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Rede Dantas

Protógenes se irrita com pergunta sobre lista de jornalistas

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O delegado Protógenes Queiroz, que comandou a operação batizada pela Polícia Federal como Satiagraha, demonstrou irritação ao ser questionado sobre a rede de jornalistas supostamente ligados ao banqueiro Daniel Dantas. “Você é um idiota”, respondeu ele ao repórter da revista Consultor Jurídico por telefone. E, mesmo com a identificação prévia da reportagem, ainda perguntou se a ligação era um trote antes de bater o telefone.

Nesta sexta-feira (19/12), a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) entregou oficio à Polícia Federal e ao ministro da Justiça, Tarso Genro, pedindo esclarecimentos sobre a afirmação do delegado sobre a rede de jornalistas. “Você tem uma rede de jornalistas que abastecem Daniel Dantas ou faziam manifestação de mídia a favor dele, favoreciam negócios dele presente, ou até mesmo projetos futuros”, afirmou Protógenes à revista Caros Amigos.

A Fenaj diz que não admite desvios de condutas profissionais de jornalistas. “Contudo não pode omitir-se neste momento, uma vez que a não divulgação dos nomes de eventuais culpados, se existirem de fato, coloca sob suspeição toda a categoria”, afirma a entidade no ofício.

Para a entidade, a insinuação de que jornalistas teriam recebido recursos financeiros de Daniel Dantas joga lama sobre a reputação da categoria. “Esta federação tem o dever de se opor a qualquer tentativa, por mais dissimulada que seja de enlamear a imagem dos jornalistas brasileiros, fazendo supor que todos fossem corrompíveis, razão porque vem à Vossa Excelência pleitear a divulgação urgente da referida lista de nomes, se existir ,com as devidas provas do suposto envolvimento, sob pena de todos pagarem por alguns”, afirma a entidade.

Na entrevista à revista Caros Amigos, o delegado afirma: “Não diria que [os jornalistas] recebem, na investigação aparecem alguns. Não preciso mencionar, está nos relatórios”. Para ele, a lista deve se tornar pública em breve, porque “mexeu” com recursos públicos.

Pen-drive do delegado

Em oficio enviado à CPI dos Grampos, o agente da Abin Márcio Seltz confirmou que analisou conversas gravadas entre jornalistas e investigados na Operação Satiagraha. No documento, o agente afirma ter recebido as gravações em um pen-drive das mãos de Protógenes Queiroz.

Responsável pela condução da Operação Satiagraha, o delegado Protógenes Queiroz requisitou o serviço de 80 agentes da Abin de forma ilegal e sem o conhecimento da cúpula da PF. Entre os recrutados estava Márcio Seltz. Abin não está autorizada, por lei, a fazer investigação policial ou a lidar com interceptações. Protógenes foi afastado da operação, acusado de cometer irregularidades no curso das investigações.

O trabalho de Seltz serviu de base para um dos capítulos mais controversos do relatório da PF, que trata da suposta cumplicidade entre Dantas e a imprensa. Sem provas concretas, Protógenes acusa repórteres de cumplicidade com o banqueiro e de vazar para ele detalhes das investigações.

O delegado chegou a pedir a prisão de uma jornalista da Folha de S.Paulo. A repórter é autora da correta reportagem que antecipou, em abril, que a PF estava investigando Daniel Dantas. O pedido de prisão, feito por ocasião da Operação Stiagraha, em julho, foi negado pelo juiz da 6ª Vara Federal Criminal, Fausto Martin de Sanctis.

Leia o ofício

Brasília, 19 de dezembro de 2008.

Senhor Superintendente da Polícia Federal,

A Federação Nacional dos Jornalistas-FENAJ, ora signatária, é entidade sindical de nível superior da representação dos jornalistas brasileiros.

Em toda a sua história sempre esteve posicionada na defesa incondicional dos interesses dos jornalistas, mas sem renunciar a luta pela liberdade de imprensa, em defesa da boa prática do jornalismo, da ética e dos direitos civis e políticos.

