Consultor Jurídico

Fim da escola

Nada foi feito para dar suporte ao crescimento do Cecei

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Estávamos no auditório da PUC para o debate a ser realizado entre os candidatos à Presidência da seccional paulista da OAB no ano de 1998. Eu disputava a Presidência da Caixa de Assistência dos Advogados de São Paulo, a nossa querida Caasp. Ao meu lado, a brilhante advogada Norma Kyriakos me disse: “Não podemos fazer uma gestão comum, temos que sair do atual marasmo da OAB e da Caasp, vamos criar uma creche para os filhos dos advogados e advogadas de São Paulo”. Ganhamos a eleição e o atual presidente da Caasp foi eleito meu diretor.

Do projeto inicial para criarmos a creche, surgiu a idéia do Cecei (Centro de Cultura e Educação Infantil), que foi aprovada por unanimidade pela então diretoria. O projeto tomou uma proporção tão importante que a primeira comunicação da nossa gestão foi uma criança estampada na revista da Caasp com a seguinte frase: “Creche: um direito assegurado pela Caasp”. Para comandar esse projeto revolucionário contratamos dois dos maiores profissionais do mercado, o historiador Mouysés Kuhlmann Jr e a educadora Telma Vitória.

O Cecei tornou-se uma referência nacional e internacional.

Para ter continuidade, o projeto deveria ter recebido investimentos não só de dinheiro, pois essa não é a única maneira de se levar adiante um projeto educacional. A parceira com a iniciativa privada, com educadores, é sem dúvida alguma outra forma de dar oxigênio a um projeto inovador e único em nosso país. A participação efetiva dos pais dos alunos não pode ser desprezada.

Infelizmente, desde que deixamos a Presidência da entidade, constatamos que o nosso querido Cecei foi deixado de lado. Talvez porque aparentemente ele não trouxesse tantos votos, o que é um equívoco, pois projetos não obtêm sucesso apenas porque dão votos, mas porque deixam sementes para mensagens futuras. O que constatamos nesses últimos anos foi o total abandono do nosso Cecei. Poucos investimentos, nenhuma parceria efetiva deram suporte ao projeto inicial. Desde que deixamos a Presidência, nada de novo foi feito para dar suporte ao crescimento do nosso Cecei.

É triste constatar que um projeto que, repita-se, tornou-se referência nacional e internacional, tenha sido desativado pela atual diretoria sob o argumento de “falta de dinheiro”. Os pais não foram ouvidos de maneira adequada sobre essa decisão tão drástica, tanto que estão acionando judicialmente a entidade.

Cabe ao administrador buscar alternativas, usar o prestígio da entidade e em alguns casos o do próprio presidente para dar mais combustível às suas metas. Infelizmente, a atual diretoria preferiu abandonar o premiado projeto, prejudicando famílias de advogadas e advogados e suas crianças, que foram privadas de ter o que há de melhor em educação na nossa cidade. Lamentável.




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 é advogado criminalista, membro do Instituto dos Advogados de São Paulo e da Comissão Teotônio Vilela de direitos Humanos.

Revista Consultor Jurídico, 7 de janeiro de 2008, 16h48

Comentários de leitores

18 comentários

Para quem aconselhou o professor a não perder t...

Cláudio M. Gonçalves (Advogado Autônomo)

