Carga de vergonha

Tribunal italiano proíbe casal de chamar filho de “Sexta-feira”

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3 de janeiro de 2008, 12h58

A Justiça italiana proibiu um casal de registrar o filho com o nome de “Sexta-feira”, personagem de “Robinson Crusoé”. Segundo os juízes, o nome traz carga de vergonha e ridículo ao garoto. A informação é do portal de notícias G1.

“Eles acham que o nome remete à figura de um selvagem, criando assim um senso de inferioridade e não garantindo ao menino a dignidade necessária”, disse a advogada do casal, Paola Rossi, ao comentar a decisão dos juízes.

De acordo com ela, os pais vão recorrer da decisão junto à Suprema Corte italiana. Mara e Roberto Germano, cujo filho nasceu em 3 de setembro de 2006, registraram e batizaram o menino como Venerdi, que em italiano significa “Sexta-feira”.

Apesar de o garoto não ter nascido numa sexta-feira, e sim num domingo, seus pais gostaram do nome, disse a advogada. “Eles queriam um nome diferente, original, e este não pareceu um nome que causasse vergonha”, disse Rossi em entrevista. “Acho que ele faz lembrar o dia da semana, e não da personagem do livro.”

Registro

O assunto terminou nas mãos dos juízes de Gênova, cidade do norte italiano onde vive o casal, porque os oficiais de cartório são obrigados por lei a relatar os nomes estranhos à Justiça.

Para os juízes, registrar o garoto como Sexta-feira iria impedir que ele tivesse “relações interpessoais tranqüilas” e o transformaria no “motivo de piada de seu grupo”, de acordo com uma reportagem do jornal La Republica.

Segundo o jornal, os juízes também disseram que, como um dia da semana, Sexta-feira evoca um sentimento de tristeza e penitência, quando não está associado totalmente com o azar.

A advogada do casal disse que o tribunal também ordenou que o menino fosse registrado como Gregório, em alusão ao santo do dia em que nasceu.

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