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Exame da desordem

Advogados pedem à OAB-DF afastamento de seu vice-presidente

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CW– O gabarito das provas vazava antes da realização do exame? P.A - Quem elabora a prova é o membro da banca examinadora de cada área. E quem revisa a prova é membro da comissão. Esse tem um prazo “x” para analisar a prova elaborada pelo examinador, já com o gabarito. Ele leva a prova para uma reunião, presidida pelo doutor Thompson (Paulo Roberto Thompson, vice-presidente da OAB-DF), para que seja analisado cada aspecto da prova. Então, quando eu encaminhava minhas questões, automaticamente encaminhava o meu gabarito, e assim todos os examinadores faziam o mesmo, dias antes das provas.

CW – Em sua visão, as provas já encaminhadas ao Ministério Público Federal são suficientes para comprovar as fraudes?

P.A - O que a OAB entregou foram as provas de 2004 e 2005. E quando acabou a chamada investigação interna, ela encaminhou as provas de 2005 e 2006, mas acompanhada de nenhum outro documento, como ata de registro para saber o que aconteceu, quem foi fiscal de determinada sala. Foi isso que motivou o mandado de busca e apreensão (que permitiu a apreensão dos documentos; decisão mais tarde revogada). Sem esse material, não é possível saber se a letra do candidato não corresponde ao que está na prova e o que houve com os cartões trocados. As listas de presença também não foram encaminhadas. Então, a investigação está parada.

CW – Qual é sua sensação por ter sido cúmplice de todo o esquema?

P.A - Hoje, meu sentimento maior é de total arrependimento, por achar que todo esse prestígio (ser da banca examinadora) me permitiria ficar bem na sociedade e desmerecendo todo o mérito que eu já havia conquistado antes de assumir essa função. No fim das contas, tudo está custando muito caro.

CW- A presidência da OAB-DF alega que suas afirmações não têm o menor valor por você ter confessado participação na fraude. Você concorda com isso?

P.A - Em partes sim. As minhas declarações por si só não têm valor. Até o momento, eu tenho apenas minhas declarações e provas que foram encaminhadas para a perícia. É só uma suspeita a mais. Agora, que é um indício muito forte, isso sim. Se não fosse, o próprio juiz não teria determinado a busca e apreensão.

CW – Mas nada ainda foi provado. Você não teme que todas essas acusações fiquem em vão?

P.A - Já foi verificado pelos procuradores que cuidam do caso que a fraude existe em outras áreas. Isso quer dizer também que eu realizava irregularidade nas provas de outras áreas? Então esse esquema, que dizem ser da professora Priscilla, não acontecia somente na área de Direito Penal. Se é assim, não é possível que outros examinadores também não tenham atendiam pedidos. Eu já apontei nomes e tudo está sendo investigado. Por isso, tenho essa certeza que ficará comprovado.”




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 é repórter da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 15 de setembro de 2007, 16h36

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