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Pleno poder

Servidores pensam ser dotados de qualidades sobre-humanas

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A pompa monárquica exibida por certos servidores públicos é algo comum. Em alguns casos bem freqüentes, não há sequer o direito de conversa com os quase deuses. Revestidos pelo ego inflado, alguns membros do Poder Público pensam ser dotados de qualidades sobre-humanas. Pobres de nós, os indignos, quando precisamos dos serviços do Reino, sofremos humilhações e temos que engolir, afinal, a cultura nacional nutre a divindade a ocupantes de alguns cargos. Nessa seara, não há um só brasileiro que não tenha uma história para contar.

O poder é do povo. Para que seja possível a vida em sociedade, regras devem ser estabelecidas e cumpridas. Então, surge o Estado, representante do poder popular, fazendo valer o que foi instituído pela vontade comum. Através do poder que lhe foi conferido, o servidor público, enquanto cumpridor do dever legal, faz o papel de autoridade. Não o é, apenas está, momentaneamente. A partir da conclusão do serviço, o poder popular não mais lhe pertence. Só o terá de novo quando houver interesse social.

Cabe a nós, detentores desse poder, controlá-lo de forma plena. Rasguemos essa procuração imaginária que certos agentes públicos pensam possuir. Atos pessoais são de inteira responsabilidade daquele que os protagoniza, e não representam, de forma alguma, a vontade do povo. Independentemente de qual seja a fonte geradora, vaidade ou mau caráter, que assuma os frutos do seu ataque de autoridade quando esta não lhe é outorgada.

O autoritarismo deve ser combatido. Não há servidor público que goze de poder. Ele apenas o exerce em defesa do interesse popular. Não há espaço para imperadores em um Estado Democrático. Se ultrapassar os limites que lhe são impostos, que pague o preço por usurpar algo que não lhe compete. É hora de dar um basta na República do “você sabe quem com está falando?”.




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 é servidor da Defensoria Pública de Rondônia

Revista Consultor Jurídico, 6 de janeiro de 2008, 0h00

Comentários de leitores

12 comentários

Que me perdoem os poucos bons servidores, mas s...

Marcelo Augusto Pedromônico (Advogado Associado a Escritório - Empresarial)

Que me perdoem os poucos bons servidores, mas são tão poucos que não nos lembramos deles... mas existem... Pior, são os que nem sequer são servidores, e que estão ali sem passar por concurso público e sem qualquer merecimento, pelo contrário. São pessoas que não possuem condição técnica, extremamente simplórias, mas que representam a maioria, se não me engano. Isso se torna muito pior nas prefeituras, por exemplo. O problema é tão grave que servidores concursados, chefes de seção, não podem requerer afastamento dos incompetentes, sob pena de ser repreendido por secretários, vereadores ou prefeitos. É uma humilhação para o cidadão decente, uma vergonha para um Brasileiro - com "B" maiúsculo.

De fato, o autor tem razão. Existem servidores,...

Fernanda (Serventuário)

De fato, o autor tem razão. Existem servidores, e não são poucos, que procedem da forma descrita. Contudo, como em TODAS as carreiras, tem o outro lado. Existem, sim, bons servidores, cientes dos seus deveres, que trabalham além do horário sem receber qualquer remuneração por isso, e ainda precisam aturar as atitudes grosseiras de alguns causídicos (ressalvando aqueles que sabem advogar com urbanidade e respeito), motivadas, muitas vezes, pelo total despreparo técnico do referido profissional. Não é demais frisar que, se alguém se sente prejudicado por determinado servidor público, existem os meios legais para que o mesmo seja devidamente punido. Prezado Leonardo, dê nomes àqueles que o desrespeitam. Não generalize a atitude dos mesmos como “regra geral” da categoria. Ou tornar-se-ão válidas aquelas velhas frases de efeito: “advogado não presta”, “político é tudo igual” (com as quais eu, expressamente, NÃO CONCORDO) e assim por diante.

Que tal acabar com a estabilidade?? Seria o pri...

ERocha (Publicitário)

Que tal acabar com a estabilidade?? Seria o primeiro passo para os Deuses sentirem-se humanos.

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