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O Alienista

Corremos o risco de caminhar para uma República de Bacamarte

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Em baixa na PF, Protógenes Queiroz está em alta na opinião pública. Seu afastamento do caso Daniel Dantas & Naji Nahas, cujas circunstâncias e motivações não foram bem esclarecidas, teve o efeito de redimir os erros do inquérito obtuso que produziu. Fora da investigação — não talvez pelos bons motivos —, o delegado ficou à vontade para assumir, com e sem razão, o papel de vítima dos poderosos e paladino da moralidade.

Feito celebridade, Protógenes encontrou um palanque para seu discurso cívico-messiânico, no qual o jargão de delegacia vem embolado com clichês da esquerda e rudimentos mal assimilados de sociologia. Não deixa de sugerir um personagem de Glauber Rocha, sempre entre a política e o delírio, numa luta encarniçada do bem contra o mal.

Em entrevista ao repórter Rubens Valente, na Folha de S.Paulo, Protógenes se põe como "porta-voz do grande grito contra a corrupção no país", um "instrumento" do povo que se sentia "oprimido" pelos corruptos. Não é difícil imaginá-lo deputado em 2010 ou na lista dos mais vendidos do próximo Natal.

Assim como Daniel Dantas se tornou um vilão de novela, o delegado também é uma caricatura de herói. A questão de fundo vai além dos personagens da hora.

A Constituição de 88 e duas décadas de regime democrático produziram novas gerações de juízes, promotores, delegados e agentes da PF empenhados e em condições de enfrentar a impunidade dos poderosos. Isso é novo e é muito bom.

A boa nova, porém, produz monstros quando se fica sabendo que a Justiça concedeu à PF acesso a todo o cadastro telefônico do país a pretexto de investigar a turma de Dantas. Isso também é novo e não é apenas muito ruim. É assustador.

Se não se agir logo para conciliar a sede de justiça com as garantias constitucionais, corremos o risco de caminhar para uma República de Bacamarte, o famoso personagem de Machado de Assis que trancou a cidade inteira num hospício. Que tal prender toda a população e depois ir soltando os inocentes?

[Artigo publicado na Folha de S.Paulo, desta segunda-feira, 4 de agosto]

 é editor do caderno de Política da Folha de S.Paulo.

Revista Consultor Jurídico, 4 de agosto de 2008, 13h09

Comentários de leitores

5 comentários

Confiar em politicas economicas Brasileira,com ...

Joaca (Consultor)

Confiar em politicas economicas Brasileira,com politicos desonestos no poder,não é terefe pra pobres,Eles,politicos, é quem de levar os bons exemplos em recursos sociáveis ou naturais para a comunidade.Veja como o Presidente Lula,foi mediar entre Gilmar Mendes,Daniel Dantase e a PF.Desmoronar o Pico da Neblina,não é terefa da PF,essa terefe é puramente politica.

E o senhor Fernando é um oportunista assalariad...

Armando do Prado (Professor)

E o senhor Fernando é um oportunista assalariado pelo "Estado da direita", cujo maior símbolo é o presidente supremo, recordista de HC's na medida "horas".

A corrupção é bom de combater para os outros. N...

Ramiro. (Advogado Autônomo)

A corrupção é bom de combater para os outros. Na hora que a polícia pára o sujeito por excesso de velocidade, documentação atrasado do veículo, etc., o que as pessoas esperam é aquela conversa com o policial, de que o Estado é corrupto, e isso e aquilo, que a Polícia ganha mal, por que pagar tanto para o Estado se pode pagar ali mesmo para o Policial. E todos se sentem inconspurcados, mas se o Policial recusa a conversa e quer "canetar" a multa, passa a ser um fascinora que se tem genitora essa foi operária do meretrício. Não é à toa que nosso Presidente sofista, só sabe que de nada sabe, tem o apoio total do povo, digamos que pode ser um espelhamento dos padrões morais.

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