Sem se distanciar desta sua posição histórica, vem acompanhando com apreensão as notícias em torno da denominada “Operação Satiagraha”, especialmente quanto às informações ou insinuações “vazadas ao público” de que jornalistas teriam recebido propinas do Sr. Daniel Dantas.

Esta entidade não faz e nem admite fazer a defesa de desvios de condutas profissionais de jornalistas que eventualmente não se conduzem de acordo com a ética jornalística, contudo não pode omitir-se neste momento, uma vez que a não divulgação dos nomes de eventuais culpados, se existirem de fato, coloca sob suspeição toda a categoria.

Há meses que este assunto freqüenta colunas jornalísticas em notinhas insinuadoras, mas agora é principal tema da entrevista concedida pelo Delegado Protógenes Queiroz à revista Caros Amigos.

A insinuação ou afirmação categórica de que jornalistas teriam recebido recursos financeiros do Sr. Daniel Dantes, sem dizer quais são estes profissionais, lança lama sobre a reputação de todos os jornalistas, como se a categoria fosse constituída de profissionais não éticos.

Esta Federação tem o dever de se opor a qualquer tentativa, por mais dissimulada que seja de enlamear a imagem dos jornalistas brasileiros, fazendo supor que todos fossem corrompíveis, razão porque vem à Vossa Excelência pleitear a divulgação urgente da referida lista de nomes, se existir ,com as devidas provas do suposto envolvimento, sob pena de todos pagarem por alguns (caso estes “alguns” de fato existam).

É o que se requer, urgentemente.

Sérgio Murilo de Andrade

Presidente da FENAJ

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 19 de dezembro de 2008, 17h49

Comentários de leitores

37 comentários

Ninguém é perfeito! Mas PARABENS ao Sr. Prot...

Salealves (Consultor)

Ninguém é perfeito! Mas PARABENS ao Sr. Protógenes, ele é o melhor de todos os delegados da nossa FBI brasileira. Não concordo com a censura, no entanto, é bom para que 'jornalistas ineficientes' pensem duas vezes antes de escrever asneiras ou aquilo que 'lhes vêm a cabeça'. É simples, escreveu o que quis? Arque com as consequências!!!!!!

Na democracia, não se prende um jornalista pelo...

Domingos da Paz (Jornalista)

Na democracia, não se prende um jornalista pelo que escreve ou pelo que fala. A força, qualquer que seja, tem que obedecer à idéia. A imprensa livre é essencial para a democracia, ainda que livre demais, até para os excessos. A Constituição da República ordena o que fazer nessas situações – direito de resposta proporcional à ofensa, direito à indenização por dano moral, afora as outras sanções previstas na lei penal. Prender jornalistas; censurar redações; apreender jornais, livros, revistas; tirar rádios do ar, portais ou televisões só configura violação ao direito da sociedade à informação. A sociedade tem o direito de ser bem informada. Se essa informação não é de boa qualidade a própria sociedade a rejeita, a recusa, a condena. A nenhuma autoridade é permitido interpretar a lei a seu modo para constranger o livre exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações que a lei estabelecer. "CRIME DE IMPRENSA – JORNALISTA PROFISSIONAL - PRISÃO PREVENTIVA: IMPOSSIBILIDADE (art. 66 da Lei n.º 5250/67). Nos termos do art. 66, caput, 1ª parte, da Lei n.º 5250/67, com forte respaldo na Constituição Federal (especialmente, arts. 5º XIV e 220, § 1º), não é cabível prisão preventiva contra jornalista profissional, por prática de crime de imprensa. Ademais, absurda se faz a prisão cautelar de qualquer que seja o jornalista ante as vedações na própria lei de imprensa: - 'Art. 66. O jornalista profissional não poderá ser detido nem recolhido preso antes da sentença transitada em julgado; em qualquer caso, somente em sala decente, arejada e onde encontre todas as comodidades.

A PF é Pirotécnica. Dantas é poderoso. O Dele...

CHORBA (Bancário)

A PF é Pirotécnica. Dantas é poderoso. O Delegado quer troféus. Os repórteres são urubus. (Nos 4 itens há exceções) CHORBAMATRIX@GMAIL.COM

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