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Respostas atrasadas

Espião italiano envolve Abin e PF em operações escusas

No seu depoimento à Procuradoria de Milão, Jannone revelou ainda os atritos que teve com Luís Demarco e Marcelo Elias quando os pagamentos da dupla começaram a atrasar. Num dos trechos, ele disse que Demarco chegou a telefonar várias vezes para Giorgio della Seta, ex-presidente da Pirelli, cobrando sua parte. Em outro, disse que foi agredido verbalmente por Elias no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, em 2005. Elias teria dito que “Demarco era estranho, mas não criava problemas”. Jannone retrucou dizendo que ninguém foi pago para “criar ou deixar de criar problemas”.

Em relação aos pagamentos, Elias já admitiu à Folha de S. Paulo que prestou uma consultoria à Telecom Italia, mas disse que o valor foi de US$ 250 mil. Documentos secretos da Justiça italiana, como o depoimento de Jannone, também ajudam a entender a troca recente de todo o comando na Polícia Federal. Em dezembro de 2006, quando já sabia que seria nomeado ministro da Justiça, Tarso Genro fez uma viagem sigilosa à Itália com uma missão específica: recolher informações sobre as investigações referentes à Telecom Italia e avaliar os possíveis impactos no Brasil. Genro teve acesso a vários documentos e, logo que assumiu o Ministério, em março deste ano, tentou substituir Paulo Lacerda por um nome de sua confiança. O ministro, porém, adiou a decisão em várias ocasiões em função de conflitos internos na PF. Foi só há duas semanas que ele conseguiu emplacar Luiz Fernando Corrêa no cargo.

Em contrapartida, porém, Lacerda foi para a Abin e Romeu Tuma Júnior foi nomeado secretário Nacional de Justiça. Depois dessa troca de cadeiras, há hoje um claro antagonismo entre o novo comando da Polícia Federal e a ala do governo que permanece ligada à família Tuma. É uma nova guerra, que se trava nos bastidores do poder, e que ainda pode causar muita confusão.

O agente italiano Angelo Jannone prestou depoimento à Procuradoria de Milão em setembro de 2006. Nele, revelou que contratou o empresário Luís Demarco (ex-funcionário do Opportunity) como consultor por US$ 500 mil porque ele mantinha boas relações com fundos de pensão estatais e com profissionais da mídia brasileira. Além disso, interessava à Telecom Italia o fato de Demarco ser parte numa ação contra o Opportunity na Justiça das Ilhas Cayman. No mesmo depoimento, Jannone revela atritos que teve com Demarco e com seu sócio Marcelo Elias quando os pagamentos começaram a atrasar.

No depoimento prestado à Justiça italiana, o agente secreto Angelo Jannone revelou um telefonema “estranho” que recebeu de Mauro Marcelo, ex-chefe da Agência Brasileira de Inteligência, a Abin. Marcelo queria que Jannone se “comportasse bem” diante de seu amigo Lacerda, um detetive particular de São Paulo que prestava serviços à TIM. Jannone se sentiu pressionado e contou aos procuradores italianos que pensou em denunciar os dois.

De acordo com o depoimento, o ex-deputado federal Robson Tuma, foi levado ao agente da Telecom Italia pelas mãos do detetive particular Eloy Lacerda. No encontro, segundo Angelo Jannone, Tuma disse manter boas relações com a TIM, que havia assumido o compromisso de fazer um callcenter no seu reduto eleitoral. Mauro Marcelo, da Abin, teria pedido patrocínio para uma “cidade cenográfica”, onde agentes da polícia e do serviço secreto

Sócios ocultos

Na sexta-feira 14, às 12h30, o executivo italiano Ângelo Jannone confirmou à DINHEIRO que prestou depoimento à Procuradoria de Milão no dia 14 de setembro de 2006. Jannone disse ainda que as histórias narradas no documento em poder da revista DINHEIRO são verdadeiras.