Para quem aconselhou o professor a não perder tempo comigo, e em seguida me honrar com seu precioso tempo... Para quem afirma conhecer, lamento informar, mas o CECEI não ganhou vida própria, e por analogia às suas afirmações, podemos afirmar que o projeto então não é tão excelente assim. E não tem vida própria mesmo pois "é um serviço caro prestado a uma irrisória quantidade de advogados, que sequer ousam assumir que estão dispostos a bancar os custos reais do CECEI. Já que ninguém quer colocar a mão no bolso pra pagar o que de fato deveria, então utilizam este espaço para atacar presidente da CAASP, da OAB, do INSS, do Brasil, da Venezuela e por aí vai... Não conheço o Sidney nem o D´urso e minhas afirmações são baseadas em meus fundamentos que foram muito claramente apresentados. Não quero ver meu dinheiro pagando escola para filho de 6 duzia de advogados. Só isso. Mas já que o CECEI é tão bom assim, e os poucos advogados que se beneficiam não são carentes, o ideal seria mudar o endereço do CECEI para cidades onde de fato muitos advogados poderiam se beneficiar. Sugiro transferir o CECEI para Carapicuiba. Quem sabe Itapevi. Ou para Tatuí, terra de Manoel Guedes, ou quem sabe, para beneficiar os advogados de Andradina... Se este benefício fosse concedido a qualquer destas cidades, esta meia dúzia de advogados estariam fazendo passeata contra a CAASP e a OAB por gastar o dinheiro deles. Foi bom saber quem de fato criou algo tão inútil para os 250 mil advogados do Estado de São Paulo. Prestar serviços de alta qualidade a preços irrisórios e subsidiados para menos de 26 advogados é inacreditável. Espero que eles nunca mais voltem, incluindo alguns possíveis que votaram a favor do CECEI em benefício próprio.

Péssima divulgação do CECEI? Então, a doutor...

Cláudio M. Gonçalves (Advogado Autônomo)

Péssima divulgação do CECEI? Então, a doutora e outros que defendem o CECEI, como convenceriam os colegas de todo o interior de São Paulo, e cidades da grande São Paulo, a utilizarem a creche? Quanto ao preço, desculpe-me mas uma creche do nível da CECEI custa no mínimo R$ 1.800,00 por mês. Porque os defensores do CECEI não propõem um aumento de preço no valor acima para que ele se torne auto sustentável? É mais fácil fazer barulho e usar o dinheiro dos outros... E esta afirmação não é maliciosa, mas fato incontroverso. O contrário sim é malicioso. A doutora acha mesmo possível divulgar e convencer nossos colegas de Taubaté, de Ribeirão Preto, Queluz etc, etc a mandarem seus filhos para o CECEI... O CECEI foi criado para toda a classe? Sua afirmação voltou-se contra a gestão que a criou e justifica o fim do CECEI, afinal, 99,9% da classe não pode utilizar-se da grande criação. Tanto que menos de 26 advogados se aproveitam disso. Meu Deus, quanto dinheiro foi e é gasto para beneficiar uma irrisória quantia de advogados. A doutora me convenceu: tem que fechar urgente.

Para quem desconhece, esclareço que a CAASP con...

Dr. Luiz Riccetto Neto (Advogado Sócio de Escritório - Criminal)

Para quem desconhece, esclareço que a CAASP concede benefícios e presta serviços. Os benefícios são destinados aos advogados carentes, suas viúvas e filhos. Os serviços são prestados indistintamente, não havendo o requisito de carência financeira, tais como o dentista, a livraria, a farmácia e o CECEI, sendo esse último serviço a ÚNICA criação do grupo político que dirige nossa Entidade desde 1998. Há quem ouse atribuir às gestões 2001/2003 e 2004/2006 alguma ação a justificar a referência nacional e internacional em que se tornou o CECEI. É preciso que se diga que um projeto de excelência, quando iniciado, ganha vida própria e rompe barreiras de distância, de idioma e de ideologia política. Assim por maior que tenha sido a inércia das referidas gestões posteriores àquela que criou o CECEI, ele se projetou no meio educacional e pedagógico, não por alguma ação dos dirigentes da CAASP, mas por divulgação dos educadores que idealizaram e atuaram no projeto de criação, pelas próprias faculdades que disputam as vagas de estagiárias oferecidas pelo CECEI e por seu auspicioso Regimento Interno. Não sei se mero acaso o fato do presidente da CAASP, que quer extinguir o CECEI, ter ocupado os cargos de tesoureiro e vice-presidente nas mencionadas gestões que nada acrescentaram ao CECEI. Aliás, o resultado da inércia das referidas gestões são agora utilizados de pretexto para a extinção do CECEI, embora se saiba que “nemo auditur propriam turpitudinem allegans” (a ninguém é dado alegar a própria torpeza em seu proveito). Assim reitero a parabenização à gestão 1998/2000 da CAASP, pela administração visionária.

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