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Currículo empobrecido

Nova lei do estágio prejudica estudantes e empresas

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O projeto de lei que trata da regulamentação do estágio profissional, estipulando direitos e deveres de empresas e estudantes (Projeto de Lei 2.419/2007 do Senado Federal), aprovado pela Câmara dos Deputados em 13 de agosto, ainda aguarda sanção ou veto do Presidente da República. Caso seja sancionado, trará uma série de mudanças que prejudicarão os estudantes e as empresas.

Entre as principais alterações propostas estão a limitação em dois anos da duração do estágio e a redução da jornada de atividades – quatro horas diárias (20 horas semanais) para os estudantes de educação especial e dos anos finais do ensino fundamental, na modalidade profissional de educação de jovens e adultos, e seis horas diárias (30 horas semanais) para os estudantes do ensino superior, da educação profissional de nível médio e do ensino médio regular.

A redução da jornada não é interessante nem para o estagiário nem para a empresa que oferece a oportunidade. Com o horário reduzido, o estagiário não terá solidez em sua formação profissional prática, pois não conseguirá assimilar os conhecimentos necessários ou suficientes em apenas dois anos. Por outro lado, caso o objetivo seja o de efetivar seus estagiários, as empresas terão pouco tempo para treinar seus futuros profissionais, já que concluirão o período de estágio despreparados para exercer as atividades e atender a seus reais anseios.

O desenvolvimento do estagiário ficará ainda mais prejudicado com o recesso remunerado de 30 dias estabelecido pelo Projeto, caso o estágio tenha duração acima de um ano. Se o tempo do estágio for menor que um ano, o recesso será proporcional. Tal recesso interromperá as atividades – no processo de aprendizado – por um período longo. Assim, ao retornar, o estagiário sentirá que perdeu etapas importantes de seu treinamento, pois as atividades da empresa não param.

Outra mudança impactante é a obrigatoriedade de pagamento de auxílio-transporte e remuneração mesmo para estágios não obrigatórios, o que pode trazer mais resultados negativos do que positivos. As oportunidades de estágio serão reduzidas, porque as empresas, tendo em vista que deverão arcar com tais despesas que elevarão seus custos na folha de pagamento, deverão avaliar com cautela sua necessidade e disponibilidade de contratar um estagiário.

O objetivo do estágio é o aprendizado e formação prática do jovem profissional, para que ele chegue ao mercado de trabalho bem preparado, ou até já inicie sua carreira naquela mesma empresa. Sendo assim, a redução das vagas de estágio, do tempo de aprendizado, e a interrupção desse processo deverão prejudicar essa importante etapa da experiência profissional. Os efeitos da regulamentação proposta pelo Projeto de Lei 2.419/2007, caso seja sancionada pelo Presidente, poderão ser negativos para o estagiário e para a empresa.

Rachel Elisa Dourado Vaz Pereira é advogada de Direito do Trabalho do escritório Correia da Silva Advogados.

Revista Consultor Jurídico, 23 de agosto de 2008, 0h00

Comentários de leitores

11 comentários

Com certeza a articulista não foi estagiária. ...

Juliana Advogada (Advogado Assalariado - Tributária)

Com certeza a articulista não foi estagiária. Trabalhei em um escritório por 2 anos, aprendi muuuuuuita coisa. Tenho certeza que dois anos não é pouco para o aprendizado do estagiário, depende do quanto cada um consegue "sugar"...se tiver interesse. Ademais, nada mais justo os 30 dias de férias!!! Ora, existem escritórios em que os estagiários trabalham muito mais do que os próprios advogados, pois, além de fazer prazos como os advogados, eles têm que viajar pra mil cidades, ir em mil lugares (Fórum, Procon, Justiça Federal, etc.) e ainda têm que deixar todas as suas coisas em ordem e em dia, pois se não deixarem, têm que trabalhar aos sábados e sem direito à vale alimentação...mesmo que vc trabalhe até às 22hs da noite! É um absurdo...e posso dizer que isso realmente acontece, por experiência própria. Porém, graças à Deus, isso não ocorre em todos os escritórios... Acho que esse lei demorou muito para ser aprovada!

Com certeza nós estagiários nos sentimos muito ...

Ana Elisa (Estagiário)

Com certeza nós estagiários nos sentimos muito prejudicados e estamos muito tristes com férias remuneradas de 30 dias.

Vê-se claramente que a articulista nunca foi es...

Hamilton Magalhães (Advogado Associado a Escritório - Trabalhista)

Vê-se claramente que a articulista nunca foi estagiária na vida. Talvez tenha sido no escritório de papai. Eu, que já fiz muitos, posso garantir que é, impraticável, o regime acima de seis horas para um estudante. Do contrário, seu rendimento escolar será totalmente prejudicado. O regime de quatro horas para o adolescente (é exatamente isso que é um estudante de ensino fundamental e técnico) também é corretíssimo. Querer que esses jovens sejam submetidos às condições de trabalho semi-escravo é o fim da picada.

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