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Crise no ensino

Aluno brasileiro é muito avaliado e pouco preparado

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Diante das deficiências do ensino formal no Brasil, em todos os níveis, criaram-se mecanismos periódicos de avaliação de egressos de cursos. De uns tempos para cá, temos uma série de instrumentos voltados à avaliação pessoal e institucional da qualidade do ensino. Enem, Enade, auto-avaliações eletrônicas, concursos públicos, exame da OAB, entre outros, visam aferir rendimento, habilidades e competências de alunos.

Hordas de alunos do ensino médio enchem pátios de “cursinhos” pré-vestibulares e vivem a expectativa que se esvairá diante da lista dos aprovados no final do ano. “Muitos são chamados, pouco os escolhidos” para as Universidades Federais que, sendo públicas, concentram alta competição. Bacharéis, após cinco ou mais anos na Faculdade de Direito, depararam-se com o Exame de Ordem tropeçando no intuito de tornarem-se advogados. Alguns já prestaram a prova várias vezes e, nada. Até as provas do Detran são causa de choro e ranger de dentes.

Afinal, o que realmente essas provas avaliam? Se avaliam, os critérios de avaliação servem a qual fim? Quais melhoras o ensino experimentou nesse período no qual foram introduzidas avaliações? Quais frutos colheu a qualidade de ensino? Acredito que muito poucos.

As escolas públicas não melhoraram sua qualidade porque o Governo não melhorou seu desempenho orçamentário e o compromisso com a educação. Verbas e respeito aos profissionais da educação continuam na pauta das reivindicações sindicais. Escolas privadas são boas porque o investimento é alto e a gerência profissional. Mas os resultados são desproporcionais se comparados com o ensino público ou que os que estão fora do sistema de ensino. Isso agrava a exclusão educacional e social do país, que forma elites em detrimento da sociedade.

Nas Universidades, o problema não é menos visível. Alunos sem preparo básico e cultura geral matriculam-se em cursos superiores buscando diploma.e, quem sabe, melhorar no padrão de vida.

Resta a constatação de que o aluno brasileiro é muito avaliado e pouco preparado. Cobra-se-lhe muito e pouco se-lhe dá. Sua culpa? Talvez. Porém, o maior culpado é o modelo educacional que não ensina a “pensar”, não “forma” cidadãos, não “especula” a ética e formação do caráter do povo, cobrando depois algo que foi sistematicamente sonegado.

A preocupação é o ensino quando deveria ser a educação. E isso, prova nenhuma avalia.




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 é advogado e professor universitário.

Revista Consultor Jurídico, 28 de janeiro de 2008, 0h00

Comentários de leitores

4 comentários

A questão não do aluno ter desinteresse ou da e...

SCARPITTI (Bacharel)

A questão não do aluno ter desinteresse ou da escola que não é bem preparada para receber o aluno. O problema reside no subjetivismo do Poder Soberano (Governo) que tolda o ensino de seus representados, malbaratando-o. Enquanto for adotada a forma hitleriana de se queimar livros em praças públicas, por outras palavras, resuzir o ensino a 0, a fim facilitar o poderio dos governantes, outro não será caminho senão o do fim do ensino.

Achei este texto muito fraco e superficial. A t...

Mauro (Professor)

Achei este texto muito fraco e superficial. A temática do autor é relevante para a educação, pois é notório o descompasso entre o preparo e as avaliações que os estudantes brasileiros recebem. Mas, deveria, na minha opinião, ter se aprofundado bem mais. É o típico texto cuja chamada é atraente, mas o conteúdo uma droga. Coisas da nossa imprensa.

Há muitos mitos nesta questão de educação, prin...

Ramiro. (Advogado Autônomo - Criminal)

Há muitos mitos nesta questão de educação, principalmente universitária. 1º Mito - A única diferença entre universidade privada e pública é que uma é paga e outra é gratuita. A verdade é que há universidades onde se faz pesquisa, as públicas, não todas, e as principais PUCs, algumas operando no vermelho por gastarem com pesquisa, e universidades que arrecadam e não fazem pesquisa séria nenhuma, no que pesquisa é medida não por publicações locais, mas por presença em publicações internacionais indexadas, encontradas em mecanismos de busca de periódicos internacionais, ou no sistema qualis, A, da CAPES. O segundo mito - o sistema de quotas pode diminuir a desigualdade. Só vai gerar ódios e rancores ampliados. Principalmente em cursos como medicina e engenharia. Temos exemplos no Rio de dois colégios que dão certo e são públicos, o Colégio de Aplicação da UFRJ e o da UERJ. No entanto, como bem dizia Tom Jobim, no Brasil sucesso é ofensa pessoal, e modelos que dão certo são alvo de propostas de demolição. Vamos pegar universidades que dão certo, Harvard, 70% de bolsistas, Yale, mais ou menos mesmo percentual, Caltech, MIT. Lá o talento é premiado, no Brasil é punido. E outro rombo do sistema é exigir licenciatura para lecionar no segundo grau, quando há contigente de mestres e doutores desempregados que não podem lecionar no segundo grau e universidade privada não se interessa por cursos caros de manter como física, química, geologia, alguns como biomedicina e fisioterapia cobram caro para esquema "cuspe e giz". Infelizmente grande parte das Federais adentra pelo mesmo caminho. E aa USP, a que mais produz ciência séria neste país, é tratada como "reduto da elite econômica". Quem pode vai querer aprender com quem pesquisa e publica.

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