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Fantasmas do restaurante

Jornalista contesta versão de procuradora sobre jantar

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Publicamos, sim, que a procuradora investigava a reunião e até sugerimos na matéria que poderia ser revelado quem esteve presente naquela noite. Usamos, sim, a expressão “investigação sorrateira” e reitero, porque, a procuradora Lívia Tinôco foi flagrada através do ofício enviado ao restaurante. A procuradora mentiu novamente ao negar que investigava a reunião. E, inclusive, comentou que assessores de Gilmar Mendes não teriam foro privilegiado se estivessem lá.

É lamentável que nossas reuniões com a procuradora Lívia Tinoco não hajam sido gravadas ou filmadas. Talvez, nesse único caso, um araponga prestaria um excelente serviço à verdade e ao interesse público. Se essa peculiar gravação tivesse ocorrido, saltaria aos olhos e aos ouvidos a veracidade do que ora sustento. Nesses encontros, a procuradora Lívia Tinoco disse-me sobre o depoimento do delegado Protógenes, a apresentação das fotografias, além de confirmar a presença de uma mulher loura, que lhe chamou a atenção por sua idade.

Portanto, gostaria de esclarecer que sempre trabalhei em parceria com o Ministério Público, a bem da verdade. A parceria que tenho como profissional de jornalismo, com o Ministério Público remonta ao mesmo período em que a procuradora se encontrava nos bancos escolares. E que cumpri com a minha função de jornalista ao publicar um ofício onde uma procuradora investigava, sim, uma reunião divulgada por IstoÉ. A matéria não entrou no mérito se a procuradora queria obter informações de possíveis arapongas acompanhando a reunião ou não. Mas o objeto das investigações da procuradora era, sim, a reunião naquela data e naquele horário.

Por isso, venho esclarecer com a verdade e rebater ponto a ponto o ofício enviado pela procuradora Lívia Tinôco ao procurador-geral Antonio Fernando de Souza. Lamento que a procuradora tenha invocado como testemunhas funcionários da procuradoria. Talvez constrangidos em falar a verdade.

Leia a carta da Secretaria de Comunicação do STF para a IstoÉ:

Senhor editor,

Lamentavelmente, nos últimos dois meses – nas edições 2020, 2028 e 2030, vimos as páginas da revista “IstoÉ” reproduzirem, com insistência, “denúncia” que nenhum outro órgão de imprensa brasileiro ousou publicar, dada a sordidez e leviandade de quem propõe à revista tal inverdade.

O suposto jantar de assessores do ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal, e advogados de Daniel Dantas – sempre suposto, pois jamais se apresentou qualquer cópia ou reprodução fotográfica da gravação – é sustentado de maneira covarde por “fontes” da revista, sem dar os nomes de quem é acusado, impedindo, assim, sua defesa e colocando uma nuvem de suspeita sobre todos os assessores diretos do ministro e mesmo sobre a secular Corte Suprema do Brasil.

Trata-se de expediente que já foi denunciado publicamente pelo ministro Gilmar Mendes e que consta no Inquérito da Polícia Federal que investiga espionagem revelada por outra revista de circulação nacional.

Disse o ministro em seu depoimento que “tanto no caso da Operação Navalha, quanto na Operação Satiagraha, revela-se o mesmo modus operandi. Por um lado, realizam-se escutas e monitoramento do relator dos habeas corpus, por outro, divulgam-se para a imprensa falsas notícias e informações, com o propósito de colocar o juiz em situação de descrédito e intimidação”.

Diante da gravidade da situação, o presidente do Supremo Tribunal Federal encaminhou Representação ao Procurador-Geral da República pedindo a imediata apuração dos fatos.

Os assessores diretos do ministro Gilmar Mendes também dirigiram pedido de teor semelhante ao Dr. Antonio Fernando de Souza.

Aguarda-se, portanto, que a revista “IstoÉ” adote uma postura ética e comprometida com a verdade, onde o relato dos fatos se atenha a fundamentos legais e a documentos fidedignos, característicos de um Estado democrático de Direito, e não a “fontes” obscuras, cujas informações se baseiam em práticas questionáveis e com intenções notoriamente espúrias.

Brasília, 1º de outubro de 2008.

Renato Parente

Secretário de Comunicação Social

Supremo Tribunal Federal




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 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 8 de outubro de 2008, 22h39

Comentários de leitores

14 comentários

DISCURTIR O ÓBVIO? Eu fico devidamente impre...

WANDERLEY  (Estudante de Direito)

DISCURTIR O ÓBVIO? Eu fico devidamente impressionado que ainda tem gente na atualidade com tamanha inocência, ao duvidar que uma Agência Brasileira de Inteligência - ABIN, que trabalha a serviço do governo Federal, não disponha de instrumentos modernos para fazerem espionagem, pois, são suas ferramentas básicas de trabalho. Se qualquer detetive particular da esquina mais próxima os tem, como é que ABIN não tenha?. A sociedade como um todo, é que precisar deixar de falácia, ou seja, sabe de tudo, mas, fica se admirando quando alguém levanta com coragem as mazelas dos nossos dirigentes. Ou Será que alguém neste país, por mais desinformado que seja, não sabe existe um estado paralelo dentro do Rio de Janeiro comandado por traficantes? Ou que dentro do congresso nacional não existe desvios de conduta por parte dos nossos parlamentares? Ou que o judiciário não desenvolve o seu papel como deveria?. Agora ficam algumas pessoas que tem acesso as informações, se admirando e carregando tinta numa dúvida não existente, acho que como brasileiro defensor das instituições democraticas, tem é que combater mesmo que de forma solitária, mas, não deixando passar em branco o que está errado. Devemos protestar verbalmente, através de um simples e-mail ou qualquer tipo de comunicação, devemos é fazer nosso papel de cidadão PROTESTAR COM O QUE ESTIVER ERRADO, e não fazer de conta que não sabemos de nada. Não vamos discutir o óbvio, VAMOS COLOCAR CORAGEM NO BEM COMUM, É A ÚNICA SOLUÇÃO PARA O BRASIL.

Caro Touché V. Sª. vai alegar que a tecnolog...

Ramiro. (Advogado Autônomo - Criminal)

Caro Touché V. Sª. vai alegar que a tecnologia abaixo inexiste, ou vai afirmar que a ABIN não a possui? http://www.spyshop.ltd.uk/index.php?main_page=product_info&products_id=27&zenid=9657aaf2640470eb7b2a8206ff69476f[23/9/2008%2016:58:37] http://www.brickhousesecurity.com/lasermicrophonelisteningdevice-3000.html[23/9/2008 19:24:11] Os dois cabem em maletas, e grampeiam qualquer conversa em ambientes na distância de mais de 500 metros.

Dra. Neide Caetano Imbrisha, o Jornalista Paulo...

Ramiro. (Advogado Autônomo - Criminal)

Dra. Neide Caetano Imbrisha, o Jornalista Paulo Henrique Amorim foi desafiado a publicar uma informação, mas duvido que ele tenha coragem de se indispor com o MPF, pois o que viria à tona de documentos...

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