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PM intima diretor de Tropa de Elite. Governador diz para ignorar

O diretor do filme Tropa de Elite, José Padilha, e o ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) Rodrigo Pimentel, co-roteirista do longa-metragem e um dos autores do livro que o inspirou, foram intimados pela Polícia Militar a prestar depoimento como testemunha em um Inquérito Policial Militar aberto pela corregedoria da corporação. O inquérito foi aberto no mês passado para apurar a participação de soldados do Bope e o uso de recursos materiais da polícia, como armas e fardas, nas filmagens de Tropa.

Padilha não quis comentar a intimação. Em nota, a Zazen, produtora do filme, informou que o diretor vai ignorar a intimação seguindo orientação que ouviu pessoalmente do governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB). A assessoria do governador confirmou que ele orientou Padilha a não comparecer por considerar a intimação "uma inibição despropositada".

Pimentel também teria faltado à primeira data marcada para o depoimento, que foi remarcado. Ele negou que a produção do filme tenha usado munição e armas do governo estadual e afirmou que se encontraria ontem com o comandante da PM, coronel Ubiratan Ângelo.

A Polícia Militar e a Secretaria de Segurança do Rio não quiseram fornecer detalhes sobre a investigação interna, que foi aberta pelo corregedor, coronel Paulo Ricardo Paúl, a partir da denúncia de um oficial da própria PM. O setor de relações-públicas da PM informou que Paúl não daria entrevista sobre o assunto. O coronel Pinheiro Neto, comandante do Bope, também foi convocado a prestar declarações e já prestou depoimento. Procurado pelo Estado, ele não quis comentar a denúncia.

O governador divergiu da PM porque não vê cabimento numa investigação que questiona a transferência de informações do Bope para os produtores do filme ou especula sobre a utilização de material público. No entanto, sua assessoria não soube informar se ele intervirá pelo arquivamento do IPM.

com Agência Estado

Revista Consultor Jurídico, 12 de outubro de 2007, 13h15

Comentários de leitores

11 comentários

A irritante mania de atacar tropas instituciona...

Sandra Paulino (Advogado Autônomo)

A irritante mania de atacar tropas institucionais uniformizadas, é tão ruinosa quanto aquela que confunde "administrado" com "civil" e, para melhorar o grau de esclarecimento em ambos os lados, só mesmo um exemplar do CPPM. O Cmt da PM carioca sabe muito bem que deveria ter mandado "convite" aos civis. Aos seus subordinados, em qquer grau de hierarquia, ele determina "apresentação" mediante ofício a cada unidade. Aos civis ele não determina NADA, absolutamente NADA. Por isso, duvido que tenha, de fato, mandado INTIMAÇÃO, pq seria assinar um atestado oficial de incompetência. O Governador deveria, para dizer o mínimo, ter a delicadeza de chamar em particular o Cmt e informar-se acerca de eventual "erro de mensagem", aquele conhecido eufemismo usado para "aliviar" a responsabilidade do chefe que errou de propósito. Como queria estar na ribalta, desautorizou alguém que lhe responde sob hierarquia. Fácil. Como diz a moçada: "bico". Queria ver ele desautorizar alguém superior a ele em poder. Generalizar, como é sabido, é outro erro indesculpável, portanto, é, no mínimo, leviandade, dizer que todas as polícias não prestam, todo militar é torturador. Quando escuto essas bobagens fico pensando se estou diante de enorme má-fé cuja intenção é escondida, ou de uma máscara que acoberta covardia. As três únicas instituições policiais que existem no país (militar, civil e federal), têm, como todas as demais instituições, pessoas de induvidosa seriedade e moral. Nelas, infelizmente, também existe muito matéria orgânica encaixada sobre ossos, que só falta entrar em decomposição para ser enterrada. Para sermos considerados "humanos" temos que desenvolver outro tipo de atributo e habilidades, além daquelas meramente fisiológicas. Vergonha na cara já é um bom começo.

O Rio de Janeiro é um mundo à parte! Par...

Richard Smith (Consultor)

O Rio de Janeiro é um mundo à parte! Parece aquele "mundo bizarro" dos antigos gibis do Super-Homem, aonde o super-herói ia cair de quando em quando e no qual tudo era invertido (rato corria atrás de gato, gato atrás de cachorro e por aí em diante). O zé-mané da PM não tem poder para intimar ninguém, isso é atribuição da Polícia Judiciária ou no âmbito de um IPM na Justiça Militar. Agora, o governador "aconselhador", não é o chefe da PM?! Taqueu, é tudo virado mesmo. Arre!

O filme é muito bom e mostra quem são os filhin...

paulo (Advogado da União)

O filme é muito bom e mostra quem são os filhinhos de papai que financiam o narcotráfico e a hipocrisia das passeatas de protestos quando morre um vagabundo desses. A atitude da PM do Rio é uma piada. Enquanto a corrupção e o envolvimento dos policiais com o jogo clandestino e os traficantes corre à solta, eles abrem um inquérito para apurar repasse de informações e uso de material da tropa. É aquela historia do condenado a guilhotina, preocupando-se em fazer a barba...

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