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Enjaulados

Livro conta história de presídios, prisioneiros, gangues e comandos

A vida na cadeia de um pai de família condenado por um homicídio que não cometeu. Os relatos do surgimento de facções criminosas cariocas e paulistas. Histórias coletadas em conversas exclusivas com Fernandinho Beira-Mar. Prefácio escrito por Rodrigo Pimentel, ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e co-produtor do documentário Ônibus 174. Esse é o conteúdo do livro Enjaulados — presídios, prisioneiros, gangues e comandos. O resultado é um retrato do tétrico sistema penitenciário brasileiro.

A obra, de co-autoria dos jornalistas Marcelo Auler, Renato Lombardi e do criminalista Pedro Paulo Negrini, será lançado nessa segunda-feira (24/11), em São Paulo.

O foco de Enjaulados é a história de Rogério Aparecido, 28 anos, casado, pai de dois filhos. Um dia acusado de um homicídio que não cometeu, é encarcerado, julgado, condenado e cumpre seis anos de pena. No livro, Negrini não entra no mérito da justiça ou injustiça da prisão de Rogério.

“Apresentar Rogério como vítima de uma falha processual não seria ficção. No entanto, mostrar Rogério apenas como vítima determinaria pena e compaixão. A opção mais corajosa — adotada pelo autor — foi apresentar Rogério como um preso, e ponto final. Rogério, que poderia ser nosso irmão, nosso filho, nosso amigo, estava na cadeia e esta realidade, vergonhosamente ignorada por todos nós, agora bate à nossa porta. Apenas torceríamos para que ele cumprisse sua pena e voltasse para sua família são e salvo e que a cadeia não o tragasse de uma vez por todas para o mundo do crime”, comenta Pimentel, em seu prefácio.

Marcelo Auler traz para a segunda parte do livro o relato do surgimento e da evolução histórica das facções criminosas cariocas. Conta também histórias de líderes famosos dessas facções, como Uê, já morto, e Fernandinho Beira-Mar, atualmente preso, com quem teve conversas exclusivas.

“Eu já havia entrevistado o Beira-Mar há alguns anos, quando ele me ligava para a redação de O Dia — na época eu estava lá — para denunciar policiais corruptos que perseguiam a família dele. Mais tarde, ouvindo policiais federais de uma equipe especial, consegui descrever a perseguição que eles fizeram ao traficante desde 1994, quando Beira-Mar tentou montar a base de seu negócio no Paraná, em seguida em Belo Horizonte, onde o prenderam, e de onde depois ele fugiu”, conta Marcelo Auler.

Renato Lombardi relata a história do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção dominante no sistema carcerário de São Paulo. Ele fala especialmente de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado pela polícia como líder da facção.

Enjaulados suscita a seguinte questão: o sistema penitenciário brasileiro pode cumprir seu papel de reeducador de presos ou é um mero depósito de condenados? “Para quem o discurso de se oferecer dignidade ao ser humano preso possa parecer altruísta e caridoso demais, para quem deseja a punição mais dura aos criminosos, o autor estabelece um discurso prático e pedagógico: ‘para o bem de nossa sociedade vale a pena tratar o preso com dignidade’”, finaliza Rodrigo Pimentel em seu prefácio.

Os autores

Pedro Paulo Negrini é advogado criminalista no Rio de Janeiro. Marcelo Auler é repórter do jornal O Estado de S. Paulo, no Rio, e colaborador da revista eletrônica Consultor Jurídico desde 2000. Renato Lombardi é jornalista da TV Cultura de São Paulo.

Serviço:

Lançamento do livro Enjaulados — presídios, prisioneiros, gangues e comandos , de Marcelo Auler, Pedro Paulo Negrini e Renato Lombardi

Local: livraria Cultura — Av. Paulista, 2.073, Conjunto Nacional.

Data: 24 de novembro de 2008

Hora: 19h

Enjaulados é publicado pela editora Gryphus e custa R$ 49

Revista Consultor Jurídico, 23 de novembro de 2008, 0h00

Comentários de leitores

1 comentário

INJUSTIÇAS PATROCINADAS POR NÓS Paulo Robert...

Paulo Roberto I (Técnico de Informática)

INJUSTIÇAS PATROCINADAS POR NÓS Paulo Roberto I Trabalhei por anos dentro da Casa de Detenção de São Paulo (o extinto Carandiru). Algo que indigna é que um número sem fim de injustiças acabam pesando no bolso do contribuinte que inocentemente patrocina o custo elevado de apenados. Um sistema carcerário incapaz de reeducar consome cifras imensas. Inúmeros presos, vítimas de defensores públicos gratuitos, que também não tem a intenção de defender e fazer lídima JUSTIÇA fazem pesar compulsoriamente sobre os ombros do contribuinte os gastos dos presídios. paulorobertoprimeiro@itelefonica.com.br

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