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Água e estragos

Vazamento no TJ-PR atinge diversos andares

Um vazamento no Tribunal de Justiça de Paraná, esta semana, atingiu a biblioteca. Foi preciso o esforço de funcionários para salvar exemplares do acervo. Segundo o jornal Correio do Povo, a água vinha do gabinete do desembargador José Augusto Gomes Aniceto, no sexto andar do prédio.

A água teria vazado no fim de semana. Na segunda-feira (6/7), os funcionários da biblioteca encontraram a sala tomada pela água e livros boiando. Além da biblioteca, que fica no segundo pavimento do prédio, o vazamento também atingiu os gabinetes dos desembargadores Antonio Martelozo e Nilson Mizuta, no quarto e quinto andar, respectivamente. Os funcionários e processos de Mizuta tiveram de ser deslocados para a sala de reunião do prédio, no oitavo andar, por causa dos estragos causados pela água.

A presidência do TJ informou, por meio da assessoria de imprensa, que ainda está investigando os motivos do vazamento que causou tanto transtorno. A assessoria ainda não soube precisar o tamanho do estrago causado pelo incidente. O responsável pela administração dos dois prédios do Tribunal de Justiça não quis comentar o caso.

Uma hipótese comentada nos corredores do Tribunal de Justiça é que a causadora do vazamento de água seria uma máquina de gelo instalada no gabinete de Aniceto, ponto original do vazamento. Fontes do TJ, que não quiseram se identificar, garantem que esse seria o motivo.  Aniceto, no entanto, nega qualquer relação entre o eletrodoméstico, que está na sala dele, e o vazamento. “Há muita fofoca. Chegaram a falar que eu fiz uma festa no gabinete no fim de semana. Não houve nada disso”, afirma.

Segundo ele, o engenheiro que analisa o caso explicou que o vazamento teria ocorrido por um problema no encanamento do banheiro do seu gabinete. Possivelmente, relacionado ao sistema de pressão da tubulação. “Esse vazamento não teve nenhuma relação com a máquina de gelo”, garante o desembargador. “Eu tinha essa máquina instalada no meu gabinete no outro prédio e ela nunca deu problema.”

Para funcionar, a máquina precisa estar ligada à tubulação. No caso do gabinete de Aniceto, ela estava ligada ao encanamento do banheiro, o mesmo de onde teria surgido o vazamento. Segundo técnicos ouvidos pela reportagem, quando é ligada à tomada, a máquina começa a funcionar automaticamente. A água do encanamento entra no aparelho e é transformada em gelo. Existe uma válvula que impede que entre mais líquido do que a capacidade do aparelho. Mas, se houver problemas no sistema de pressão, há o risco de haver vazamentos.

Esta semana, quando a reportagem do Correio do Povo esteve no gabinete de Aniceto, o aparelho estava desligado. O desembargador afirma que a máquina não fica permanentemente ligada. O uso do eletrodoméstico, segundo ele, seria ocasional — normalmente quando ele recebe alguém no gabinete, no fim do dia. “Às vezes, eu recebo uma visita no fim do expediente e quero oferecer um uísque ou outra bebida”, afirmou Aniceto.

Prédio já tinha problemas
O anexo do TJ tem apenas quatro anos de uso, mas já é motivo de polêmica e há notícias de problemas na construção. Uma análise do prédio, apresentada por professores e técnicos da Universidade Federal do Paraná (UFPR) em 2007, constatou que o prédio tinha goteiras, infiltrações e tubulações corroídas. O relatório foi feito a pedido da Comissão de Obras do TJ, criada para investigar denúncias de irregularidades na obra.

O levantamento feito pela UFPR também apontou que foram utilizados materiais mais caros que o necessário na obra. Inicialmente orçada em R$ 28 milhões, a construção acabou custando R$ 48 milhões aos cofres públicos. Mesmo saindo mais caro que o orçado inicialmente, o predio apresentava problemas de refluxo no sistema de esgoto e no acabamento do prédio logo após a conclusão da obra.

A reportagem entrou em contato com a Cesbe S.A. Engenharia e Empreendimentos para falar sobre o vazamento que atingiu o prédio, mas os diretores da empresa não quiseram se pronunciar sobre o assunto. O anexo do Tribunal de Justiça só foi oficialmente incorporado ao patrimônio do TJ em janeiro do ano passado. Mas desde 2005, o prédio, localizado no Centro Cívico, já era ocupado.

Revista Consultor Jurídico, 8 de julho de 2009, 19h16

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