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Fonte grampeada

Agente da Abin diz que analisou áudio de jornalistas e investigados

O agente secreto da Agência Brasileira de Investigação Márcio Seltz confirmou nesta terça-feira (16/12/) que analisou conversas entre jornalistas e investigados na Operação Satiagraha, da Polícia Federal. A afirmação foi feita em documento que o agente enviou à CPI das Interceptações Telefônicas da Câmara dos Deputados para retificar depoimento que prestou há duas semanas na CPI. A informação é da Folha Online.

No ofício, o agente afirma que os áudios foram entregues pessoalmente ao diretor-geral afastado da Abin, Paulo Lacerda. Seltz disse ter recebido as gravações em um pen-drive das mãos do delegado Protógenes Queiroz. A Abin na está autorizada por Le a trabalhar com interceptações. Lacerda nega ter recebido as gravações.

De acordo com a reportagem, o funcionário da Abin não explica se os jornalistas foram grampeados ilegalmente (a Justiça não autorizou escutas de jornalistas) ou se as conversas foram captadas em interceptações legais dos investigados.

No relatório da Operação Satiagraha, Protógenes acusou jornalistas de se associarem ao banqueiro Daniel Dantas. Protógenes foi afastado da operação, acusado de cometer irregularidades n ocurso das investigações. Mais tarde descobriu-se que ele usou os serviços de 80 agentes da Abin de dorma ilegal e sem o conhecimento da cúpula da PF.

Para o presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), as novas revelações de Seltz mostram que os jornalistas foram vigiados com o conhecimento de Lacerda. “No fundo eles estavam espionando os jornalistas e suas fontes. É absolutamente ilegal o diretor da Abin receber esses grampo”.

No depoimento prestado à CPI, Seltz já revelara ter analisado grampos e repassado os áudios a Lacerda, mas negou a existência de gravações com jornalistas. No documento em que corrige seu depoimento, ele diz que na hora não se recordou dessas conversas e diz que “não houve má-fé”.

A Folha informa, ainda, que por meio de sua assessoria, Lacerda afirmou que não recebeu nenhum áudio de seu subordinado. Confirmou que se reuniu com Seltz em junho apenas para uma conversa sobre o andamento da Satiagraha.

A pedido de Protógenes, Seltz foi recrutado para auxiliar as investigações e passou a trabalhar dentro da sede da PF, em Brasília. Lá, fazia a triagem de e-mails dos investigados e a análise de reportagens publicadas sobre Daniel Dantas. Descoberto, foi retirado do prédio, mas não das investigações.

Seu trabalho serviu de base para um dos capítulos mais controversos do relatório da Satiagraha, que trata da suposta cumplicidade entre Dantas e a imprensa. Sem provas concretas, Protógenes acusa repórteres de vazarem detalhes das investigações para Dantas.

O delegado chegou a pedir a prisão da jornalista da Folha Andréa Michael, que antecipou detalhes da investigação em reportagem. A prisão foi negada pelo juiz Fausto Martin de Sanctis.

Revista Consultor Jurídico, 16 de dezembro de 2008, 18h22

Comentários de leitores

5 comentários

Antes vinha me mantendo discreto, mas em matéri...

Ramiro. (Advogado Autônomo)

Antes vinha me mantendo discreto, mas em matéria de acusar de processo que absolutamente nunca existiu, o MPF não fala nada do Processo no Senado com o nº 011983/08-6 e se encontra na Advocacia do Senado Federal por determinação do Excelentíssimo Presidente do Senado Federal. Já estouraram todos os prazos, e nem arquivam, e nem votam, entrou na Advocacia do Senado e parece que estão tentando jogar com o tempo. Por que não julgam logo? Se é inepto, assumam o parecer. Que levem a coisa adiante. Mas as provas tem carimbos do protocolo do próprio MPF...

O procurador-geral não vai pedir prisão de ning...

Republicano (Professor)

O procurador-geral não vai pedir prisão de ninguém, heim? Se nada for feito por ele, então devemos mais uma vez repensar a titularidade privativa de ação penal por parte do MP.

A Abin espiona jornalistas e há jornalistas que...

olhovivo (Outros)

A Abin espiona jornalistas e há jornalistas que ainda exaltam a Abin? O que é isso companheiro? Esse talvez seja um dos maiores atentados à liberdade de imprensa, depois do fim do AI-5.

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