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Pena a traficante

Abadía é condenado a 30 anos de prisão e multa de R$ 4 milhões

Ela revelou que em 2001, na Colômbia, iniciou seu relacionamento com Juan Carlos Ramirez Abadia, vindo ao Brasil em setembro de 2004, com documentação falsa por ele fornecida e a partir daí passaram a conviver em regime de concubinato. Revelou, ainda, que no Brasil o acusado fizera uso de documento de identidade em nome de Javier Antônio Buenaño.

Justificou seu desconhecimento sobre as atividades de seu companheiro ao argumento de que em seu país de origem as mulheres ostentam uma relação de subserviência e não interferem nas questões de seus cônjuges, daí é que, não obstante Juan Carlos Ramirez Abadia tenha alegado que sua saída da Colômbia decorreria de problemas lá enfrentados, não ousara questionar tais fatos ou mesmo sua vida pretérita.

De igual modo, não se imiscuía em suas questões presentes, bem como nos relacionamentos travados com os co-réus. Conquanto não se possa questionar a suposta primazia masculina nos relacionamentos conjugais naquele país, não é factível que a acusada reputasse correto que tanto ela quanto seu companheiro ingressassem num país com documentos falsos, aqui permanecessem por cerca de três anos sem o exercício de qualquer atividade laborativa, apenas acreditando que suas despesas fossem providas por empresas mantidas por ele na Colômbia — cuja procedência sequer era de seu conhecimento.

E mais. Não seria crível que pudesse acreditar que Juan Carlos Ramirez Abadia permanecesse como turista no Brasil por longo período sem que tivesse de se ausentar para regularizar seu visto, ao passo que ela, de outro modo, tinha que se deslocar a países vizinhos (Argentina, Uruguai ou Paraguai) reiteradas vezes para validar a sua condição de turista.

Não fosse por tudo isso, a prova coligida pelo acompanhamento de campo realizado pela Polícia Federal desde 2005 demonstra que em diversos encontros de Juan Carlos Ramirez Abadia com outros membros da organização criminosa Yessica Paola Rojas Morales fazia-se presente. O monitoramento telefônico respalda validamente as conclusões acerca de sua efetiva participação nos crimes de “lavagem” de valores, mais acentuada notadamente após a saída de “Pacho”, “Índio” e “Casquinha” do Brasil.

DA SOLICITAÇÃO DO RECONHECIMENTO DA DELAÇÃO PREMIADA

Não se reconheceu que os condenados Juan Carlos Ramirez Abadia, André Luiz Telles Barcellos, Daniel Brás Maróstica e Ana Stein fossem merecedores do benefício da Delação Premiada.

Juan Carlos Ramirez Abadia a cada manifestação sempre se posicionou ao sabor dos acontecimentos. Atribuiu à Justiça Federal o fato de não se concretizar a Delação Premiada, afirmando que o magistrado sentenciante “preferiu” determinar a entrega de valores, além de asseverar que “já cooperou”, não havendo qualquer reconhecimento jurisdicional neste sentido.

Considerou-se que ele, acusado de “lavar” altas somas provenientes do tráfico internacional no Brasil, manifestou-se como se vítima fosse de uma situação jurídica injusta desfavorável, chegando a condicionar sua nova “colaboração” à garantia “apenas” da redução em 2/3 de sua pena.

Os valores ora “recuperados” (?!) e a revelação tão-somente daquilo que ele deseja seriam, sob a sua ótica, suficientes à obtenção da pena reduzida no montante pleiteado. Solicitou gestões de uma determinada autoridade judiciária federal junto ao magistrado sentenciante para que obtivesse mudança da decisão deste Juízo, o que foi prontamente repudiado, além da transferência de sua esposa para a Superintendência da Polícia Federal em São Paulo.

Novamente utilizou de métodos negociais próprios de um comerciante. Quisera colaborar, bem poderia ter feito de espírito aberto, sendo verdadeiro, revelando fatos de interesse da Justiça Federal (claro, não limitando o que quer desvendar) e entregando o dinheiro ilícito em seu poder, e aí teria a garantia da lei em ver o seu direito ao benefício pleiteado reconhecido.

Revista Consultor Jurídico, 1 de abril de 2008, 19h10

Comentários de leitores

15 comentários

Corretissimo.

Gauderio ()

Corretissimo.

Tem que extraditar esse traficante mesmo. O sis...

DIDI (Advogado Autônomo - Trabalhista)

Tem que extraditar esse traficante mesmo. O sistema penitenciário do Brasil é imprestável. E ainda, pagar alimentação e estadia de preso no Brasil custa muito caro aos cofres públicos. Iria só engrossar a massa carcerária. Penso que os EUA têm todo direto de eletrocutar esse malandro, assassino e traficante. É bem o que ele merece. pena que o Brasil não adotou esse sistema de pena de morte em tempo de paz, porque a essa hora Fernandinho Beira Mar já estaria na cova e não comandando o crime por trás das grades.

Parabéns à nossa justiça... - US$ 40 milhões...

Comentarista (Outros)

Parabéns à nossa justiça... - US$ 40 milhões poupados dos bolsos do traficante... - Extradição rápida e gratuita para os EUA... - Garantia, exigida pelo Brasil, de que não passará mais que 30 anos preso, com a devida comutação do tempo de prisão cumprido na nossa republiqueta das bananas... Viva o Brasil, país ético, sério, honesto, legalista, desenvolvido, moderno e "inteligente"... Com a palavra, os puritanos de plantão.

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