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Investigação privada

Delegado confirma que Kroll grampeou executivos da Telecom Italia

O delegado da Polícia Federal Élzio Vicente da Silva afirmou, na quinta-feira (7/8) em depoimento à CPI das Escutas, que a Kroll Associates grampeou ilegalmente executivos da Telecom Italia. O delegado é o responsável pela Operação Chacal, que investigou em 2004 o esquema da Kroll.

Silva disse que é comum a PF encontrar, em investigações de rotina, grampos ilegais de investigadores privados. Durante a Operação Chacal, ele afirmou ter apurado que havia no mercado de investigação privada de São Paulo uma tabela de preços para escuta ilegal em telefones fixos ou celulares. Quanto aos preços, ele disse que não se lembrava.

Segundo as investigações da operação, a Kroll montou um esquema de investigação ilegal por ordem do banqueiro Daniel Dantas, que disputava o controle acionário da Brasil Telecom.

Silva afirmou, ainda, que a própria diretoria da Brasil Telecom comunicou, em 2005, à PF que havia uma cobrança da Kroll contra a empresa por serviços prestados na época que Carla Cico, braço direito de Dantas, dirigia a empresa.

O delegado defendeu também a ampliação dos poderes de monitoramente telefônico da PF. Ele quer que a Polícia tenha autonomia para receber das operadoras dados cadastrais de clientes investigados, sem a necessidade de autorização judicial prévia. Silva disse que, se empresas privadas têm direito a receber das telefônicas dados dos clientes, a prerrogativa deveria ser estendida à PF.

Ele negou que a PF estenda por "vários anos" interceptações telefônicas de investigados nas operações, mesmo que com autorização judicial. “Dizer que ininterruptamente um alvo foi investigado de 2004 a 2007, é uma análise um pouco simples”, afirmou.

Para o relator da comissão, deputado Nelson Pellegrino (PT-BA), as afirmações do delegado desmontam o depoimento do diretor da Kroll Eduardo Gomide, que em julho afirmou à CPI que a empresa não fazia investigações, limitando-se apenas a reunir informações públicas e analisá-las para os clientes. Pellegrino destacou que as afirmações reforçam a convicção de que o grampo ilegal se tornou uma prática comum no Brasil. O deputado Laerte Bessa (PMDB-DF) quer pedir novo depoimento do diretor da Kroll.

A CPI volta a se reunir na próxima terça-feira (12/8) para ouvir o juiz federal Fausto De Sanctis. Na quarta, a comissão ouve Daniel Dantas.

A Kroll divulgou nota nesta sexta-feira (8/8) para dizer que nunca participou de espionagem, incluindo as escutas telefônicas. Ela lembra que a própria PF deu laudo confirmando que o equipamento apreendido em 2004 na sede da empresa serve para eliminar as escutas. A empresa afirma que nunca fez espionagem de e-mail.

Leia a nota da Kroll

Com relação à notícia publicada ontem, 07 de agosto, na agência Brasil “Delegado da Polícia Federal confirma na CPI que Kroll fazia escutas clandestinas”, a empresa gostaria de esclarecer para a imprensa que: A Kroll refuta veementemente as declarações prestadas a respeito de tais afirmações descabidas.

A Kroll nunca participou de atividades de espionagem, incluindo escutas telefônicas e “invasão de e-mails” (hacking). A própria Polícia Federal constatou e emitiu um laudo confirmando que o equipamento apreendido em 2004 serve para eliminar escutas telefônicas, e com relação aos e-mails, a Kroll nunca foi acusada de invadir e-mails e nunca praticou tal atividade.

A Kroll está à disposição para prestar quaisquer esclarecimentos

Sobre a Kroll: A Kroll está no Brasil há mais de 14 anos. É líder mundial na área de Consultoria em Gerenciamento de Riscos, auxilia clientes a prevenir e combater ameaças, maximizar oportunidades de negócios e proteger funcionários e ativos. Com presença em mais de 33 países, a empresa preza pela ética e respeito pela lei em todas as jurisdições em que opera.

Revista Consultor Jurídico, 8 de agosto de 2008, 16h39

Comentários de leitores

3 comentários

O comentário feito pelo Oficial TOUCHÉ é perfei...

MONTENEGRO (Delegado de Polícia Federal)

O comentário feito pelo Oficial TOUCHÉ é perfeito, dispensando maiores comentários. É lastimável que a maior corte do país chegue a tal ponto.

Parabéns, Touchè, compartilho (junto com 95% da...

Silvio Curitiba (Advogado Associado a Escritório)

Parabéns, Touchè, compartilho (junto com 95% da população)integralmente da opinião manifestada em seu comentário.

Esse é Daniel Dantas. O cidadão que mereceu a h...

Vinícius Campos Prado (Professor Universitário)

Esse é Daniel Dantas. O cidadão que mereceu a honra de ver o Presidente do Supremo Tribunal descumprir a Constituição, suprimir instâncias e conceder-lhe um habeas corpus, em nome do " Estado Democrático de Direito", enquanto 211.000 presos provisórios não tinham o mesmo privilégio. Um cidadão que tem contra si provas de espionagem ilegal, tentativa de suborno a delegado federal ( filmada e confessada), processos em três continentes, suspeitas de participação fraudulenta em privatizações que lesaram os cofres públicos em bilhões de dólares ( enquanto simultaneamente, ele e outros " economistas" conquistavam outros_ ou os mesmos_ bilhões de dólares)e algumas dúzias de crimes mais. É esse sujeito que tem direito a uma Justiça Particular, enquanto o resto da população tem que se contentar com a outra já conhecida. É esse tipo de gente que é " humilhada" quando algemada. Enquanto outros cidadãos, como o mencionado hoje por este conjur, ficam três meses presos por furtar dez reais. Quem representa perigo à sociedade? Quem nos causa mais danos? Por que aos desvalidos o Supremo responde com o silêncio ou a Repercussão Geral e aos poderosos supressão de atos preventivos e privilégios no julgamento? Isso é evolução? Felizmente, Victor Nunes Leal e Evandro Lins e Silva não estão mais entre nós para presenciar essa hipocrisia que alguns tentam chamar de Direito.

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