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Choque de gerações

Sobrevivência de bancas depende de boa relação entre gerações

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Junte numa mesma equipe advogados Baby Boomers, advogados da Geração X e advogados da Geração Y com o objetivo de traçar as estratégias de longo prazo que darão sustentabilidade à banca. Uma coisa é certa: se o relacionamento entre eles não for bem administrado, o choque de gerações comprometerá o projeto.

Estamos falando da convivência de pessoas de faixas etárias diferentes (logo, educadas em contextos diferentes) que, a despeito de sua posição hierárquica dentro da banca, precisam atuar juntas em nome de um objetivo maior: o futuro da própria banca.

Não é à toa que vemos sócios de escritórios por todo Brasil arrancando os cabelos e reclamando do turnover de sua equipe. Eles, mais do que ninguém, sabem que o futuro da banca depende da construção de uma equipe sólida e forte. Talvez a razão do entra-e-sai dos escritórios esteja exatamente aí: no conflito entre as gerações que dificulta a comunicação e o entendimento das expectativas recíprocas. Vejamos:

Os advogados Baby Boomers ocupam nos escritórios posição sênior, já que se encontram na faixa dos 44 aos 65 anos de idade e cerca de 20 a 40 anos de profissão. Aprenderam sobre Direito nos livros e estudaram latim nos tempos de colégio. São ensimesmados, moralistas, grandiosos e autoconfiantes. Eles têm basicamente dois estilos de liderança: a unanimidade de opiniões ou o autoritarismo. Podem se tornar autocráticos e tomar decisões unilaterais, bem como não lidam bem com rejeições.

Os da Geração X, por sua vez, se encontram em terreno intermediário, dos 31 aos 43 anos de idade, ou seja, contam com 5 a 15 anos de formados. Cresceram na era das crianças trancadas em casa, com mães que trabalhavam fora e altos índices de divórcio dos pais. São sobreviventes. Mostram-se céticos e pragmáticos em relação a quase tudo e também despreparados e desorientados quando o assunto é liderança. Como são autoconfiantes e dinâmicos, acabaram por desenvolver um jeito próprio de como sobreviver no ambiente profissional.

São os advogados Baby Boomers e da Geração X que comandam a maioria esmagadora das bancas jurídicas brasileiras, atuando diretamente com seus clientes, guardando para si uma formação mais aprofundada e experiência que só o passar dos anos pode dar. Um dos maiores conflitos que pode haver entre um Baby Boomer e um Geração X é que os primeiros tendem a ver os segundos como irmãos menores, e não como uma geração pela qual precisem ter alguma responsabilidade e orientar no momento de passar o bastão (sim, uma hora a sucessão será inevitável).

Já os da Geração Y são a turma mais nova, com menos de 30 anos e até 5 anos de formados. Foram acostumados, pela família, a ser elogiados com freqüência. São tecnologicamente superiores às gerações anteriores. Formados na era da Internet, os novatos são empreendedores, ansiosos, inconformistas e zelosos, extremamente zelosos de sua vida pessoal. Adoram celular, e-mail, MSN, blogs e torpedos, que parecem escritos em código quase indecifrável. Suas pesquisas jurídicas começam no Google. O desafio dessa geração é que ela depende de estímulo externo e direcionamento superior. Muitos têm pouca capacidade interna de lidar com críticas e não processam os fracassos muito bem. Também têm pressa em subir na carreira.


Geração Baby Bommers X Y
Nascimento 1946 - 1964 1965 - 1977 1978 - 2000
Características Autoritários Autoconfiantes Empreendedores
Moralistas Céticos Ansiosos
Grandiosos Pragmáticos Apressados em subir
Ensimesmados Dinâmicos Inovadores
Baixa tolerância ao risco Média tolerância ao risco Alta tolerância ao risco

Assim, as equipes jurídicas estão se tornando uma combinação de advogados Baby Boomers que lutam para exercer autoridade conquistada pelo tempo, advogados da Geração X autoconfiantes que agem por conta própria, e estagiários e advogados da Geração Y que buscam alguém para lhes supervisionar e mostrar o futuro.

E o que fazer para garantir a harmonia entre essas gerações, em nome da sustentabilidade de longo prazo da banca? A nosso ver, os Baby Boomers e os da Geração X, enquanto líderes, terão que adequar suas atitudes e comportamentos para se relacionar bem com os Geração Y, o que inclui: conhecê-los bem; mostrar o que eles precisam fazer para crescer na carreira; avaliá-los objetiva e periodicamente; ouvir suas opiniões; dar feedback; conversar abertamente para alinhar as expectativas; provocar reflexões sobre seus anseios profissionais e pessoais; preparar um plano de sucessão; deixá-los participar de projetos mais complexos; discutir com eles sobre os conhecimentos e habilidades que eles precisam para assumir o comando nos próximos anos.

O maior ativo de um escritório de advocacia, sabemos, é a sua equipe (tenha ela a idade que for) e todo esforço para desenvolvê-la terá valido a pena se o objetivo maior é a própria banca. Assim, o melhor é não se arriscar a perder a oportunidade de aliar o melhor de cada geração para enfrentar os desafios de um ambiente profissional cada vez mais complexo, caótico e global. É assim que se constrói a sustentabilidade na advocacia.


 é advogada, escritora e consultora em Gestão de Serviços Jurídicos. É sócia da Selem, Bertozzi & Consultores Associados e autora dos livros “Estratégia na Advocacia” (Juruá, 2003), “Gestão Judiciária Estratégica” (Esmarn, 2004), “A Reinvenção da Advocacia” (Forense/Fundo de Cultura, 2005).

Revista Consultor Jurídico, 29 de novembro de 2008, 0h00

Comentários de leitores

1 comentário

O problema é a familiocracia que ainda reina na...

analucia (Bacharel - Família)

O problema é a familiocracia que ainda reina na advocacia, em que os grandes escritórios são administrados como um negócio de familia e os filhos herdarão o mesmo. Não havendo espaço para se administrar de outra forma. E ainda controlam entidades como a OAB para que publiquem regras antiquadas e evitem a concorrência. Ou, seja os grandes sempre serão grandes e os pequenos sempre serão pequenos.

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