Consultor Jurídico

Fantasmas do restaurante

Jornalista contesta versão de procuradora sobre jantar

Por 

A proteção à fonte é uma garantia do indivíduo, do jornalista e da própria sociedade. É nesse contexto que as afirmações sobre o tratamento dispensado às fontes devem variar conforme elas estejam de boa-fé ou pretendam utilizar o jornalista como instrumento para satisfação de interesses pessoais ou para prejudicar terceiros. O profissional de imprensa não é um aríete nas mãos de ninguém, especialmente de uma fonte. Daí eu considerar que o Sr. Francisco Ambrósio não se poderia considerar como alguém insuscetível de divulgação de seu nome, como de fato ocorreu, ao que se observou de sua colocação na capa da revista IstoÉ. Ele havia-me passado parte de informações relevantes sobre a operação policial envolvendo o Sr. Daniel Dantas. De fato, o Sr. Francisco Ambrósio repassou-me a informação relativa a uma reunião, que teria ocorrido em restaurante de Brasília, entre assessores de Gilmar Mendes e advogados de Daniel Dantas.

Considerei de enorme relevo jornalístico e, também, jurídico, o fato que me narrou o Sr. Francisco Ambrósio. Aguardei com paciência os elementos que Francisco Ambrósio declarou-me possuir, capazes de corroborar tão importantes informações. Na semana seguinte à publicação da matéria na revista, ele assumiu o compromisso de revelar o nome do restaurante e a forma de identificação objetiva das pessoas que participaram do encontro. Como o Sr. Francisco Ambrósio não cumpriu sua palavra e deixou-me na iminência de ser considerada a reportagem discutível sob o aspecto de fundo, agi no melhor estilo do bom jornalismo e procurei incessantemente, por outras vias, obter a informação complementar e tive êxito.

A atitude dúbia e recalcitrante do Sr. Francisco Ambrósio, capaz de sustentar em uma semana a existência de fatos envolvendo assessores diretos da mais alta Corte do País e advogado de Daniel Dantas, e, na outra, sonegar os meios de prova desse fato, levou-me a considerar que não havia, nessa situação, qualquer privilégio de fonte.

A procuradora, infelizmente, usou a afirmação de que a fonte inconfiável merece ser exposta como se fora referente a sua pessoa. Engana-se a procuradora. Engana-se por não me conhecer e não entender que meus mais de vinte anos de experiência profissional ensinaram-me o quão importante é a figura da fonte e o quanto ela deve ser preservada, quando mantém um relacionamento ético com a imprensa e a opinião pública, ao exemplo do que acima escrevi.

Não ameaço e nunca ameacei fonte. Com isso, sempre tive informações de qualidade. A procuradora Lívia Tinôco mente sabe e entende o que ora afirmo. E ela também sabe e conhece a origem de suas declarações. Ela tem ciência de que foi o documento, o ofício enviado ao restaurante em que ela pedia a documentação do ex-gerente e gravações do circuito interno do restaurante. Ela investigava sorrateiramente, sim.

Também saliento que não foi dito por mim que Dr. Paulo Lacerda teria sido o responsável pelo vazamento da reunião no restaurante entre assessores de Gilmar Mendes e advogados de Daniel Dantas. A procuradora Lívia Tinôco atribui a mim versões não proferidas por este jornalista. Mentiu mais uma vez.

A procuradora, no primeiro contato, revelou que o delegado federal Protógenes Queiroz havia prestado depoimento e apresentado fotografias do tal encontro no restaurante japonês em Brasília. Questionada por mim, por que ela não havia retido as fotografias apresentadas pelo delegado, ela respondeu que não era de competência dela investigar tal encontro e que, por isso, havia devolvido ao delegado federal as fotografias e disse também que não constou em seu depoimento aquelas informações.

No segundo contato com a procuradora, na semana seguinte, novamente ela insistiu em saber qual era a fonte da matéria do jornalista Policarpo Jr. publicada na revista Veja. Mais uma vez ouviu de mim que não me interessava saber qual era a fonte da matéria da revista Veja, concorrente de IstoÉ.

