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Descanso do trabalho

Presidente do Ipea insiste com jornada de 12 horas semanais

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Enquanto a França, que reduziu a jornada de trabalho, pensa em aumentá-la de volta, no Brasil o economista Márcio Pochmann, presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), afirma que reduzir o tempo de trabalho drasticamente pode resolver os problemas sociais. E encontrou um público receptivo à sua tese de que a jornada de trabalho semanal deve ser de 12 horas: os juízes do Trabalho. A atual jornada máxima no Brasil é de 44 horas por semana.

Em sua conferência no XIV Congresso Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho, que acontece em Manaus até o próximo sábado (3/5), o professor de Políticas Sociais da Unicamp afirmou que, além das poucas horas de trabalho, as pessoas deveriam apenas entrar no mercado aos 25 anos. A idéia, defendida desde o ano passado por Pochmann, mereceu comentários de aprovação da platéia formada na maioria por juízes trabalhistas. Ao final de sua fala, ele foi bastante aplaudido.

A teoria baseia-se em duas premissas: o fim da sociedade do “ter” e a distribuição da riqueza “imaterial”. Para o economista, a cadeia cultural atual cria necessidades desnecessárias. “É um padrão de consumo que não consegue se sustentar”, afirma.

Como exemplo, ele cita o automóvel. A estrutura de seu uso é voltada para a classe média. Para que seja possível sua manutenção, é fundamental que 80% da população não tenha acesso a carros. Se os países como Brasil e China reproduzirem o modelo norte-americano, não haverá recursos suficientes. O Estado também não teria condições de infra-estrutura para construir, por exemplo, estradas que comportassem grande número de automóveis.

Sua proposta é de se fazer uma agenda civilizatória em que se crie igualdades de oportunidades. Segundo Pochmann, no século passado houve um avanço nesse sentido. Mas, ela já é uma agenda já defasada.

“Estamos convivendo com uma profunda intensificação do trabalho. Não só no local do trabalho, mas naquele em que não dá para medir suas horas”, explica. No século XX, a base da riqueza era material. Com a desmaterialização do trabalho (como acontece no setor de serviços), está se gerando cada vez mais riqueza imaterial. Esta riqueza é o dinheiro movimentado pelo mercado financeiro internacional, que é desfrutado poucos.

Para Pochmann, a mudança fundamental seria a repartição dessa riqueza, que permitiria um padrão superior de vida para todos sem um modelo consumista. “É plenamente possível que poucas pessoas produzam para todo mundo. O problema da fome é o problema da distribuição”, afirma o economista.

O ingresso no mercado de trabalho aos 25 anos é plenamente possível, segundo o economista. O primeiro motivo é o aumento da expectativa. Atualmente é de 72,3 anos no país. O economista acredita que ela pode passar dos 100 anos.

O atual sistema que permite a entrada do jovem de 16 anos no mercado de trabalho é desvantajoso para os pobres. Somente os ricos é que conseguem estudar além da adolescência, diz o economista. “Não é possível combinar estudo com trabalho na atual situação”, diz. Para Pochman, o jovem que trabalha durante o dia e estuda de noite tem uma jornada de trabalho idêntica a dos operários ingleses do século XIX.

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 30 de abril de 2008, 21h35

Comentários de leitores

6 comentários

Calma lá, pessoal. A solução proposta é simples...

Paulo Luz (Advogado Sócio de Escritório)

Calma lá, pessoal. A solução proposta é simples, apenas faltou o Sr. Pochmann acrescentar que a "classe trabalhadora" será consituída de políticos. Pronto! É a solução para sua proposta.

Alguns indivíduos (que deveriam ficar calados) ...

Carlos Gama (Outros)

Alguns indivíduos (que deveriam ficar calados) dizem tantas imbecilidades, que acabamos acreditando que são piadas de mau gosto. Sreá que ele paga à sua empregada doméstica um salário justo e a deixa trabalhar duas horas por dia?

Esse cara está falando sério? Desculpem o taman...

Winston (Advogado Autônomo)

Esse cara está falando sério? Desculpem o tamanho do comentário, mas vamos lá: 12 horas semanais? Ok, vamos ao lado prático: se o sujeito ganha R$ 1.000,00 por mês com jornada de 44 horas semanais, quanto receberá por uma jornada de 12 horas? Um salário proporcional de R$ 270,00? Ou o empregador deveria pagar os mesmos R$ 1.000,00 por 27% do trabalho prestado, gastando quase 4 vezes mais pelo mesmo serviço? Nos dois casos, um dos dois irá à bancarrota. Na questão do ingresso no mercado aos 25 anos, fica a dúvida: quem sustentará esse sujeito até essa idade? Os pais que trabalharão 12 horas por 27% do salário ou que estarão desempregados pq as empresas não podem pagar 4 vezes mais pelos salários? Ou será que esse "jovem" terá que trabalhar clandestinamente desde seus 14 anos até os 25? E quem não tem pais? E os filhos de pais desempregados? Bolsa família para eles? A ideologia socialista é linda, mas é impraticável. Eu trabalho desde os 14 anos, sempre conciliei trabalho, estudo e lazer, muitos o fazem, e não conheço histórias de morte por essa causa. E as mulheres que trabalham, estudam, cuidam da casa e dos filhos (além de muitas vezes de pais enfermos)? Estas sequer seriam equiparadas às trabalhadoras do século XIX, mas às escravas do século XVI. Onde está o fomento à criação de empregos formais, desonerando as folhas de salários? Onde estão as verbas que deveriam ser aplicadas na formação profissional dos jovens e reciclagem técnica dos desempregados? Bem, diante do currículo do Sr. Márcio Pochmann, estamos todos enganados. A solução é bolsa família e estatização de todos os meios de produção e comércio, garantindo a igualdade da distribuição da riqueza. Onde retiro meus cupons???

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