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Corrupção na polícia

Garotinho é denunciado por formar quadrilha com ex-chefe da Polícia

O Ministério Público Federal denunciou Anthony Garotinho (PMDB) ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região por formação de quadrilha armada. Além dele, outras 15 pessoas foram alvos da Operação Segurança Pública, da Polícia Federal, deflagrada nesta quinta-feira (29/5), no Rio de Janeiro. Para o MPF, enquanto governador do estado, Garotinho permitiu o funcionamento de uma quadrilha formada por policiais responsável pela facilitação de contrabando, lavagem de dinheiro e corrupção.

Garotinho foi denunciado por manter o deputado estadual Álvaro Lins (PMDB) à frente da Polícia Civil. O parlamentar foi preso em flagrante, nesta quinta-feira. Na sua casa, em Copacabana, a PF apreendeu documentos e um celular. A casa de Garotinho também foi vasculhada por policiais federais. De lá, levaram um laptop.

A denúncia foi apresentada pelos procuradores regionais da República Maurício da Rocha Ribeiro, Cristina Schwansee Romanó e Paulo Fernando Corrêa. “O Ministério Público Federal está convicto de que uma organização criminosa atuou durante mais de seis anos no governo do estado do Rio, especificamente na Secretaria de Segurança Pública. Nesse período, um grande grupo de policiais civis sentiu-se livre para intimidar diversos infratores em detrimento da segurança pública. Em várias delegacias, os denunciados faziam vista grossa a condutas ilegais em troca de altas quantias”, afirma o procurador Rocha Ribeiro.

Segundo o MPF, a investigação ainda apontou vários crimes de lavagem de dinheiro, em que Álvaro Lins se valeu de familiares e outras pessoas para ocultar a origem do patrimônio obtido criminosamente. Esse grupo era formado por seis dos denunciados: Francis Bullos (vereador em Barra Mansa), Sissy Toledo de Macedo Bullos Lins, Vanda de Oliveira Bullos, Amaelia Lins dos Santos, Maria Canali Bullos e Luciana Gouveia dos Santos.

Além de oferecer denúncia, que está sob segredo de Justiça, e pedir as buscas e apreensões, o MPF obteve o seqüestro dos bens ocultados por Álvaro Lins devido à lavagem de dinheiro. Uma vez apresentada a denúncia, os acusados terão 15 dias para sua defesa preliminar. Em seguida, o desembargador relator do caso levará a denúncia ao plenário do TRF-2, que apreciará a denúncia para dar início ao processo penal.

Flagrante

Álvaro Lins é acusado lavagem de dinheiro, formação de quadrilha armada, facilitação de contrabando e corrupção passiva. De acordo com a denúncia, a quadrilha era responsável pelos crimes de facilitação de contrabando, por não reprimir a atividade de exploração de máquinas caça-níqueis pelo suposto grupo criminoso de Rogério Andrade, e de corrupção ativa e passiva, relacionados diretamente com as atividades da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente.

No caso da lavagem de dinheiro contra o parlamentar, a acusação é de crime permanente, uma vez que há a suspeita de o imóvel em que o acusado mora ter sido comprado com dinheiro de corrupção. Por ser parlamentar, a única forma de prisão é em flagrante delito. O Superior Tribunal de Justiça tem entendimento firmado no sentido de que crime permanente permite flagrante a qualquer tempo. Para a PF, o dinheiro seria proveniente de dinheiro recebido ilicitamente enquanto chefiava a Polícia Civil.

Também tiveram a prisão preventiva decretada, para garantia da ordem pública e da instrução criminal, os policiais civis Ricardo Hallak, Alcides Campos Sodré Ferreira, Fábio Menezes de Leão, Helio Machado da Conceição, Jorge Luiz Fernandes, Luiz Carlos dos Santos e Mário Franklin.

Veja as acusações


Acusação
Álvaro Lins lavagem de dinheiro, formação de quadrilha armada, facilitação de contrabando e corrupção passiva
Anthony Garotinho formação de quadrilha armada
Ricardo Hallak lavagem de dinheiro, formação de quadrilha armada, facilitação de contrabando e corrupção passiva
Alcides Campos Sodré Ferreira corrupção ativa
Daniel Goulart formação de quadrilha armada
Fábio Menezes de Leão facilitação de contrabando
Helio Machado da Conceição facilitação de contrabando
Jorge Luiz Fernandes facilitação de contrabando
Luiz Carlos dos Santos formação de quadrilha armada e corrupção ativa
Mário Franklin lavagem de dinheiro, formação de quadrilha armada, facilitação de contrabando e corrupção passiva
Francis Bullos lavagem de dinheiro e formação de quadrilha armada
Sissy Toledo de Macedo Bullos Lins lavagem de dinheiro
Vanda de Oliveira Bullos lavagem de dinheiro
Amaelia Lins dos Santos lavagem de dinheiro
Maria Canali Bullos lavagem de dinheiro
Luciana Gouveia dos Santos lavagem de dinheiro


Revista Consultor Jurídico, 29 de maio de 2008, 17h29

Comentários de leitores

8 comentários

Isso aí tá me cheirando à letra do primeiro sam...

Zerlottini (Outros)

Isso aí tá me cheirando à letra do primeiro samba feito no Brasil (Pelo Telefone): "O chefe da polícia, pelo telefone, manda me avisar. Que na Carioca tem uma roleta para se jogar". E o "Menininho" ainda fica se dizendo inocente. E o Álvaro Lins foi solto. E este país está cada vez pior. Nunca, na História do Brasil, se viu tanta sacanagem, corrupção, roubalheira juntas. Este (des)governo petralha vai ficar na história como os piores oito anos da República... E ainda tem gente que quer mais quatro. Ô RAÇA!!! Francisco Alexandre Zerlottini. BH/MG.

Eis uma investigação que vale a pena assisitir ...

Ramiro. (Advogado Autônomo)

Eis uma investigação que vale a pena assisitir até que ponto vai a eficiência das autoridades. Não há como ser feito as provas só com escutas, vai se precisar de perícias contábeis, de provas contábeis complexas, e sob pressão política, e ainda, se o grupo é tão perigoso, sob risco de reação "extra judicial". Não se brinca com a fúria do povo em vão. Esta história de jogar cristão na arena dos leões, agora o MPF e PF esbararraram em bem mais que o populismo. No que vai dar? Aguardo.

Pelo jeito, nenhum secretário de segurança esca...

olhovivo (Outros)

Pelo jeito, nenhum secretário de segurança escaparia de uma denúncia dessas. Responderia objetivamente por "permitir o funcionamento de uma quadrilha formada por policiais (armados)". Implantou-se no Brasil o princípio do "salve-se quem puder".

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