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Fantasmas do restaurante

Jornalista contesta versão de procuradora sobre jantar

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O jornalista da IstoÉ, Mino Pedrosa, nega que a fonte da notícia de que existiria gravação de encontro de assessores da presidência do Supremo Tribunal Federal com o advogado do banqueiro Daniel Dantas foi o ex-diretor da Abin e da PF, Paulo Lacerda. Em carta, ele responde ofício encaminhado ao chefe do Ministério Público Federal pela procuradora da República Lívia Tinôco, lotada no serviço de Controle Externo da Atividade Policial, em Brasília.

Segundo o jornalista, a informação da suposta reunião lhe foi passada pelo ex-agente do SNI, Francisco Ambrósio do Nascimento, um dos especialistas em interceptações contratados pelo delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz para assessora-lo nas investigações sobre o banqueiro Daniel Dantas, na chamada Operação Satiagraha.

Mino Pedrosa é um dos autores de reportagem na revista IstoÉ sobre a suposta reunião num restaurante de Brasília de assessores do ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal, com o advogado do banqueiro Daniel Dantas. A reportagem afirma que a procuradora da República Lívia Tinoco, do Distrito Federal, estava investigando a tal reunião. Também atribui à procuradora a informação de que o delegado Protógenes Queiroz mostrou a ela fotos de um jantar, mas que não era possível identificar quem nelas aparecia.

Em resposta à reportagem, a procuradora enviou ofício ao procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, no qual nega que estivesse investigando a tal reunião. Afirma também que ouviu do jornalista da IstoÉ a informação de que o diretor da Abin e ex-diretor da Polícia Federal Paulo Lacerda lhe havia relatado a ocorrência da suposta reunião. Ela confirma, ainda, que ouviu de Protógenes que “desconhecia a identidade das pessoas que vira conversando com o advogado Nélio Machado” (que trabalha para Daniel Dantas).

A procuradora Lívia Tinôco contesta a reportagem da revista, mas admite no ofício enviado que requisitou ao restaurante japonês, onde o tal encontro teria ocorrido, as imagens do circuito interno da casa — Clique aqui para ler o ofício da procuradora

Desmentido

O ministro Gilmar Mendes entrou com representação na Procuradoria Geral da República pedindo a apuração do vazamento das falsas informações que serviram como base para a reportagem da revista. Os assessores do ministro — que foram acusados mas não foram nomeados individualmente na reportagem — também entraram com representação similar.

Já o secretário de Comunicação do STF, Renato Parente, enviou carta à revista repudiando os termos da reportagem: “O suposto jantar de assessores do ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal, e advogados de Daniel Dantas – sempre suposto, pois jamais se apresentou qualquer cópia ou reprodução fotográfica da gravação – é sustentado de maneira covarde por “fontes” da revista, sem dar os nomes de quem é acusado, impedindo, assim, sua defesa e colocando uma nuvem de suspeita sobre todos os assessores diretos do ministro e mesmo sobre a secular Corte Suprema do Brasil”, afirma Parente na carta (leia a carta no final da página).

Leia a carta do jornalista:

A bem da verdade

Mino Pedrosa, jornalista da revista IstoÉ

Em resposta ao Ofício nº 40/2008 — MPF/PRDF/LT, de 29 de setembro de 2008, dirigido ao procurador-geral da República, Antonio Fernando Barros e Silva de Souza, assinado pela procuradora da República, Lívia Nascimento Tinôco, venho por meio desta narrar os seguintes fatos.

Estive reunido com a procuradora Lívia Nascimento Tinôco, acompanhado do jornalista, também da IstoÉ, Hugo Marques, a fim de obter informações acerca do inquérito que apura interceptações telefônicas do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) em conversa com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes.

Após ter sido apresentado à procuradora por sua assessora Jucilene Ventura, a Dra. Lívia Tinôco perguntou-me se eu poderia revelar a fonte do jornalista Policarpo Jr. da revista Veja. A procuradora ouviu de mim a seguinte frase: “fonte não se revela nunca, nem de baixo de pancada e tampouco fontes de outras pessoas”. Ela sorriu com simpatia. Voltamos a conversar. Perguntei quem até aquele momento havia prestado depoimento para ela. Respondeu-me que quase todos, inclusive Idalberto de Souza Araújo (Dada), sargento da Aeronáutica. Na seqüência, questionou-me se eu seria capaz de colocar Idalberto na capa da revista. Em resposta, disse a ela que não, pois eu tinha conhecimento que Idalberto não estava integrado à Operação Satiagraha e sim Francisco Ambrósio do Nascimento. A razão jornalística da divulgação do nome de Francisco Ambrósio do Nascimento, portanto, foi a única a presidir sua inclusão na matéria da IstoÉ.

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 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 8 de outubro de 2008, 22h39

Comentários de leitores

14 comentários

DISCURTIR O ÓBVIO? Eu fico devidamente impre...

WANDERLEY  (Estudante de Direito)

DISCURTIR O ÓBVIO? Eu fico devidamente impressionado que ainda tem gente na atualidade com tamanha inocência, ao duvidar que uma Agência Brasileira de Inteligência - ABIN, que trabalha a serviço do governo Federal, não disponha de instrumentos modernos para fazerem espionagem, pois, são suas ferramentas básicas de trabalho. Se qualquer detetive particular da esquina mais próxima os tem, como é que ABIN não tenha?. A sociedade como um todo, é que precisar deixar de falácia, ou seja, sabe de tudo, mas, fica se admirando quando alguém levanta com coragem as mazelas dos nossos dirigentes. Ou Será que alguém neste país, por mais desinformado que seja, não sabe existe um estado paralelo dentro do Rio de Janeiro comandado por traficantes? Ou que dentro do congresso nacional não existe desvios de conduta por parte dos nossos parlamentares? Ou que o judiciário não desenvolve o seu papel como deveria?. Agora ficam algumas pessoas que tem acesso as informações, se admirando e carregando tinta numa dúvida não existente, acho que como brasileiro defensor das instituições democraticas, tem é que combater mesmo que de forma solitária, mas, não deixando passar em branco o que está errado. Devemos protestar verbalmente, através de um simples e-mail ou qualquer tipo de comunicação, devemos é fazer nosso papel de cidadão PROTESTAR COM O QUE ESTIVER ERRADO, e não fazer de conta que não sabemos de nada. Não vamos discutir o óbvio, VAMOS COLOCAR CORAGEM NO BEM COMUM, É A ÚNICA SOLUÇÃO PARA O BRASIL.

Caro Touché V. Sª. vai alegar que a tecnolog...

Ramiro. (Advogado Autônomo)

Caro Touché V. Sª. vai alegar que a tecnologia abaixo inexiste, ou vai afirmar que a ABIN não a possui? http://www.spyshop.ltd.uk/index.php?main_page=product_info&products_id=27&zenid=9657aaf2640470eb7b2a8206ff69476f[23/9/2008%2016:58:37] http://www.brickhousesecurity.com/lasermicrophonelisteningdevice-3000.html[23/9/2008 19:24:11] Os dois cabem em maletas, e grampeiam qualquer conversa em ambientes na distância de mais de 500 metros.

Dra. Neide Caetano Imbrisha, o Jornalista Paulo...

Ramiro. (Advogado Autônomo)

Dra. Neide Caetano Imbrisha, o Jornalista Paulo Henrique Amorim foi desafiado a publicar uma informação, mas duvido que ele tenha coragem de se indispor com o MPF, pois o que viria à tona de documentos...

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