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Zona do Crime

Filme Zona do Crime reflete sobre Justiça com as próprias mãos

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Chega aos cinemas nesta quarta-feira o filme La Zona. Em português, recebeu o nome de Zona do Crime, mas poderia se chamar muito bem, em qualquer idioma, Guerra Civil. É um filme mexicano, mas conta uma história muito familiar para brasileiros, argentinos, americanos ou europeus. Fala de violência urbana, mas trata também da falência dos valores e das instituições do Estado — segurança pública e Justiça, especialmente. Filosofa ainda sobre luta de classes, mas não precisava. Para quem gosta de ir ao cinema e sair pensando na vida, vale a pena.

O diretor é Rodrigo Plá, ganhador do Oscar de curta-metragem de 2001, que com essa obra estréia na direção de longas. O elenco traz Maribel Verdú, que aparece em O Labirinto do Fauno, e Daniel Gimenez Cacho, de Ninguém Escreve ao Coronel, que já foram exibidos em telas brasileiras. São nomes que servem como recomendação de boa obra (Clique aqui para ver o trailer).

Baseado em conto homônimo escrito por Laura Santullo, mulher do diretor, Zona do Crime conta uma história simples e horripilante dos nossos tempos: três pivetes invadem um condomínio de luxo na Cidade do México e ao tentar assaltar uma residência matam sua moradora. O alarme soa, a segurança privada do condomínio sai em perseguição dos assaltantes. No tiroteio são mortos dois assaltantes e um guarda, alvejado por fogo amigo.

O condomínio é uma fortaleza cercada de favelas por todos os lados. A fumaça do tiroteio ainda está no ar quando os condôminos se reúnem para tomar as providências do caso. Ou seja: 1) capturar o assaltante sobrevivente para fazer Justiça; 2) impedir que o infausto episódio comprometa a segurança da ilha de tranqüilidade que compraram e construíram com o suor de seu trabalho. As decisões, obviamente, são democraticamente aprovadas em assembléias do condomínio.

As duas medidas têm a mesma origem e explicação: o Estado está falido, as instituições policial e judicial são corruptas. Então, melhor que os cidadãos de bem resolvam o problema por sua conta e risco. A conta significa isso mesmo: estão dispostos a comprar e a pagar por tudo que for necessário para manter a inviolabilidade do seu reduto, inclusive a omissão da polícia. O risco fica por conta da ousadia dos justiceiros que saem em perseguição ao sobrevivente. O desespero é geral tanto pelo que aconteceu como pelo que pode vir a acontecer.

Do lado de fora dos muros do condomínio, devidamente guarnecidos por cercas elétricas, arame farpado e câmeras de vigilância, o quadro é diferente, mas parecido. A mãe do assaltante que sobreviveu e sumiu vive o mesmo desespero e a mesma solidão em busca do filho. Ela bem que tenta a ajuda da polícia para localizá-lo, mas é solenemente ignorada. Se pudesse, ela também faria justiça com as próprias mãos.

Diante da deterioração dos valores e das relações sociais, como bem prova o filme de Rodrigo Plá e a multidão que consome diariamente cada episódio do caso Isabella em São Paulo, são as boas intenções e a má consciência de cada cidadão que darão solução para os problemas de convivência entre os seres humanos. Aliás, as ocorrências de linchamento no país são muito mais freqüentes do que faz supor a ira dos apresentadores justiceiros que atuam na TV. Justiça por conta própria não é, decisivamente, privilégio de classe social.

O fim do filme, que não precisa ser revelado, só poderia ser um: todos perdem. O filme não tem mocinho. Ricos e pobres, culpados e inocentes, respeitadores da lei e defensores da segurança, todos sucumbem diante do medo e da violência. Embora tenha semelhanças temáticas com filmes como os brasileiros Cidade de Deus e Tropa de Elite, a ficção de Zona do Crime tem mais ainda com a realidade, que não é só a do México.

“A minha razão para fazer o filme foi que me encontrei com uma Cidade do México cheia de muros, de câmeras, de cercas de segurança”, disse o diretor Rodrigo Plá em entrevista ao jornal O Globo. “Essa paisagem urbana me preocupa.” Uma preocupação, que o próprio diretor reconhece, é comum a todos os moradores dos grandes centros urbanos da América Latina.

A distribuidora Dreamlands oferece 10 pares de ingressos para serem sorteados entre os leitores do Consultor Jurídico. Os ingressos, válidos de segunda a quinta-feira, serão sorteados entre leitores das cidades onde o filme está em exibição, que se cadastrarem para concorrer (clique aqui para se cadastrar ). Confira a lista de salas de cinemas que exibem o filme. Os nomes dos leitores sorteados serão divulgados na segunda-feira (5/5).

 é diretor de redação da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 30 de abril de 2008, 13h18

Comentários de leitores

8 comentários

O negocio é simples e funciona assim: O ciadã...

amorim tupy (Engenheiro)

O negocio é simples e funciona assim: O ciadão me da um empurrão e paga uma cesta basica , então como tenho dinheiro para pagar 10 cestas basicas , em represalia lhe dou 10 empurrões e ja começou a guerra perticular que o contrato social dos " bem intencionados" deveria evitar. Nada mais falso do que : multa doi no bolso= doi no bolso do pobre - no bolso do rico não doi , agora ,xilindro doi na costa de chico e na de francisco. Se alguem me mata sou defunto e acabou , se mato uma pessoa vou ser reeducado dai que é melhor matar do que morrer. sempre que alguem é ofendida aflora um desejo de vingança ,isso é natural. Ou as autoridades se vigam pelo ofendido e aplicam a lei do olho por olho e dente por dente na medida certa ou as pessoas ofendidas se vingam por conta propria e aplicam a lei da emoção = 10 olhos por cada olho e 10 dentes por cada dente. A solução é muito simples:

Não percamos a esperança no contínuo progresso ...

Pietro Minucci (Engenheiro)

Não percamos a esperança no contínuo progresso da civilização. Os tempos já foram piores. Lembremos, por exemplo, da cruzada das crianças. Aliciadas aos milhares para, em 1212, retomarem Jerusalem dos muçulmanos, foram vendidas como escravas no caminho. Não esqueçamos que a vetusta lex talionis, antiga de 5000 anos, embora atrativa por simbolizar uma justiça célere e desamarrada da burocracia, na verdade pode nos tornar sua vítima. Trabalhemos incansávelmente para um mundo melhor; instruamo-nos sobre história,para não repetir os erros do passado, sobre equanimidade, da qual tivemos excelsos mestres, para praticar o respeito à vida, e sobre filosofia, para dar-nos conta do aspecto multifacetado que as manifestações do espírito tem. Não joguemos fora 10.000 anos de civilização. Em vez disto aprimoremos nossas escolhas de políticos. Sejamos exigentes primeiramente para conosco,repelindo as tentações, e daí termos autoridade moral sobre os outros. ass: eu e Thomas Morus

As favelas já fazem justiça com as próprias mão...

MONTENEGRO (Delegado de Polícia Federal)

As favelas já fazem justiça com as próprias mãos, com tribunais próprios e com o conhecido forno de micro ondas. Alguns poderosos também agem assim, especialmente na região norte do Brasil. Fica patente a falência do modêlo democrático atual, pois o Congresso é o bastião da corrupção. Se quisermos preservar a democracia e a vida em sociedade, teremos que repensar o pacto social.

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