Insisti mais uma vez para que ela respondesse qual o motivo que a fez não reter as fotos do restaurante. Novamente, ela respondeu que não era de interesse investigar tal encontro, além de não saber o nome do restaurante. Mas confirmou que havia uma mulher loira e jovem na reunião. Aditou, ainda, que as fotos foram obtidas por meio de celular, segundo ela, do delegado Protógenes. E revelou também que no suposto jantar estava um outro advogado, Alberto Pavie.

Indagamos à Tinôco qual o nome do restaurante japonês. Ela disse que não sabia porque não interessava a ela essa reunião. Mas sua assessora de imprensa disse que havia sido inaugurado um restaurante Original Shundi, localizado na 408 Sul, no mesmo endereço que Ambrósio havia citado. Eu e o jornalista Hugo Marques saímos da Procuradoria e fomos ao restaurante e chegando lá ficamos surpresos com a notícia de que a procuradora havia enviado um ofício cinco dias antes daquela data, requisitando a documentação do ex-gerente e as imagens do circuito interno de TV no dia 11 de julho de 2008 à noite a partir das 18h30.




Topo da página

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 8 de outubro de 2008, 22h39

Comentários de leitores

14 comentários

DISCURTIR O ÓBVIO? Eu fico devidamente impre...

WANDERLEY  (Estudante de Direito)

DISCURTIR O ÓBVIO? Eu fico devidamente impressionado que ainda tem gente na atualidade com tamanha inocência, ao duvidar que uma Agência Brasileira de Inteligência - ABIN, que trabalha a serviço do governo Federal, não disponha de instrumentos modernos para fazerem espionagem, pois, são suas ferramentas básicas de trabalho. Se qualquer detetive particular da esquina mais próxima os tem, como é que ABIN não tenha?. A sociedade como um todo, é que precisar deixar de falácia, ou seja, sabe de tudo, mas, fica se admirando quando alguém levanta com coragem as mazelas dos nossos dirigentes. Ou Será que alguém neste país, por mais desinformado que seja, não sabe existe um estado paralelo dentro do Rio de Janeiro comandado por traficantes? Ou que dentro do congresso nacional não existe desvios de conduta por parte dos nossos parlamentares? Ou que o judiciário não desenvolve o seu papel como deveria?. Agora ficam algumas pessoas que tem acesso as informações, se admirando e carregando tinta numa dúvida não existente, acho que como brasileiro defensor das instituições democraticas, tem é que combater mesmo que de forma solitária, mas, não deixando passar em branco o que está errado. Devemos protestar verbalmente, através de um simples e-mail ou qualquer tipo de comunicação, devemos é fazer nosso papel de cidadão PROTESTAR COM O QUE ESTIVER ERRADO, e não fazer de conta que não sabemos de nada. Não vamos discutir o óbvio, VAMOS COLOCAR CORAGEM NO BEM COMUM, É A ÚNICA SOLUÇÃO PARA O BRASIL.

Caro Touché V. Sª. vai alegar que a tecnolog...

Ramiro. (Advogado Autônomo - Criminal)

Caro Touché V. Sª. vai alegar que a tecnologia abaixo inexiste, ou vai afirmar que a ABIN não a possui? http://www.spyshop.ltd.uk/index.php?main_page=product_info&products_id=27&zenid=9657aaf2640470eb7b2a8206ff69476f[23/9/2008%2016:58:37] http://www.brickhousesecurity.com/lasermicrophonelisteningdevice-3000.html[23/9/2008 19:24:11] Os dois cabem em maletas, e grampeiam qualquer conversa em ambientes na distância de mais de 500 metros.

Dra. Neide Caetano Imbrisha, o Jornalista Paulo...

Ramiro. (Advogado Autônomo - Criminal)

Dra. Neide Caetano Imbrisha, o Jornalista Paulo Henrique Amorim foi desafiado a publicar uma informação, mas duvido que ele tenha coragem de se indispor com o MPF, pois o que viria à tona de documentos...

Ver todos comentários

Comentários encerrados em 16/10/2008.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.