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Por um lar

AMB lança campanha em favor da adoção de crianças de abrigos

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Os abrigos do país têm atualmente 80 mil crianças. Destas, apenas 8 mil estão disponíveis para a adoção porque não possuem mais nenhum vínculo familiar. Mas do total, poucas têm chances de serem adotadas. A maioria dos casais procura um perfil de criança que não é o da maioria. Normalmente, tem de ser branca, saudável, de zero a um ano de idade e sem irmãos.

Adotantes estrangeiros têm mais tolerância e aceitam o que os brasileiros costumam rejeitar: crianças negras, maiores de um ano, às vezes doentes e com irmãos. Mais de 90% dos casais brasileiros querem adotar crianças brancas e com menos de um ano de vida.

Com a intenção de tentar mudar essa realidade, a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) lançou, na quarta-feira (14/3), em Brasília, a campanha Mude um Destino — em favor das crianças que vivem em abrigos.

Com um pacote de iniciativas, a AMB pretende dar visibilidade a situação das crianças e jovens que vivem em abrigos. Um dos objetivos é incentivar o retorno desses jovens à família biológica, além de estimular a prática da adoção em todo o país.

De acordo com o presidente da AMB, Rodrigo Collaço, a maior causa do desabrigamento no país é a miséria e a falta de condições dos pais de criarem seus filhos. Outras causas: pais drogados ou que abusam sexualmente dos filhos. “Nossa intenção é levar um tema tão obscuro e esquecido à luz do dia”, explica.

Segundo o juiz da Infância e Juventude de Florianópolis, Francisco Oliveira Neto, que idealizou a campanha com a AMB, para um casal adotar uma criança o primeiro e mais importante requisito é que ele tenha convicção do que quer fazer. Oliveira Neto lembra que alguns casais chegam a desistir da criança depois da adoção concretizada.

Também é parte da iniciativa da Associação a distribuição de uma cartilha com orientações aos dirigentes de abrigos que vão desde como proceder com as crianças abrigadas, as obrigações dos abrigos e os direitos das crianças. Uma segunda cartilha apresenta o processo de adoção explicado detalhadamente.

O pacote da campanha conta, ainda, com o documentário O que o destino me mandar que mostra a história de crianças e jovens abrigados. Collaço explica que o vídeo dá voz às crianças e derruba alguns mitos como o de que o processo de adoção no Brasil é lento e burocrático.

Por fim, a AMB planeja um concurso para premiar os trabalhos desenvolvidos com o objetivo de melhorar a situação das crianças e adolescentes abrigados. E, no Prêmio AMB de Jornalismo deste ano, terá a categoria especial voltada aos jornalistas que abordarem o tema desta campanha em suas reportagens.

“O que essa campanha pode produzir de mais positivo é trazer à tona a realidade desses jovens, pouco conhecida pela sociedade. Ela mostrará o drama de cada uma dessas crianças e adolescentes à população”, explicou Rodrigo Collaço.

O ministro Patrus Ananias, do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, compareceu à cerimônia de lançamento, representando o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Ananias garantiu que entregará todo o material de divulgação da campanha ao presidente Lula e transmitirá a ele suas impressões positivas em relação à iniciativa.

 é correspondente da Revista Consultor Jurídico em Brasília.

Revista Consultor Jurídico, 15 de março de 2007, 11h13

Comentários de leitores

1 comentário

A idéia de que os estrangeiros tem mais tolerâ...

PEREIRA (Advogado Autônomo - Consumidor)

A idéia de que os estrangeiros tem mais tolerância para adoção do que os brasileiros é falsa, tanto que existem mais pessoas cadastradas para adoção do que crianças para serem adotadas. A realidade nua e crua, é outra. Na verdade, a incompetência do Judiciário e de seus técnicos, principalmente no estado de São Paulo, é que criam embaraços desnecessários a adoção tornando os abrigos em um deposito de meninos e meninas. A burocracia é tanta que até mesmo um mero pedido de cadastro para ingresso na fila de adoção chega a amargar anos. A forma com que são conduzidos os cadastros e a espera em fila, a falta de clareza e de inclusão dos pretendentes a adoção com as crianças a serem adotadas, contribuem incisivamente para que elas permaneçam nos abrigos provisorios eternamente. Há crianças brancas que amargam eternamente no abrigo a espera de adoção, não por que lhe faltam pretendentes, mas porque a burocracia do Judiciário assim o deseja. O cadastro não tem significado de escolha do tipo de criança que o individuo quer adotar, mas sim o contato. Pois, mesmo um branco de olhos azuis pode não satisfazer os pretendentes, de maneira que o contato pode também fazer com que se adote um negro ou vice e versa. O que mais desconhece o drama da criança abandonada é aquele de deveria estar protegendo-o, o Judiciário. Não precisa fazer campanha, é so desburocratizar e buscar atender ao bem estar das crianças.

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