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Direito da concorrência

Pepsi questiona compra da empresa Leão pela Coca-Cola

A Pepsi recorreu à Secretaria de Direito Econômico, do Ministério da Justiça, para questionar a operação de compra da empresa Leão Júnior, dona da marca de chás Matte Leão, pela Coca-Cola. A informação é do jornal O Estado de S. Paulo.

Com essa aquisição, anunciada há uma semana, a Coca passará a deter uma participação de cerca de 70% do mercado de chás prontos para beber. A Pepsi, que comercializa a marca Lipton, da Unilever, é a segunda colocada nesse mercado, com 24,7%.

“Como competidor, quero entender como foram feitas as análises de mercado envolvidas nesse processo”, diz José Talarico, vice-presidente jurídico da Pepsi para o Brasil e América Latina. “Do nosso ponto de vista, haverá alta concentração de mercado, o que é ruim para o segmento de chás em si e péssimo para o consumidor, que poderá vir a ser prejudicado por preços maiores no futuro, devido à falta de concorrência”.

No processo encaminhado aos órgãos de defesa da concorrência — a SDE, que faz análise jurídica, a Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae), que faz análise econômica, e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que julga a concentração de mercado —, a Coca-Cola alega que essa compra vai acrescer apenas 1% de participação ao seu portfólio de bebidas não alcoólicas.

Na opinião de Talarico é exatamente aí que mora o perigo. “Quem quer tomar chá, não vai beber refrigerante ou sucos”, argumenta. Logo, para ele, haverá sim concentração. “Quero entender esse índice de 1% que a Coca usa na sua argumentação. Eles dizem que vão expandir o mercado de bebidas não alcoólicas. Mas vão mesmo é promover concentração no mercado de chá prontos para beber”, diz.

No Brasil, o mercado de chás prontos para beber ainda é pequeno. Movimenta algo em torno de R$ 150 milhões por ano, mas tem revelado potencial de crescimento. Segundo a consultoria Euromonitor, esse segmento cresceu 9,5%, em média, na última década, enquanto o de refrigerantes, bem mais maduro, teve alta de 2,4%. Há pouco mais de dois anos a Coca-Cola mundial vem expandindo seu portifólio para além dos refrigerantes. A compra da Leão Junior dá continuidade à diversificação da linha de produtos.

Revista Consultor Jurídico, 30 de março de 2007, 13h30

Comentários de leitores

3 comentários

Fica nítido que a Coca Cola estará não só promo...

ctravassos (Advogado Associado a Escritório - Empresarial)

Fica nítido que a Coca Cola estará não só promovendo concentração de mercado na categoria de chás ready to drink, mas também utilizará este segmento como instrumento para "locomover-se" na categoria de refrigerantes.

O porque não houve a intervenção do mercado, qu...

Zito (Consultor)

O porque não houve a intervenção do mercado, quando Brahma comprou a antarctica.

Parece uma tarefa inglória querer impedir, por ...

Embira (Advogado Autônomo - Civil)

Parece uma tarefa inglória querer impedir, por meios legais, a formação de grandes conglomerados empresarias, com a conseqüente fragilização da concorrência. A cada dia surgem novos setores em que a concorrência claudica: fala-se na aquisição da Livraria Siciliano pela Saraiva; a Gol acaba de adquirir a Varig. Concorrência vai se tornando, cada vez mais, um mero conceito. Na questão dos livros, não sei o que justifica os preços tão altos. Décadas atrás os livros eram vendidos de porta em porta, em coleções encadernadas e a preços módicos. Com todos os recursos tecnológicos atuais, como a editoração eletrônica, a facilidade de revisão, formatação e correção de textos, tudo levava a crer que o preço baixaria, quando na verdade ocorreu o contrário. Acrescente-se a isso que o livro goza de imunidade tributária.

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