da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 16 de julho de 2009, 12h39

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