Ele relata que chegou ao Brasil em 2004 para o lugar de Marco Bonera, que chefiava a área de segurança da Telecom Italia. Naquele momento, vários contratos foram "herdados" da era Bonera, como o do detetive Eloy Lacerda e o da dupla Luís Demarco-Marcelo Elias, que eram feitos por meio de contabilidade paralela da empresa italiana.

No primeiro momento, a contratação de Demarco lhe pareceu adequada. "Era a única pessoa capaz de enfrentar Daniel Dantas", disse Jannone à DINHEIRO. Segundo o executivo, a Telecom Italia financiava gastos de Demarco com advogados, nas várias ações que ele movia contra o Opportunity. Jannone também confirmou à DINHEIRO as pressões que sofreu do detetive Eloy Lacerda em favor de Mauro Marcelo, da Abin. "Fiquei muito preocupado e cheguei a suspeitar que ele e Mauro Marcelo fossem sócios ocultos."

Mentiras dos dois lados

Apesar disso, ele garante que a Abin não foi corrompida pela Telecom Italia para atuar na Operação Chacal, feita contra o Opportuniy. Quanto à contratação do ex-policial federal Álvaro, supostamente ligado à cúpula da Polícia Federal, Jannone diz que ele fez “trabalhos legais”. O executivo italiano, que hoje é réu no processo que corre em Milão, começou a escrever um livro sobre tudo aquilo que viveu no Brasil. Já fez dois capítulos. É um romance de espionagem, com fundo real e alguns nomes trocados, que começa com a sua chegada ao Rio de Janeiro. “Há muitas mentiras nessa história, contadas pelos dois lados.”

Araponga privado

O detetive particular Eloy Lacerda prestava serviços de inteligência à Pirelli e à Telecom Italia. No depoimento à Justiça italiana, Jannone disse que foi pressionado por Lacerda em função de pagamentos atrasados e fez desabafos a um de seus consultores em Brasília: o jornalista Pedro Rogério Moreira, que recebeu US$ 10 mil mensais durante dois anos. Jannone disse que temia o risco de um “acordo de corrupção” com Mauro Marcelo, que àquela época ainda chefiava a Abin.

Conexões escusas

A Justiça da Suíça quebrou, em outubro de 2006, o sigilo bancário das contas de vários espiões da Telecom Italia. Entre eles, o agente Marco Bernardini, que tinha conta no Credit Suisse e fez depósitos nas contas de Marcelo Elias, um consultor dos italianos, e da JR Assessoria, empresa que seria ligada à cúpula da Polícia Federal.

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Revista Consultor Jurídico, 17 de setembro de 2007, 9h39

Comentários de leitores

7 comentários

Perguntar não ofende! E o mais ilustre dos Ro...

Tadu (Auditor Fiscal)

Perguntar não ofende! E o mais ilustre dos Ronaldinhos fica aonde neste imbróglio da Brasil Telecom? Sobre a reportagem do Sr Fernando Barros de Mello, da Folha: Este artigo que o Sr Richard Smith enviou demonstra como está o Brasil desta nova oligarquia. A culpa desta situação é dos excelentíssimos senhores demagogos, quando aceitaram permitir, num ato populista odioso, numa falta de patriotismo repulsiva e numa demonstração de devoção exclusiva aos interesses próprios, o voto do analfabeto. Hoje sua grande maioria torce as duas “oreias” e não sai sangue.

Espionagem, telefonia, italianos, detetives e e...

futuka (Consultor)

Espionagem, telefonia, italianos, detetives e ex- ..enfim partidos políticos em geral,imprensa "colorida" tudo faz parte de uma política, inclusive o Pt. Qual é a dúvida(??)..onde houver um "crime detectado" (mesmo que pela imprensa) e processado pelas autoridades legais haverá da nossa Justiça o seu pronunciamento através de uma sentença por certo, ou não!

Avante PF! Toda a grita e toda nebulosidade ...

Armando do Prado (Professor)

Avante PF! Toda a grita e toda nebulosidade é para propiciar que a caravana de ilícitos passe desapercebida.

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