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Troféu abacaxi

Promotor de eventos cobra na Justiça premiados inadimplentes

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O promotor de eventos Norberto Gauer, responsável pelos prêmios “Melhores da Advocacia” e “Melhores da Medicina”, além de distribuir comendas, está se notabilizando por distribuir ações contra seus eventuais homenageados.

Os prêmios de Gauer são conferidos a quem se dispõe a contribuir financeiramente com o promotor para receber a honraria. As ações de Gauer são dirigidas contra os que se recusam a pagar para serem premiados.

Só no Juizado Especial Cível de Porto Alegre, Gauer é autor de 15 processos em tramitação. Neles, o promotor de eventos reclama dos médicos que se recusaram a pagar pelo prêmio Melhores da Medicina. O valor da premiação, travestido em compra de convites, é de R$ 1,1 mil, na maioria dos casos.

No Juizado de Porto Alegre, já há pelo menos quatro decisões desfavoráveis a Gauer. Nelas, os juízes colocam em dúvida a credibilidade do prêmio e também questionam a validade dos contratos firmados entre premiados e premiador.

Nas decisões, os juízes explicam que os premiados receberam a comunicação da homenagem junto com um login e senha para acessar o site da premiação. Lá, teriam se comprometido a pagar pelos convites para receber o prêmio. No entanto, os juízes consideraram que esses contratos eletrônicos não são válidos e negaram os pedidos de Gauer.

“É incontroverso que o plano ofertado remete à verdadeira armadilha, utilizada através de meio eletrônico, onde o profissional atraído não tem condições, em acessando o site mediante o uso de login e senha de não cair na rede do estipulante”, diz uma das decisões. Os prêmios de Gauer já foram descritos na Justiça como “verdadeira busca mercantil de ganho, sem o mínimo critério de valores” ou, simplesmente, de “troféu abacaxi”.

Em Mato Grosso do Sul, Norberto Gauer conseguiu, pelo menos por enquanto, se sair bem. O cardiologista Délcio Gonçalves da Silva Júnior, homenageado em 2003, assinou o contrato para pagar R$ 1.120 pelos convites e, assim, receber o prêmio. Ao se dar conta do que tinha feito tentou voltar atrás. Na Justiça, a primeira instância determinou que ele pague, já que assinou o contrato sabendo das condições.

Advocacia cara

Para os advogados, o valor que Gauer cobra pela homenagem é mais caro. Aqueles escolhidos para receber o Melhores da Advocacia têm de pagar em dólar. São US$ 1,8 mil para a “organização do evento de premiação”.

No ano passado, Gauer não rompeu com a tradição do Melhores da Advocacia. Promoveu, em agosto, no Hotel Transamérica, na cidade de São Paulo, a premiação dos ditos advogados destacados, como faz desde 2002. Em 2006, mudou apenas um detalhe: retirou a preposição do nome oficial do prêmio e passou a chamá-lo Melhores Advocacia.

O site sobre a premiação de 2006 diz que os advogados homenageados são escolhidos “através de um trabalhoso e autêntico processo conduzido de forma e imparcial (sic)”.

São enumerados os seguintes critérios: “a conduta ética do profissional, a qualidade inequívoca de seu trabalho, seu crescimento e seu envolvimento dentro da classe jurídica, seus feitos relevantes, seu comprometimento com a justiça e com o bem-estar da sociedade em que atua”.

Foram por meio desses critérios “internacionalmente reconhecidos” que um estagiário do advogado Reinaldo de Almeida Fernandes foi escolhido como um dos maiores advogados do país. Fernandes relatou o caso à OAB e sofreu um processo de Gauer, que pedia indenização de R$ 14 mil. Em 16 de outubro, o pedido de Gauer foi negado. Ele não recorreu e o processo já transitou em julgado.

Gauer acusou Fernandes de ter difamado publicamente o evento e narrado fato inverídico. Tudo por conta do estagiário premiado. Na Justiça, Gauer também processou a Consultor Jurídico, por questionar os misteriosos critérios da premiação. A mesma premiação que Gauer defende como criteriosa já foi considerada mercantilista pelo Tribunal de Ética da OAB de São Paulo logo na sua primeira edição.

Em 2006, a organização do prêmio distribuiu nota à imprensa sobre a festa de entrega dos troféus, informando também que o evento foi apoiado pelo “Grupo Bandeirantes de Comunicação, Rede Record de Televisão, Revista Quem, Jornal Estado de São Paulo e Jornal do Brasil”. A revista Quem e o jornal O Estado de S. Paulo negaram o apoio.

Na internet, Gauer ainda possui os domínios Melhores da Odontologia, Melhores da TV, Personalidade Feminina, entre outros.

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 3 de novembro de 2007, 0h01

Comentários de leitores

3 comentários

Pelo amor de Deus, essas pessoas não estão ganh...

EduardoMartins (Outros)

Pelo amor de Deus, essas pessoas não estão ganhando nada, estão comprando uma homenagem para si mesmos! Ridículo! Nem critério técnico tem...

Um profissional que trabalha anos a fio, tem re...

OpusDei (Advogado Autônomo)

Um profissional que trabalha anos a fio, tem reputação ilibada, é detentor de uma notável carteira de clientes, tem qualificação, é respeitado... merece uma premiação, merece o reconhecimento PÚBLICO sim pelo que fez em anos a fio. Reconheço sim que o prêmio em comento é pago, muitas vezes pago por pessoas acima retratadas, que por não verem outra forma de terem sua trajetória reconhecida pagam, mas só pagam (e pagam bem) porque um órgão idôneo não toma para si a possibilidade de premia-los. Na cegueira de quem deveria fazê-lo, um senhor com espírito "mercantilista" abriu os olhos e o fez. A questão não é desonrar o título em si, mas quem o outorga. Portanto, por quê não um órgão idôneo não toma para si a tarefa de premiar sim os "melhores"? Isso é saudável sob todos os aspectos, medíocres que não gostam de premiação, pois assim se tornam iguais entre os melhores, que no fundo, não se sentem confortáveis entre os medíocres. Gauer foi experto, e lucrou com isso. Bobos são os que deveriam ter feito o que Gauer fez e não o fizeram por puro 'medo' (!). (PS: recebi o convite e o recusei em idos de 2004, portanto, me sinto legitimado a tecer o comentário supra).

Sempre fui contra essa história de melhor nis...

Dijalma Lacerda (Advogado Sócio de Escritório - Civil)

Sempre fui contra essa história de melhor nisso, melhor naquilo, e continuo sendo. Quem tem que aferir a profîciência e a capacidade técnico-científica de cada um é o seu "consumidor", e o tempo também cuidará, sempre, de fazer Justiça aos melhores. Não é só esse tal de "troféu abacaxi" que deve merecer as execrantes atenções, já que existem outros vários "troféus", que amiúde surgem por aí, e que, igualmente, não passam de culto à personalidade com inescondidas vantagens econômicas a favor de quem os instituiu e os organiza. Não há como, nesses casos, por mais capacitado que seja o "ganhador", de livrá-lo da interpretação, que logo vem, de que seu reconhecimento foi comprado. Tem sido por tais razões que muitos excelentes profissionais nem sequer são mencionados, e outros, quase medíocres, antes ilustres desconhecidos, ganham as páginas e páginas de duvidosas publicações. Enfim, cada um tem o que merece. Quem não tem, compra.

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