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Opinião tarifada

Justiça absolve ataques de Mainardi a Paulo Henrique Amorim

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O conhecido jornalista Paulo Henrique Amorim usa seus espaços na imprensa para defender interesses privados e fazer propaganda do governo. Ele está na linha descendente de sua carreira e se engajou na batalha comercial do lulismo contra Daniel Dantas, recebendo 80 mil reais por mês pela tarefa.

Levada ao crivo da Justiça, essa caracterização não foi considerada ofensiva, deturpada ou inverídica. Em ação movida por Amorim contra o jornalista Diogo Mainardi e contra a revista Veja, o juiz Manoel Luiz Ribeiro, da 3ª Vara Cível de Pinheiros, na capital paulista, disse que o artigo de Mainardi revelando a conduta de Amorim atendeu o interesse público. O empresário não conseguiu a indenização por dano moral que pretendia, mas ainda pode recorrer. A vitória foi obtida por Alexandre Fidalgo e Thais Matos do escritório Lourival J. Santos.

Paulo Henrique Amorim — com profissionais da sua estatura e objetivos — estão enredados em outros conflitos e são alvos de acusações parecidas. Duas semanas atrás, este site divulgou entrevista de Luciane Araújo, testemunha em processo que corre em Milão. Amorim está em uma lista de pessoas contratadas para afastar Daniel Dantas do comando da Brasil Telecom. Dantas foi incinerado e Amorim contratado pelo portal da operadora adversária do dono do Opportunity, o iG, por uma alta soma.

Evidentemente, se conseguisse, Dantas afastaria seus adversários da mesma forma. O mundo dos negócios é inclemente. Mas o que saiu do padrão no caso não foi a agressividade típica de acionistas e investidores concorrentes. O que impressiona é o envolvimento direto do governo, com a mobilização da Polícia Federal e da Abin; deputados, senadores; pelo menos um representante do Ministério Público e jornalistas — atores que, em tese, têm outros papéis no contrato social.

A investigação de Milão foi aberta porque os italianos queriam a Brasil Telecom para eles. Gastaram uma fortuna com uma rede de colaboradores camuflados, mas não atingiram o objetivo. Agora, os acionistas da operadora querem seu dinheiro de volta e responsabilizar quem se beneficiou com os esquemas.

O cenário, na ocasião, era uma briga de foice. Acionistas de teles disputavam o bilionário mercado de telefonia que se abriu com a privatização. Cada concorrente eliminado poderia representar alguns bilhões a mais na carteira do algoz. O banqueiro Daniel Dantas era a maior ameaça, por ser um adversário perigoso e por ter, à época, a retaguarda do maior banco do mundo: o Citibank. Era preciso desbancá-lo antes que ele fizesse o mesmo com os adversários. Fez-se o mutirão. A tática: usar a má-fama do banqueiro para atribuir a ele todo tipo de falcatrua.

O material produzido pelo jornalista era festejado quando chegava à Itália, conta Luciane Araújo, contratada como tradutora por uma empresa de segurança que prestou serviços à Telecom Italia: “Quem tem o Paulo Henrique Amorim não precisa de mais ninguém”, costumava dizer o chefe de operações clandestinas da Telecom Italia, Marco Bernardini. Procurado, o empresário-jornalista não quis se manifestar.

Quem coordenava os colaboradores brasileiros da disputa era o empresário Luís Roberto Demarco, criador das Lojinhas Virtuais do PT, um esquema de arrecadação partidária que ajudou a eleger Lula. Pela apuração feita na Itália, Demarco recebeu pelo menos 500 mil dólares dos espiões da Telecom Italia. Essa receita não foi declarada no Brasil. Demarco é sócio de Amorim em um projeto comercial batizado de “Brasil Limpo”. A idéia é financiar jornalistas que queiram escrever livros para eles.

Os fundos de pensão dominados pelo PT tomaram a Brasil Telecom e se associaram a seus antigos adversários do Citibank. Os italianos sobraram. Foram deserdados pelos petistas. Paulo Henrique Amorim continuou em ação. Segundo os defensores de Dantas, Amorim e seus parceiros têm a incumbência de produzir notícias às vésperas de cada julgamento que o banqueiro enfrenta nas dezenas de tribunais em que mantém ações, como acusador ou como acusado.

Poucos dias atrás, Amorim descreveu à Folha de S.Paulo como pratica seu jornalismo: "Quando a gente senta no computador para escrever, é como se estivesse apertando aqueles botões que disparam mísseis", disse ele, referindo-se a seu trabalho. "Cada vírgula minha tem um alvo", completa, dizendo que a sua atuação "é um exercício de pancadaria verbal, de pancadaria ideológica".

Diante de decisões judiciais que não favoreceram o governo nos últimos meses, ele passou a questionar a honestidade de ministros do Supremo Tribunal Federal e a defender o fechamento da TV Justiça. “STF, seu outro nome é impunidade”, foi o título de um de seus textos. Para prejudicar o ministro Gilmar Mendes, Amorim divulgou que o integrante do STF fora mencionado em um grampo comprometedor. A degravação em que ele se baseou deixava claro que não se tratava de Mendes. O erro de informação, contudo, não foi corrigido até hoje.

 é diretor da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 26 de novembro de 2007, 13h20

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