Consultor Jurídico

Artigos

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Investment Grade

Investment Grade: conquista abre portas para investimentos

Por 

Foi anunciado no dia 30 de abril pela agência internacional de risco Standard & Poors, uma das mais conceituadas do mercado de capitais mundial e que serve como parâmetro para análise e escolha de investimentos em todo o mundo, a classificação do Brasil como Investment Grade. Embora já muito anunciada e aguardada dentre os participantes do mercado de capitais, a notícia foi recebida com surpresa, tendo em vista o momento de insegurança e instabilidade pelo qual passa a economia mundial.

Grau de investimento (tradução da expressão para o português) nada mais é do que uma recomendação de investimento (nesse caso, recomendação de investimento no país). Ao buscar captação de recursos no mercado de capitais, os emissores, em geral, submetem os papéis a uma agência de risco que, com base em fatores macro e microeconômicos, outorga uma nota refletindo o risco do investimento a ser realizado. Dentre as agências de risco disponíveis, as mais reconhecidas e aceitas mundialmente são a Standard & Poors, a Fitch e a Moodys, que norteiam a decisão de grande parte dos investimentos mundiais.

As “notas” que são atribuídas pelas agências de risco a empresas, instituições financeiras e governos soberanos, bem como a operações estruturadas por estes, refletem, dentro das escalas adotadas por cada uma das agências, a qualidade do investimento, levando-se em conta a capacidade de adimplemento das obrigações da entidade avaliada. O tão esperado Investment Grade é na verdade o equivalente a uma nota alta (a partir de BBB—, no caso da Standard & Poors), que traz consigo uma avaliação de baixo risco de inadimplência. Títulos avaliados abaixo do grau de investimento são considerados especulativos, ou junk bonds que acarretam maior risco aos investidores em contrapartida a um ganho mais elevado. Em outras palavras, obter nota correspondente ao grau de investimento implica dizer que há baixo risco de que o receptor do investimento descumpra suas obrigações (default).

Embora seja sabido que os investidores em geral baseiam suas decisões em diversas análises realizadas e não apenas nas recomendações das agências de risco, algumas fundações e entidades estrangeiras, tais como os fundos de pensão americanos (que administram em conjunto trilhões de dólares), somente são autorizadas a investir em países que possuem o grau de investimento. Este é, na verdade, o fator de maior relevância e porque não dizer, a barreira que separa uma avaliação BBB- e outra BB+, aparentemente tão próximas. A conquista pelo Brasil da classificação abre portas e caminho para receber uma nova gama de investimentos até então impensados, colocando o país como opção de relativa segurança com altíssima rentabilidade (considerada a taxa básica de juros de 11,50% a.a.) para milhares de investidores.

A expectativa do mercado brasileiro para os dias que se sucedem é que ocorra considerável alta nas negociações da bolsa de valores. O mais provável é que cedo ou tarde as agências Fitch e Moodys sigam o caminho iniciado pela Standard & Poors e igualmente elevem o Brasil ao grau de investimento. Não obstante, é preciso tomar cuidado. A análise do desempenho econômico de outros países que receberam o grau de investimento mostra como padrão uma forte alta na liquidez e valorização dos ativos disponíveis no mercado no curto prazo, seguida de considerável baixa decorrente da realização dos lucros obtidos.

Ainda assim, todas as análises levam ao entendimento de que a chegada do grau de investimento nesse momento da economia mundial confirma o fortalecimento da economia brasileira, demonstrando o descolamento e certa resistência à crise econômica originada no setor imobiliário norte-americano. O momento agora é de otimismo e deve ser aproveitado.

Bruno de Almeida Chaves é advogado da Azevedo Sette Advogados em São Paulo, especialista em mercado financeiro e de capitais.

Revista Consultor Jurídico, 8 de maio de 2008, 0h00

Comentários de leitores

2 comentários

Abre e não garante nada.O resto é midia eleitor...

Bira (Industrial)

Abre e não garante nada.O resto é midia eleitoral.

De ilusão também se vive, o que não significa d...

Jose Antonio Schitini (Advogado Autônomo - Civil)

De ilusão também se vive, o que não significa dar crédito a ilusão para se sujeitar ao estelionato internacional. O Brasil hoje tem mais a dar ao mundo que a receber. Aliás na incessante busca de holofotes internacionais, este governo cujo mandatário aspira a parear com os maiores lideres internacionais, o que nos dias atuais não é difícil graças a crise de liderança, quando não existe mais um Roosevelt, Truman, Churchil, De Gaule, Getulio Vargas, Stalin, etc. Então recebe de bom grado os elogios e qualificações que os Crocodilos Mundiais, nos fazem. Na verdade fica babando. O que o país tem a dar ao mundo é fato de ser a primeira potência agrária num universo onde falta alimentos. Bastante água, e minerais, dizem que até petróleo e, que graças a uma política sem balanço para aferir se é boa ou má está exaurindo seus bens naturais, em prol de grandes cias e indústrias, que mais tiram do que dão. Cadê a demonstração de lucro de tudo isso. Onde é publicada. Daí começa a dar estruturas energéticas para a Bolívia, talvez parte de Itaipu para o Paraguai, minas para milionários instantâneos, força tarefa militar para o Haiti, ajuda para alguns países da Africa, extensões de terras contínuas para índios para turista ver. Tudo concessões com bens alheios. Daí vem essas instituições internacionais e dão graduações positivas de investimentos, elogios ocos e interessados. Babem quem quiser, mas de olho na carteira e na punga.Qual o efeito disso na distribuição de renda?

Comentários encerrados em 16/05/2008.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.