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Escolas de Direito

Faap ensina Direito com ênfase em artes e humanidade

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Criada com a finalidade de promover cursos de artes, a FAAP — Fundação Armando Álvares Penteado não poderia fugir da regra no ensino do Direito. Na grade obrigatória estão as disciplinas de Teatro e Criatividade, um padrão adotado para todos os cursos de graduação da Fundação.

Mesmo sabendo que a imposição é criticada por alguns, o vice-diretor da Faculdade de Direito da Faap, José Roberto Neves Amorim, defende que as disciplinas trazem um diferencial na formação do aluno e o ensina a conviver em coletividade. A Faap é a faculdade visitada pela revista Consultor Jurídico nesta semana para a série de reportagens sobre escolas de Direito.

“Para os alunos mais novos essas aulas fazem sentido, ajudam os mais tímidos, mas para mim não foram tão importantes assim”, afirma a aluna do quinto ano Dora Awad.

“O aluno tem que sair da faculdade e ter uma visão do futuro e do mundo. Ele tem que sair com a visão do que ele pode criar. E para isso ele tem aulas de Criatividade”, diz Neves Amorim, que além de dirigente da escola é desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Além desta ênfase na cultura, a faculdade tem o foco abertamente voltado para área empresarial, posição confirmada tanto por palavras de Amorim quanto pela quantidade de aulas de Economia, Direito Administrativo e Direito Empresarial constantes da grade curricular.

A coordenadora de atividades pedagógicas Náila Nucci explica que o curso foi criado a partir da constatação de que havia uma grande demanda para profissionais de direito no mercado. Ela define as características do curso como sendo de “formação humanística e cultural, e não só jurídica. Com o objetivo de dar uma visão mais ampla para ser um conhecedor das artes e ciências humanas”.

Aos noves anos de existência, o curso segue com turmas de no máximo 40 alunos, com aulas apenas no período da manhã, com 5 horas e 20 minutos de aulas por dia. A carga horária ao final do curso totaliza 4.552 horas, mil a mais do que a exigida pelo Ministério da Educação. No quinto ano, entre oito disciplinas, o aluno pode optar para cursar quatro: Contabilidade Empresarial; Direito Ambiental; Direito Agrário e Imobiliário; Direito de Autor; Direito das Novas Tecnologias; Direito Municipal e Urbanístico; Direito Corporativo; Direito Bancário e Mercado de Capitais; Técnicas de Mediação, Negociação e Arbitragem.

Ao longo dos cinco anos a faculdade usa critério de notas onde é feita uma prova para avaliar se o aluno recorda as matérias estudadas nos anos anteriores, a chamada avaliação institucional. A prova é repetida a cada ano, até o final do curso.

Dos 93 professores contratados, 80% são mestres e doutores. De acordo com o vice-diretor da faculdade há uma preocupação da instituição com a titulação dos professores. Fazem parte deste grupo de docentes o atual diretor da faculdade Álvaro Villaça Azevedo, que também é advogado e consultor jurídico, o ex-governador de São Paulo Cláudio Lembo e o desembargador Renato Nalini.

“Tive uma boa formação, com bons professores. Eles são bem preparados”, afirma Dora Awad, aluna do quinto ano. A crítica que ela faz é em relação às oportunidades de estágio e à colocação no mercado de trabalho. “A faculdade poderia mostrar melhor como funciona cada área”. O vice-diretor diz: que a escola tem uma Central de Estágios, para atender e encaminhar os alunos. Além disso a presença no corpo docente de professores de diversas áreas já mostra para o aluno as possibilidades que o mercado tem”.

Uma das possibilidades que a faculdade oferece está a de fazer intercâmbio com outras escolas no exterior, como é o caso da Universidade de Lisboa, com a qual a Faap tem um convênio.

Processo Seletivo

Segundo dados do setor de processo seletivo, o curso de Direito costuma apresentar concorrência de três candidatos por vaga. Para os próximos vestibulares, a escola abriu 68 vagas para ingresso em fevereiro de 2009 e 20 para agosto. Além do vestibular, a escola faz uma espécie de Enem particular para selecionar alunos a partir do ensino médio. Para isso, o aluno se registra na escola, que trata de fazer o acompanhamento de seu desempenho ao longo de todo o curso médio.


 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 29 de novembro de 2008, 0h00

Comentários de leitores

4 comentários

São muito interessantes as matérias publicadas ...

André Cruz de Aguiar - Vironda e Giacon Advogados (Advogado Associado a Escritório - Civil)

São muito interessantes as matérias publicadas pelo Consultor Jurídico sobre as faculdades de Direito. Espero que, futuramente, possam dar origem a um Guia de Faculdades de Direito, que não apenas traga a história e a proposta dessas instituições, mas também avalie a qualidade do ensino e a sua eficácia em atender as necessidades do mercado. Garanto que esse estudo, se fosse realmente publicado, causaria muito espanto na comunidade jurídica e demonstraria que algumas instituições vivem, hoje, apenas da fama que angariaram no passado, que é justa mas não garante o futuro.

Uma mulher à frente do seu tempo! Em termos ge...

Chiquinho (Estudante de Direito)

Uma mulher à frente do seu tempo! Em termos gerais, o que falta é uma maior consciência e uma maior responsabilidade no julgamento do caso concreto. na Justiça, em geral, parece que o Juiz não se coloca no lugar da parte. Para mim, o que falta é se imaginar, se sentir na posição da parte; o Juiz parece que fica um pouco de fora, que não mede as consequências do que a pessoa estaria sentindo, e acredito que essa é a função da Justiça, mas, na maioria dos julgamentos, não vejo esse comprometimento". Assim, a ex-desembargadora do TJRS, Dr.ª Maria Berenice Dias, autora de dois livros clássicos da Literatura Juridica Brasileira: "Manual de Direito das Famílias" e Manual de Direito das Sucessões", responde a uma pergunta pertinente dos jornalistas que a entrevistaram quando ela se aposentou daquele Tribunal para ser advogada da minoria ainda discriminada do Brasil: os homoafetivos. Vale a pena os juristas, juízes, advogados e acadêmicos em direito de todo o Brasil se debruçarem sobre as obras e o exmplo de dignidade, coerência e sensibilidade dessa mulher que aposta no que plantou e espera deixar algumas sementes para todos que acreditam no mundo onde a Justiça não fique de olhos vendado. Cícero Tavares de Melo (chiquinhoolem@yahoo.com.br)

É mesmo é? Conjur conseguiu o patrocínio da UNI...

Armando do Prado (Professor)

É mesmo é? Conjur conseguiu o patrocínio da UNIP e, agora, pelo visto, busca o apoio dessa fundação. Legítimo, mas tira a isenção para uma crítica conseqüente.

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