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Movimentação financeira

Guerra do MP contra Eduardo Jorge tem novo capítulo

Vale acrescentar que, antes da venda, solicitei ao juiz autorização para abertura de conta em nome do espólio. Solicitação essa que foi negada pelo mesmo. Assim, não restou outra alternativa que não o depósito em minha conta pessoal. Como pode ser constatado, portanto, do valor integral movimentado de acordo com o relatório da COAF (cerca de 1,47 milhão), o total de R$ 1,3 milhão tem origem absolutamente transparente e lícita.

Além disso, se encontra registrado em minha conta daquele período, um depósito feito pelo próprio Banco do Brasil, de R$ 100 mil, referente a empréstimo em consignação que fiz naquele banco – (anexo contracheque do Senado em que consta o pagamento das prestações). O restante de R$ 170 mil refere-se ao depósito, diretamente pelo Senado Federal, de meus proventos de aposentadoria. Como tudo ocorreu no próprio Banco do Brasil não poderiam eles desconhecer tais fatos.

Dessa forma não existe qualquer razão para suspeita de qualquer tipo de irregularidade de minha movimentação financeira e nem para comunicação à COAF e/ou ao MPF. Mesmo que não tivesse uma explicação específica, o valor do depósito é, insisto, perfeitamente compatível com o meu patrimônio e que é, há muito, conhecido pelo banco.

Paralelamente existe, isso sim, razão de preocupação – inclusive jornalística – pelo abuso que os fatos representam. Com efeito, a opinião pública é testemunha de que, nos últimos dez anos, tenho sido vítima de intensa perseguição por parte de membros irresponsáveis do Ministério Público. Dois deles, inclusive, já foram condenados pelo Conselho Nacional do Ministério Público por atos de perseguição contra mim.

O próprio Procurador Lauro Pinto tem incorporado a continuação dessa perseguição, insistindo em instaurar inquéritos e ações absolutamente descabidas – como a própria Justiça já reconheceu.

Agora, os novos fatos estão a sugerir – fortemente – a continuação dessa perseguição. Vejamos:

1 – O Banco do Brasil – instituição da qual sou cliente há mais de 40 anos - não podia deixar de ter conhecimento dos fatos acima relatados. As regras de controle bancário existentes na última década exigem das instituições financeiras que “conheçam o seu cliente” e, portanto, todos os fatos relacionados a mim e a essa perseguição – públicos e notórios – , bem como os valores de meu patrimônio, não podiam ser “esquecidos”. Além disso, o banco não podia fazer uma “avaliação” de minha capacidade sem considerar os dados de seu próprio cadastro. Isso porque é no próprio BB que o Senado deposita os meus proventos e o próprio BB me fez empréstimo. Portanto, não poderia afirmar que a movimentação estava fora de meus rendimentos e de meu patrimônio;

2 – a COAF não poderia – sem qualquer dado objetivo – juntar essa “informação” com informações de outros indivíduos - sobre os quais, como se vê no próprio relatório – não havia qualquer movimentação financeira estranha;

3 – o Ministério Público – que tem conhecimento profundo de minha situação financeira e patrimonial, já tendo mais de uma vez investigado tais fatos, acompanhado auditorias fiscais sobre meu IR e me “acusado” de ser milionário, instaurar inquérito para apurar fatos que sabia inconsistentes. Mas o fez sem sequer procurar um mínimo de informação.

E mais – não poderia ter vazado para a imprensa dados sigilosos – como os valores de depósitos em minha conta, nome de depositantes etc .... sobre um inquérito aberto na véspera. Isso demonstra o açodamento com que esses elementos do MPF tentam, a todo custo, me comprometer perante a opinião pública, em irregularidades que sabem que acabarão desmentidas – como o foram todas as outras acusações inverídicas que fizeram.

Assim, o que os fatos sugerem, realmente, é a existência de crimes de falsidade ideológica, prevaricação, violação de sigilo e outros, praticados em conluio – isso sim – pelos agentes responsáveis, quais sejam funcionários do Banco do Brasil, da COAF e do MPF.

Por todas essas razões, antecipo que irei imediatamente adotar as medidas judiciais cabíveis contra os responsáveis.

Atenciosamente,

Eduardo Jorge Caldas Pereira

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Revista Consultor Jurídico, 3 de abril de 2009, 14h03

Comentários de leitores

5 comentários

Ele ainda vai ficar milionário

Issami (Advogado da União)

De tanto acusarem Eduardo Jorge de ser milionário, ele ainda vai acabar virando um, só com as polpudas indenizações por danos morais que ele vai receber. Deve estar rindo à toa com cada acusação infundada que lhe é feita.

Bela equipe!

Armando do Prado (Professor)

Até hoje essa equipe do professor Cardoso está devedora de explicações do porquê entregaram o país. A história não perdoa os entreguistas.

Passar a limpo todos os lados

Nado (Advogado Autônomo)

Analisando friamente, PT e PSDB se corromperam feio. Mas, para mim, todos os partidos brasileiros praticam forte corrupção e, inclusive, exigem uma contrapartida de seus filiados, pressionados a aderirem quando já em campanha. As verbas públicas como são destinadas às ONGs, hoje, são corrupção abonada até pela legislação. É apropriação indevida do erário. E que ainda sofre desvio. Lembremos dos milhões à ONG de Ruth Cardoso, cujo desvio alertado não foi esclarecido ao público. O problema do MPF é que ele começa, mas não acaba. Denuncia e deixa desandar. Nunca anuncia as punições. Isso frustra. Agora, PT e PSDB mentem descaradamente, mas, a diferença entre eles é que, embora pareça que a turma do PSDB tenha apropriado de um valor muito maior (não digo nem das coisas que se devia contabilizar, mas digo daqueles "por fora" que todo mundo sabe que existe e que fica apenas de boca), essa tucanada dissipa e dilui tudo no papel e mantém uma lei do silêncio entre eles aos moldes da "cosa nostra". Vejam como o NOVOJORNAL explicou a volumosa fortuna do Aécio, por exemplo. Tudo dele, mas quase nada no nome dele. Já a turma do PT, menos preparada e menos acompanhada dos tubarões da advocacia sempre entrelaçados com gente dos três poderes, acaba complicando a si mesma e até denunciando uns aos outros. O Brasil precisava de um regime ainda mais rigoroso que a ditadura que todos agoram atacam para poder realizar um limpeza geral. Como não querem, a tendência é a democracia andar para trás e favorecer a impunidade. Não sou chavista, acredito que a democracia só existe com rigor punitivo, que mete fundo a mão no bolso e nos direitos eleitorais e de locomoção, mas jogaria no lixo todo nosso ordenamento atual.

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