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Jogos olímpicos

Corte esportiva autoriza atleta com prótese a competir

O atleta sul-africano Oscar Pistorius, que tem as pernas amputadas, poderá participar dos Jogos Olímpicos de Pequim. O Tribunal Arbitral do Esporte em Lausanne, na Suíça, julgou que o corredor, que disputa provas com duas próteses, pode lutar por uma vaga nos jogos.

Em janeiro, a Federação Internacional de Atletismo (IAAF, na sigla em inglês) proibiu sua participação nos jogos sob a alegação de que as próteses dariam vantagem mecânica em relação aos outros competidores. Feitas com lâminas de carbono, as próteses podem dar um efeito propulsor ao atleta, afirma a entidade. A informação é das agências de notícias internacionais.

No entanto, os juízes do tribunal entenderam que “a IAAF não provou que os efeitos biomecânicos pelo uso destas próteses dêem uma vantagem a Oscar Pistorius diante de atletas que não as usem". O tribunal explicou que a decisão vale apenas para Pistorius. A corte não excluiu a possibilidade de a IAAF demonstrar que a prótese em questão possa realmente dar vantagem ao atleta.

“Como vocês devem imaginar, está difícil tirar o sorriso do meu rosto nos últimos 30 minutos. Eu só quero dizer que a verdade prevaleceu. Agora tenho a oportunidade de seguir correndo atrás do meu sonho de participar das Olimpíadas. Se não fora agora, será em 2012”, disse o sul-africano, em entrevista coletiva em Milão.

Pistorius, de 21 anos, tentará o índice olímpico nos 400 metros rasos. Ele é o recordista mundial paraolímpico da prova, com 46s56. Para ir a Pequim na prova individual, terá de correr em 45s95.

Mesmo que não consiga a marca, o atleta tem vaga praticamente certa nos jogos. O comitê olímpico da África do Sul deve convocar ao menos seis atletas para a equipe de revezamento 4x400m. Em 2007, ele foi segundo colocado no campeonato nacional na distância.

Heróis da suepração

A história da Olimpíada registra casos de deficientes físicos que competiram e venceram nos jogos. Em 1938, o húngaro Karoly Takacs, que integrava a equipe de atiradores olímpicos de seu país, perdeu o braço direito em um acidente com uma granada, justamente o braço que empunhava a arma nas competições. Dez anos mais tarde, empunhando a arma com o braço esquerdo, Takacs ganhou a medalha de outro da prova de tiro rápido com pistola, nas Olimpíadas de Londres. Em 1952, em Helsinque, ele voltou a vencer e se tornou o primeiro bicampeão olímpico da prova.

Neste mesmo ano, a dinamarquesa Lis Hartel se tornou a primeira mulher a ganhar uma medalha olímpica nas competições de hipismo. Ela foi a segunda colocada na prova de adestramento. Vítima de poliomelite, Lis Hartel ficara paralítica da cintura para baixo e precisava de auxílio de outras pessoas para montar e desmontar o cavalo bem como precisou de ajuda para subir ao pódio onde recebeu sua medalha de prata.

Na Olimpíada de Sydney, em 2000, a americana Marla Runyan também se tornou a primeira atleta cega a competir numa competição olímpica de atletismo. Ela terminou em oitavo lugar na prova de 1.500 metros.

Nos três casos, não houve contestação dos feitos dos atletas. Mesmo porque, como agora, não havia interveniência de artefatos tecnológicos que pudessem afetar a isonomia entre os competidores, que é o que está em discussão no caso de Oscar Pistorius.

Revista Consultor Jurídico, 16 de maio de 2008, 15h31

Comentários de leitores

1 comentário

Penso que o Tribunal Internacional Arbitral do ...

Moacyr Pinto Costa Junior (Advogado Associado a Escritório)

Penso que o Tribunal Internacional Arbitral do Esporte agiu corretamente, vêz que, compete a quem alega, também, em sede do Juizo Arbitral Internacional, o ônus da Prova.

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