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Direito do dono

Bem confiscado só pode ser usado pela União com fim do processo

O juiz não pode, antes do trânsito em julgado da sentença, dispor dos bens confiscados, cedendo-os, gratuitamente, a diversos órgãos públicos federais, estaduais e municipais. O entendimento é da 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, que manteve decisão do Tribunal Regional Federal da 1º Região (DF) e impediu que o avião Cesna de propriedade de João Arcanjo Ribeiro, o Comendador, fosse utilizado.

João Arcanjo Ribeiro, acusado de ser o líder do crime organizado em Mato Grosso, teve seus bens confiscados em favor da União. Posteriormente, conseguiu na Justiça impedir que esses bens fossem utilizados por terceiros. A União ajuizou recurso especial no STJ contra a decisão do TRF-1. O processo não foi aceito pela relatora, ministra Maria Thereza de Assis Moura, da 6ª Turma.

Na primeira instância, a 1ª Vara da Seção Judiciária de Mato Grosso autorizou a busca e a apreensão dos bens do réu. Os bens foram perdidos em favor da União, que autorizou o uso deles para vários terceiros, inclusive a Polícia Federal. Entre esses bens, estavam imóveis, veículos e um avião Cesna.

Os advogados de João Arcanjo recorreram. Alegaram que o artigo 5º da Lei 9.613, de 1998, havia sido desrespeitado, já que ele autorizaria o perdimento de bens, mas não o uso por terceiros e a sua "distribuição gratuita". O argumento foi aceito na segunda instância e a União recorreu ao STJ.

A União afirmou que a posse dos bens visa à boa administração deles e que as cessões, inclusive do avião Cesna para a Polícia Federal, seriam legais. Apontou ainda que o artigo 91, inciso II, do Código Penal determina que bem que foi instrumento ou produto de crimes deve reverter para a União. A defesa de João Arcanjo afirmou que há decisão impedindo o perdimento do bens até o trânsito em julgado (decisão final sem mais apelações) do processo.

Em seu voto, a ministra afirma que o recurso da União não se refere à sentença de perdimento de bens, mas ao uso deles. Para a ministra, a União apresenta terceiros, como a Polícia Federal, como aptos para administrar os bens, mas essa questão não foi prequestionada (tratada anteriormente no processo). “A possibilidade de a Polícia Federal administrar a aeronave, assim obedecida a boa administração, não foi debatida pelo acórdão, o que inviabiliza a sua discussão, como determinado na Súmula 211 desta Corte", concluiu a ministra.

A decisão apenas impede que os bens de João Arcanjo sejam usados por terceiros, mas eles continuam indisponíveis para o réu até o fim do processo.

REsp 834.646

Revista Consultor Jurídico, 20 de agosto de 2008, 11h14

Comentários de leitores

4 comentários

Justiça que tarda falha!!!

J.Henrique (Funcionário público)

Justiça que tarda falha!!!

Prezado "não tenho": o caso do Abadia é diferen...

Ronaldo dos Santos Costa (Advogado Sócio de Escritório)

Prezado "não tenho": o caso do Abadia é diferente, pois a ele se aplica a lei de tóxicos, que permite a venda antecipada, até para evitar depreciação. Mas venda não se confunde com pedimento, que somente se aperfeiçoa com o trânsito em julgado.

Por decisões como essas é que a União v...

hammer eduardo (Consultor)

Por decisões como essas é que a União vive no eterno dilema do "ganha mas não leva" e termina sendo obrigada a estocar bens por periodos de tempo que as vezes superam o de expectativa de vida dos envolvidos. Conheci uma folclorica figura aqui no Rio de Janeiro que por muitos e muitos anos gozou destas benesses pois arranjou uma "boquinha" de fiel depositario de motos importadas irregularmente e apreendidas pela receita federal. Na pratica o esperto desfilou por anos e anos com motocas impensaveis de se ter nas ruas apenas pelo fato de "estar no lugar certo na hora certa" e claro , conhecer as pessoas certas. No Brasil REAL , aguardar qualquer coisa baseada no famoso "transitado em julgado" equivale a esperar o pouso de uma nave alienigena em plena Praia de Copacabana, via de regra quando , e "se" o processo se encerra , o famoso bem ja esta devidamente destruido pela ação do tempo , estocagem inadequada ou saque de componentes pura e simplesmente. O exemplo mais "proximo" do que estou falando pode ser visto a vontade em varios aeroportos principais do Brasil onde a frota da falecida VASP agoniza e apodrece a ceu aberto ja que o meliante wagner canhedo ( lembra dele? era da tchurma do collor no inicio dos anos 90 , pois é , esqueceu como a maioria...)tem incontaveis ações na Justiça??????e literalmente NENHUMA anda como deveria pois o cara é um dos "donos" de Brasilia , isto é o mundo real. O dia que os processos começarem a desenrolar , as aeronaves não valerão mais nada , vide o que ja devem hoje em taxas de estacionamento aos combalidos cofres da INFRAERO, mas ai é outra historia. Pobre Brasil que "sonha" Suecia e acorda Africa diariamente..........

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