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Crueldade humana

MP denuncia cinco no caso da menina torturada em Goiás

O promotor Cássio de Sousa Lima, da 46ª Promotoria Criminal, entregou denúncia contra cinco pessoas envolvidas no caso da menina L., de 12 anos, que foi torturada em Goiás. A ação, protocolada na sexta-feira (28/3), tramita na 7ª Vara Criminal de Goiânia.

A empresária Sílvia Calabresi Lima e a empregada doméstica Vanice Maria Novaes irão responder pelos crimes de tortura, maus-tratos e cárcere privado. Elas podem ser condenadas a até 31 anos de prisão. Marco Antônio Calabresi Lima e Thiago Calabresi Lima foram denunciados por omissão a tortura. Já Joana D'arc da Silva responderá por ter vendido a filha.

Segundo relato do promotor, a menina era torturada há dois anos no apartamento de cobertura, em um bairro nobre de Goiânia, em que morava com os Calabresi. Os crimes foram descobertos no dia 17 de março depois que um vizinho alertou a Polícia. A menina foi encontrada amordaçada e com as mãos acorrentadas em uma escada. Ela estava totalmente esticada com um peso na ponta dos pés.

Sílvia pediu à Joana D`arc para cuidar da menina. Ofereceu um pagamento mensal e a promessa de pagar os estudos até que a menina completasse 18 anos. A mãe aceitou a oferta e a menina foi matriculada no Colégio Militar.

“Todavia, após alguns dias, Sílvia passou a impor maus-tratos à vítima e a espancá-la, diariamente, atos consistentes em surras com tamancadas na cabeça, marteladas nas solas dos pés, tapas e socos, batendo também a cabeça da mesma diversas vezes contra a parede, provocando-lhe lesões corporais. A vítima passou, então, a apresentar hematomas, os quais eram sempre justificados por Sílvia a terceiros e aos familiares da vítima como sendo tombos e quedas por ela sofridos”, diz o promotor.

Sousa Lima afirma que os maus-tratos foram se intensificando a ponto de Sílvia impedir de a menina ir à escola temendo que ela contasse algo. Intensificou as torturas. A língua da menina foi deformada permanentemente com alicates. Martelo e ferro quente também foram usados nas torturas. Sílvia chegava a colocar pimenta na boca e nos olhas da menina. Ela era sufocada por vários minutos com uma sacola plástica.

“Não obstante, e com o fim de aumentar o sofrimento e a dor da vítima, Sílvia, por diversas vezes, esmagou os dedos de L. Colocando-os entre a porta e o portal, fechando-a em seguida”, comentou Cássio.

Além das crueldades, a garota não era alimentada. Ficava até quatro dias sem comer. Segundo a menina, quando estava em estado de inanição, quase desfalecida, Sílvia e Vanice ofereciam fezes e urina de cachorro. A denúncia assegura que o marido e filho de Silvia tinham pleno conhecimento dos fatos. “Aliás, menosprezaram a situação e se tornaram coniventes, enquanto a lei lhes exige o dever de evitá-las”, salientou o promotor.

Revista Consultor Jurídico, 31 de março de 2008, 16h29

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