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República em crise

Renan Calheiros se licencia da Presidência do Senado

O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) pediu licença de 45 dias da Presidência do Senado. O anúncio foi feito em pronunciamento transmitido pela TV Senado. A saída acontece 139 dias depois do começo da crise e sob muita pressão. No discurso, Renan afirmou que quer preservar a harmonia do Senado e evitar constrangimentos entres os senadores.

Negando as acusações que pairam sobre ele, Renan declarou: “agindo assim, afasto de uma vez por todas o mais injusto pretexto para dar corpo às representações, enviadas sem qualquer indício ou prova ao Conselho de Ética. Com esse gesto, preservo a harmonia do Senado Federal, deixo claro o meu respeito aos interesses pelo país”.

“O poder é transitório, enquanto a honra é poder permanente que não sacrifico em nome de nada”, disse. O senador continua no mandato parlamentar, mas não preside a Casa. O substituto natural é Tião Viana (PT-AC), o primeiro vice-presidente do Senado.

Renan ainda responde a três processos no Conselho de Ética e pode responder ao quarto, caso a Mesa Diretora decida encaminhar a representação. No dia 12 de setembro, o presidente licenciado do Senado foi absolvido da primeira acusação contra ele, de que teve despesas pessoais pagas por um lobista ligado à construtora Mendes Júnior.

A segunda representação trata de suposto beneficiamento à cervejaria Schincariol, tem como relator o senador João Pedro (PT-AM). Na última quarta, o senador Jéfferson Peres (PDT-AM) foi designando para relatar o terceiro processo contra Renan, que o acusa de ter utilizado “laranjas” para comprar emissoras de rádio em Alagoas.

A quarta representação, sobre um esquema de arrecadação de dinheiro em ministérios comandados pelo PMDB, será relatada pelo senador Almeida Lima (PMDB-SE), fiel aliado de Renan. O presidente licenciado ainda pode responder a um quinto processo, que já está na Mesa do Senado, mas ainda não foi encaminhado para o Conselho de Ética. Ele trata da denúncia de que Renan estaria por trás de um esquema de espionagem dos senadores Demóstenes Torres (DEM-GO) e Marconi Perillo (PSDB-GO).




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Revista Consultor Jurídico, 11 de outubro de 2007, 19h49

Comentários de leitores

12 comentários

Realmente, nosso Senado envergonha nosso povo. ...

Miguel Godinho Bastida (Estudante de Direito)

Realmente, nosso Senado envergonha nosso povo. É inconcebível que uma Casa Legislativa Representativa dos Estados, como é o caso do Senado Federal Brasileiro, continue a ser presidida por um indivíduo da estirpe de Renan Calheiros. Em qualquer país do mundo, fatos menos relevantes, comparados aos que vimos estampados nos veículos de informação, simplesmente, provocariam a renúncia expontânea e imediata do titular do cargo. Mas, aqui neste Brasil varonil, o 'sujeito' saiu de uma interpelação ovacionado pelos seus pares. E os que apoiavam sua condenação ficaram com fisionomia de quem não acreditava no que estava vendo. Sinceramente, devemos repensar o Sistema Bicameral Legislativo Federal Brasileiro, na ocasião de uma nova Constituinte, porque, lamentavelmente, a cada dia somos surpreendidos com novas armações escabrosas advindas do Senado Federal. Peço desculpas, por este comentário, aos Senadores que fazem questão de honrar tal Casa Legislativa, e eles existem, quero crer eu.

Caro Eduardo Hammer!! Concordo plenamente com ...

antonio costa17 (Contabilista)

Caro Eduardo Hammer!! Concordo plenamente com seus comentarios, mas gostria de lembrar, que devemos creditar ao pessimo curriculo desse Sr. o grande desservico prestado no que tange as suas atitudes, que diga-se que foram nehuma, no que se referiu ao periodo da Crise da Varig, o que muito colaborou para nao so o desregulamento total do setor aero, incluindo o enorme fator de ordem Social, criado com o aumento do desemprego e a perda dos Direitos Adquiridos dos Aposentados e Pensionistas da Antig Varig.

A "pistoleira" está ganhando, porque ter "casos...

A.G. Moreira (Consultor)

A "pistoleira" está ganhando, porque ter "casos", fora do casamento, é um "escândalo", jamais visto no Senado Federal !!! Os "monásticos" senadores, acusadores de Renan e a "imprensa" (denominada opinião pública), concluiram que isto é EXCLUSIVIDADE do senador Renan !!! Usar de sua "influência política" para ajudar amigos, financiadores de campanhas políticas , etc., também, nunca se viu, no Senado da República !!!

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