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Separação de poderes

Deputados não podem ser afastados por medida liminar

O afastamento de parlamentares de suas funções por decisão de urgência é inconstitucional, segundo o ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal. O entendimento permitiu que dez deputados estaduais de Alagoas voltassem a atuar na Assembleia Legislativa do estado. Eles foram afastados por meio de liminares concedidas pela Justiça alagoana, devido a suspeitas de improbidade administrativa.

Eles são investigados pela acusação de terem contraído empréstimos bancários fraudulentos, garantidos e pagos com dinheiro público. O afastamento foi contestado em um pedido de Suspensão de Liminar, que pedia a volta dos deputados com base no argumento de que foram afastados em cumprimento a pedido de antecipação de tutela. “O afastamento de parlamentar no exercício de suas funções por decisão judicial precária não possui previsão constitucional e, portanto, a decisão impugnada violaria o princípio da separação dos poderes e a ordem pública”, alegam os advogados.

O ministro Gilmar Mendes concordou com o argumento que apelou ao princípio da separação e harmonia entre os Poderes. “O afastamento de deputado estadual de suas funções por decisão precária do poder judiciário revela-se em descompasso com tal princípio”, acrescentou, reproduzindo trecho da decisão proferida na SL 229, em janeiro, também em favor dos parlamentares.

Mendes citou o artigo 55 da Constituição Federal, que enumera as razões de perda de mandato parlamentar. Em cumprimento às Leis 4.348/64, 8.437/92 e 9.494/97, e ao Regimento Interno do Supremo (artigo 297), o presidente da Corte pode suspender concessões de segurança em tutela antecipada ou liminar proferidas em última ou única instância quando o assunto for constitucional e o intuito for evitar lesão à ordem, à saúde, à segurança e à economia públicas.

Segundo o presidente do STF, não há dúvidas sobre a urgência do caso, “tendo em vista o caráter temporalmente limitado dos mandatos eletivos e o fato de que os deputados estaduais afetados pela decisão impugnada encontram-se afastados de seus cargos há tempo considerável”.

Na SL 229, Gilmar Mendes já havia dito que o afastamento precário dos parlamentares, até que se conclua o processo ou a fase processual, pode ser considerado cassação indireta do mandato, haja vista que o parlamentar pode passar todo o período para qual foi eleito, ou parte considerável dele, afastado de suas funções. “Por força de decisão judicial precária, a Casa Legislativa estadual teve a sua composição desfeita e funciona, desde março de 2008, em descompasso com a vontade popular externada nas urnas”. Com informações da Assessoria de Imprensa do STF.

SL 297

Revista Consultor Jurídico, 13 de julho de 2009, 21h10

Comentários de leitores

2 comentários

Ponderação

Professor (Professor Universitário - Tributária)

Ok, o argumento de GM é bem razoável: parlamentares eleitos pelo voto popular não deveriam ser afastados da sua função em decisão de juízo não exauriente. Mas fica uma ponderação: que opção teríamos? Aguardar o trânsito em julgado? Bom... neste caso, considerando a velocidade "barriqueliana" do nosso Judiciário, ninguém perderia mandato nunca!!!
É o caso de refletir melhor e não transformar esse entendimento em regra.

Políticos 10 X 0 Sociedade

Espartano (Procurador do Município)

Liminar é medida de urgência. Decisão tomada com base em provas que não podem ficar a mercê de formalismos advindos de tripartições, direitos individuais ou o k7.
A sociedade estava a perigo, o Judiciário agiu prontamente para afastar esse perigo representado por políticos acusados de corrupção.
Mas aí, como sempre, vem o Gilmar e invoca uma interpretação contrária ao interesse público e recoloca os políticos no Poder. Ignora o senso de quem viu a situação mais de perto, de quem sentiu o perigo, e relega as instâncias inferiores a meros instrumentos de uma interpretação que protege o agente, não as instituições. Ou seja, vale mais proteger o mandato do que a Assembléia ou a própria sociedade.
Paciência. Enquanto o GM apitar esse jogo, os políticos sempre ganharão da sociedade... e de lavada!

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