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Gabinete fechado

Juiz que não recebe advogados terá de dar explicações ao CNJ

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“Devoto profundo respeito pela nobre e valorosa classe dos advogados, mesmo porque fui advogado, mas não os recebo em meu gabinete para tratar de processos que me estão conclusos.” Por escrever essa frase em artigo publicado na revista Consultor Jurídico, em julho deste ano, o desembargador Augusto Francisco Mota Ferraz de Arruda, do Tribunal de Justiça de São Paulo, terá de se explicar no Conselho Nacional de Justiça. (Clique aqui para ler o artigo)

Por oito votos a um, o CNJ decidiu que o desembargador tem de ser chamado para dar satisfação à Corregedoria Nacional de Justiça sobre o que escreveu. A opinião que predominou foi a de que o desembargador defende um ato que fere a Lei Orgânica da Magistratura e o Estatuto da Advocacia. E, assim, tem de responder por isso.

No artigo, o desembargador defende que o gabinete de um juiz não é um espaço público de livre acesso e ataca o que chama de lobby de magistrados aposentados que se tornam advogados e passam a atuar onde antes julgavam. As críticas, contudo, não provocaram reações. Foi o fato de escrever que não recebe advogados em seu gabinete que fez o CNJ admitir a Reclamação Disciplinar.

“O desembargador manifestou o descumprimento prévio da lei. Se o Conselho se furtar a instaurar o procedimento estará expedindo um salvo-conduto para que todos os juízes do país deixem de receber advogados”, sustentou o advogado e conselheiro Paulo Lôbo. Seu colega, Técio Lins e Silva, considerou o artigo “um deboche”. “O desembargador pode escrever o que quiser, mas têm de responder por isso”, disse Técio.

O caso chegou ao CNJ pelas mãos da Associação dos Advogados de São Paulo (Aasp). O relator da matéria, juiz Antonio Humberto, considerou o pedido juridicamente inviável e determinou seu arquivamento. A Aasp recorreu. Nesta terça-feira (21/10), o plenário do CNJ decidiu transformar o Pedido de Providências em Reclamação Disciplinar e encaminhá-la à Corregedoria Nacional.

Na sustentação oral, o advogado Aristóbulo de Oliveira Freitas, que representou a Aasp, disse que o desembargador tem de ser chamado para dar explicações porque deveria zelar pelo cumprimento da lei, mas defendeu publicamente seu descumprimento. “Já temos muitos casos de juízes que não recebem advogados e que, certamente, se sentiram estimulados com o artigo”, disse.

O relator defendeu, novamente, o arquivamento do caso. Mas foi vencido. Os conselheiros Marcelo Nobre e Rui Stocco se declararam impedidos de julgar a causa. Nobre é conselheiro licenciado da Aasp e Stocco já trabalhou com o desembargador Ferraz de Arruda.

A divergência que culminou com a abertura da Reclamação Disciplinar foi feita pelo procurador da República José Adonis. Para ele, o ato de instaurar o procedimento não configura censura à liberdade de expressão. Foi acompanhado por sete conselheiros.

Os conselheiros Andréa Pachá, Jorge Maurique e Mairan Maia — os três juízes — concordaram com a abertura do procedimento, mas ressaltaram que o objetivo é o de que a conduta do desembargador seja melhor apurada por conta da afirmação de que ele não recebe advogados. E apenas isso. “O desembargador deve ter a oportunidade de esclarecer suas palavras”, defendeu Andréa. Para Maurique, o resultado pode fazer com que a relação entre advogados e juízes melhore.

 é correspondente em Brasília da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 21 de outubro de 2008, 14h58

Comentários de leitores

65 comentários

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não (Advogado Autônomo)

SEM O ADVOGADO A JUSTIÇA NÃO FUNCIONA; MAS SEM O JUIZ ELA PODE FUNCIONAR. DEPOIS QUE INVENTARAM UMA CADEIRA MAIS ALTA PARA O JUIZ, NINGUEM MAIS FICA NO MESMO NIVEL. JUIZ DEVERIA SER AUTORIDADE SOMENTE NOS AUTOS E NO SEU HORARIO DE TRABALHO EM SEU GABINETE.

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ca-io (Outros)

Não tem mesmo que conversar nada com o Juiz, relativo ao proc. para tal a petição, agora que Juiz e MP aposentado não deveria advogar no Estado Membro em que se deu a aposentadoria, não deveria, bem como em exercício deveriam ser transferidos a cada cinco anos, para tentar evitar a criação vinculos na comarca. Não adianta conversou é para defender cliente, cliente pobre e empresa pobre serão prejudicados, basta assistir os debates do STF, quando conhecidos Advs. Juristas lá tem a palavra em comparação dos que não tem o nome com expressão.

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A ausência da prática cotidiana do direito, leva alguns a crer que o advogado não necessite falar com o juíz sobre pontos específicos do processo que não envolva quebra da imparcialidade do mesmo.

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