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Apagão aéreo

Controladores suspendem greve e aeroportos voltam a operar

Por volta das 18h50, os controladores de vôo comunicaram às chefias do Cindacta 1 de Brasília que paralisariam suas operações e iriam autorizar apenas o pouso dos aviões que já estavam no ar ou que estivessem em emergência ou transporte de pacientes transplantados. Exigiam a presença de uma autoridade do primeiro escalão para negociar.

Nesta tarde, o ministro da Defesa, Waldir Pires, fez uma reunião em Brasília com a cúpula do setor aéreo para discutir a nova crise com a paralisação dos controladores. Em entrevista após a reunião, Pires disse que as soluções para o setor de tráfego aéreo não são instantâneas e o governo não vai negociar com os controladores. O ministro falou prolongadamente mas não demonstrou ter conhecimento técnico da questão e não deu nenhuma pista da solução para a crise.

Os controladores de vôo divulgaram em seu site na internet um manifesto em que defendem suas posições no conflito. Como o ministro da Defesa, os controladores de vôo são muito eloquentes mas não demonstram a menor preocupação com os únicos personsagens da tragédia que realmente merecem consideração: os passageiros que pagam seus salários.

Leia Manifesto dos Controladores de Tráfego Aéreo

A quem é atribuída as paralisações do tráfego aéreo em virtude de fenômenos naturais como chuvas e nevoeiros?

Quem, ao tentar expor as verdadeiras situações do tráfego aéreo nos livros de ocorrências dos órgãos operacionais, sofre perseguições da chefia militar?

Quem é acusado de insubordinado e sindicalista ao executar uma operação de segurança que consta em norma internacional de aviação civil?

Quem é o principal suspeito ao ocorrer panes no sistema de comunicação, queda de energia ou overbooking de empresas aéreas?

Quem é o profissional obrigado a monitorar vôos e milhares de vidas acima do recomendado pelas normas de segurança?

Quem é o militar aquartelado sem o direito de protestar pela falta de operadores?

Quem é o profissional que tem sua dispensa médica ou férias interrompidas pela convocação de oficiais superiores a fim de suprir a falta de operadores?

Quem passa os dias trabalhando com equipamentos obsoletos e prejudiciais à saúde?

Quem tem de se desdobrar para prestar serviço seguro quando ocorrem falhas de

comunicação nas chamadas zonas cegas?

Para todas estas perguntas, uma resposta nos parece comum: o Controlador de Tráfego Aéreo.

Passados seis meses de crise, não há nenhuma sinalização positiva para as dificuldades enfrentadas pelos Controladores de Tráfego Aéreo.

Ao contrário, as mesmas agravaram-se.

Não bastassem as dificuldades de ordem técnica-trabalhista, somos também acusados de sabotadores, numa tentativa de encobrir as falhas de gestão do sistema. .

Nestes meses de crise passamos por diversas degradações, as quais já ocorreram várias vezes anteriormente, mas não em um espaço tão curto:

1. Queda do sistema de vigilância radar em Curitiba, devido tempestade;

2. Queda das freqüências do setor norte de Curitiba, devido raio em Campo Grande;

3. Queda das comunicações em Brasília (SITTI);

4. Vários fechamentos de Congonhas devido chuva forte;

5. Falta de aeronaves reservas para suprir panes em aeronaves no Natal;

6. Queda do sistema de tratamento de plano de vôo de Brasilia e

7. Pane no sistema de Aproximação por Instrumentos de Guarulhos

O único evento comprovado que houve relação direta com o profissional de Controle de Tráfego Aéreo, foi na semana de finados, quando não havia Controlador suficiente para compor as equipes operacionais. Nas demais degradações, NUNCA houve ato de sabotagem por parte desse profissional que trabalha para prover a segurança e não atos de terrorismo.

Apenas para lembrar a sociedade brasileira o evento da queda das comunicações de Brasília foi causado por imperícia de um Tenente da Força Aérea Brasileira, que não pertence ao quadro de Controle de Tráfego Aéreo. Vale ressaltar que o acesso às salas técnicas é restrito não sendo permitida a entrada de nenhum técnico de outra área. Posteriormente o próprio Comandante da Força admitiu que o equipamento já estava "bastante desgastado" .

O último evento em Guarulhos, o qual tanto o Presidente da República quanto o Ministro da Defesa, apressaram-se em levantar a tese de sabotagem outra vez. Infelizmente quem esta de fora e não recebe as informações corretas só pode pensar em sabotagem, mas a verdade mais uma vez veio à tona: desde fevereiro o equipamento aguarda liberação para seu uso. Uma investigação mais aprofundada irá comprovar que a anos que este equipamento apresenta falhas, assim como há vários outros pelo País afora com problemas.

Sempre reportamos as deficiências do sistema, mas nunca deram a devida atenção, acusando-nos de sermos críticos demais.

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Revista Consultor Jurídico, 30 de março de 2007, 22h44

Comentários de leitores

5 comentários

Caro A.G. Moreira Lula e o nosso inepto min...

Band (Médico)

Caro A.G. Moreira Lula e o nosso inepto ministro da Defesa (de quem?) criaram o início de uma ação que se deve seguir nas demais forças armadas e auxiliares. A greve, o uso para interesses próprios, a chantagem contra os comandantes e os contribuintes para obterem seus interesses em detrimento do povo! O grevismo nas forças armadas!

O Presidente da República criou um precedente, ...

A.G. Moreira (Consultor)

O Presidente da República criou um precedente, inédito, no mundo civilizado e no mundo atrazado : desautorizando a Aeronáutica e os seus rigorosos regulamentos, determinou a suspensão da prisão dos amotinados militares . Este foi o ato mais desmoralizante das Forças Armadas, que já, se teve notícia no Brasil . Neste país, todos os poderes, inclusive o judiciário, dependem do governo democrata do PT e suas celebridades .

Somos réfens desta classe? O governo tem que ag...

mtpassos (Outros)

Somos réfens desta classe? O governo tem que agir com rigor , daqui a uns dias eles vão derrubar um avião para conseguir o que querem.

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