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Exame da desordem

Advogados pedem à OAB-DF afastamento de seu vice-presidente

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FACULDADES NEGAM ENVOLVIMENTO EM FRAUDES NA OAB-DF

O Correioweb conversou com a ex-professora e obteve detalhes sobre as etapas das supostas fraudes. Ela refuta que a irregularidade era pontual, acontecendo apenas nas provas de direito penal, conforme alega a OAB/DF. Priscilla sustenta que cartões de respostas eram adulterados, possibilitando assim que candidatos passassem para a segunda fase do exame (prova subjetiva) com nota abaixo da exigida. Segundo ela, o esquema abrangia também faculdades particulares de direito, que visavam o primeiro lugar no ranking de aprovação no exame. O objetivo, segundo ela, era atrair novos alunos.

Afastada da vida social desde o início das investigações, a ex-professora diz estar arrependida por ter participado das fraudes. Entre os 55 nomes apontados para o MPF por Priscilla, estão o da presidente OAB/DF, Estefânia Viveiros, e do vice, Paulo Roberto Thompson como supostos envolvidos no esquema. Segundo ela, as acusações renderam-lhe ameaças, que resultaram na solicitação de escolta policial para preservar sua segurança.

CONFIRA ENTREVISTA

CorreioWeb- Qual é seu interesse em revelar como funcionava o esquema?

Priscilla de Almeida - O interesse maior é para ficar claro que o examinador, no caso eu, não era a detentora desse poder todo da fraude. Que isso vinha lá de cima, e que não era pontual. A forma que tenho hoje de tentar me redimir é contando. Contar exatamente como acontecia, falar da minha participação e aí aguardar que o judiciário decida o que for possível fazer diante dessa colaboração.

CW – Como funcionava o esquema nas provas que você corrigia? P.A - Quando eu recebia as provas, era indicado, no verso, alguns números de candidatos que eu deveria dar a aprovação de imediato, mesmo não tendo pontos suficientes. Em algumas provas, era até mesmo indicada a menção que eu deveria atribuir. Na lista, constava o número dos candidatos, com um asterisco ou nome da faculdade. Isso acontecia também em outras áreas da prova, pois, quando eu ia devolver os exames na sede da OAB, essas mesmas listas estavam sendo conferidas pela secretária da comissão e outros funcionários. Eles verificavam se os examinadores já haviam atendido às solicitações.

CW – Em seu depoimento, você fala que havia envolvimento de faculdades particulares? Como você tomou conhecimento disso?

P.A – Em algumas das listas encaminhadas para mim, depois de serem apontados os candidatos com asteriscos, era destacado o nome da instituição. Somente depois eu tomei conhecimento que havia um acordo entre algumas instituições de ensino particular para que não mais o Uniceub ficasse em primeiro lugar. Houvesse então um rodízio. E isso acabou acontecendo de fato. O único documento que eu tenho que prova isso está em poder do Ministério Público (Federal), que é uma lista já na fase recursal solicitando que eu teria que aprovar candidatos da UniDF para ela ficar, no terceiro exame de 2006, em primeiro lugar. Esse rodízio entre as faculdades particulares realmente existia e a UniDF acabou ficando em primeiro lugar.

CW– Você diz também que as fraudes aconteciam em várias etapas do exame. Como era na fase objetiva?

P.A- Os candidatos com a pontuação abaixo da exigida (50 pontos) eram encaminhados para a segunda fase (subjetiva), mesmo sem ter alcançado o mínimo previsto. Alguns cartões das provas objetivas já chegavam separados para serem lidos na máquina. A apuração de todos os cartões ocorria durante a tarde de domingo. Mas alguns deles não eram lidos por problema de duplicidade, inscrição ou preenchimento errado. Esses ficavam separados e eram lidos somente no dia seguinte, na segunda-feira. Então, era possível candidatos serem reprovados inicialmente no domingo, mas aprovados na segunda-feira, quando alguns cartões eram relidos e modificados. Isso eu pude presenciar, não só uma vez, mas várias vezes.




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Revista Consultor Jurídico, 15 de setembro de 2007, 16h36

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