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Visão parlamentar

Deputados acham que todo preso é pobre, sujo e sem educação

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Pouco instruído, doente, indigno de confiança, sujo e inferior. É esse o perfil do preso no Brasil. Ele é o pobre, o pouco educado, “o outro”. A constatação é da pesquisadora Laura Frade, que lança na quarta-feira (15/10) o livro Quem mandamos para a prisão? — Visões do Parlamento Brasileiro sobre a Criminalidade. O livro nasceu da tese de doutorado O que o Congresso Nacional Brasileiro pensa sobre a Criminalidade, apresentado pela pesquisadora em 2007, e mostra como o Parlamento ajuda na construção da criminalidade ao invés de combatê-la.

Quando o trabalho de doutorado ficou pronto, em 2007, a conclusão foi de que dos 646 projetos de lei apresentados nos últimos quatro anos no Congresso Nacional sobre criminalidade, apenas 20 foram no sentido de relaxar algum tipo penal. O período analisado foi de 2003 a 2007, período que registrou, segundo a pesquisadora, “o maior índice de ilegalidades cometidas pelos próprios deputados”.

Laura Frade ainda demonstrou que o Congresso vê o criminoso como alguém “pouco instruído, doente, indigno de confiança, sujo e inferior”. Já os parlamentares se vêem como “saudáveis, dignos de confiança, não desordeiros, nem sujos, tão pouco inferiores”. “Muitos daqueles que criam a lei, se comportam como se fossem imunes a ela. O crime acaba sendo percebido como descumprimento da lei que ocorre apenas ‘lá fora’”, observou a pesquisadora.

Os dados agora constam do livro que foi escrito numa linguagem mais acessível para ampliar o conhecimento sobre o tema. O que Laura Frade procura mostrar é o que está por trás da ânsia parlamentar de criar leis apenas com o objetivo de punir, destinado ao outro e não a todo mundo. “Ao agir assim, o parlamento vem ampliando a separação entre ricos e pobres, o que faz entender que a falta de coesão social é a base da criminalidade”, defende a pesquisadora.

“Foi por isso que nos dedicamos a pesquisar no Legislativo brasileiro — aquele que faz a lei e define quem é o criminoso — quais as crenças que regeram a elaboração legal. Estamos na 52º legislatura e essa é a que mais registrou escândalos de corrupção dentro do Parlamento. O que se constatou foi que prevalece uma visão depreciativa e negativa do preso e que apesar de existirem parlamentares capazes de reverter essa visão, eles não encontram vias de acesso para influir nessa transformação urgente e necessária”, afirma Laura Frade.

O livro será lançado no Restaurante Carpe Diem, em Brasília, a partir das 19h. Quem mandamos para a prisão? — Visões do Parlamento Brasileiro sobre a Criminalidade é publicado pela Editora Líber Livro e custa R$ 20.

Serviço:

Lançamento do livro Quem mandamos para a prisão? — Visões do Parlamento Brasileiro sobre a Criminalidade

Data: 15 de outubro

Local: Restaurante Carpe Diem, 104 Sul - Brasília/DF

Horário: 19h

Editora Líber Livro, R$ 20.

 é repórter da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 12 de outubro de 2008, 1h00

Comentários de leitores

10 comentários

Assim fica muito facl julgar quem nao tem dinhe...

Marcos Andre Oliveira Conceicao (Professor)

Assim fica muito facl julgar quem nao tem dinheiro para pagar um advogado. A visao dos senhores deputados esta totalmente errada. O macaco nunca olha para o proprio rabo. Eles que parem de desviar verbas publicas para depois falar do povo que passa fome em nome de uma democracia fajuta.

O mundo e suas fantasias, é assim que penso viv...

futuka (Consultor)

O mundo e suas fantasias, é assim que penso viver alguns deses nossos políticos, no mundo da fantasia. Talvez um dia em que a maioria 'acordar' para a real possam então fazer sua VOZ ser ouvida nas urnas, então o perfil do político no Brasil irá mudar. - Não está longe eu acredito no cidadão que vem nessa nova geração.

analucia (Família 12/10/2008 - 11:15 NA verda...

analucia (Bacharel - Família)

analucia (Família 12/10/2008 - 11:15 NA verdade, pobre furta e rico dá golpes (estelionato). É muito mais fácil provar furtos do que o crime de estelionato, logo há mais pobres. Também existem mais pobres no país. Lado outro, as penas de crimes cometidos por ricos sáo menores e viram pena alternativa. A questáo náo é apenas de assistëncia jurídica, mas ideológica. Leiam o Livro "Quem sáo os criminosos", da Editora Lumen Juris, 1998." Lá consta que os gerentes de supermercado náo chamam a polícia para clientes ricos que subtraem mercadoria, pois os consideram cleptomaníacos, apenas chamam a polícia para os pobres. E na polícia se o ladráo indenizar a vítima, esta quer "tirar a queixa". Oh, caro Rios do Amaral, deve ser duro para vc querer ser o que náo pode. Sugiro que vá para a iniciativa privada ou faça outro concurso. Mas usar os pobres para atender aos interesses pessoais é um pecado. No Rio de Janeiro temos uma defensoria forte e com polpudos salários, mas os pobres lá estáo melhores ou apenas os defensores de lá ?? Quem fez a defesa da maioria dos presos em Mato Grosso e no Rio de Janeiro ??

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