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Barra brava

Chefe de torcida organizada vai a Juri pela morte de torcedor

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Está marcado para esta sexta-feira (2/3), às 9 horas, o julgamento de Carlos André Amorosino Junior, o “Sukita”, e Valdívio Marcelo Dantas de Souza. Eles são acusados de matar a pauladas Mauro Roberto Costa e de não prestar socorro a Dhiógenes Fernandes Ventura. O julgamento será presidido pelo juiz Cassiano Ricardo Zorzi Rocha, do 5º Tribunal do Júri da Capital.

O crime aconteceu em um confronto de torcedores no cruzamento das avenidas Marquês de São Vicente e Abrahão de Morais, Zona Oeste de São Paulo, após um desfile de escolas de samba no Anhembi. Na ocasião, Amorosino era presidente da Torcida Independente do São Paulo, e Costa, uma das vítimas, vestia camisa do Palmeiras. A rivalidade entre as torcidas teria sido o motivo dos ataques.

Os crimes ocorreram em 22 de fevereiro de 2003. A confusão começou no Sambódromo do Anhembi quando, antes de desfilar, integrantes do bloco Independentes, composto por torcedores são-paulinos, atacaram corintianos do bloco Pavilhão 9. Testemunhas disseram que cerca de 10 são-paulinos, armados com revólveres e pedaços de pau, cercaram os corintianos.

Ruy Luciano Nogueira, 25, que preparava um carro alegórico do Pavilhão 9, morreu com um tiro na cabeça. Os corintianos Cláudio Cassiano Freguglia, 31, T.P.O., 16, Cássio Terayama, 23, e o são-paulino Itamar Fagundes dos Santos, 20, foram baleados na perna. Olavo José Teodoro, 27, teve braços quebrados.

Após os desfiles, cerca de 10 ônibus com integrantes do bloco Independentes foram escoltados pela PM. No entanto, na avenida Marquês de São Vicente, quando a polícia não mais acompanhava o grupo, os torcedores obrigaram motoristas a passarem na frente da escola Mancha Verde, formada por palmeirenses.

Houve briga no local e duas pessoas morreram, o palmeirense Mauro Roberto Costa, 24, e Diógenes Ventura, 20, que seria da Independentes. Cerca de 60 são-paulinos foram detidos. O ex-presidente do conselho deliberativo da torcida Tricolor Independente Carlos André Amorosino Júnior, o Sukita, foi preso acusado da morte do palmeirense. A polícia acredita que ele tenha sido também o autor dos disparos no Anhembi. Sukita nega o crime.

Cenas de terror

Testemunhas do confronto entre torcedores são-paulinos e palmeirenses, ocorrido perto da sede da torcida Mancha Verde, relataram cenas de terror à polícia. Segundo uma testemunha, um dos líderes do grupo são-paulino teria dito "vamos matar, vamos matar" no momento do ataque.

Momentos antes, de acordo com testemunhas, um são-paulino distribuiu paus e porretes a torcedores que desceram dos ônibus vindos do Anhembi. Parte do material apreendido pela polícia, sugere que foram utilizados cabos de enxada comprados em lojas de material de construção.

Carlos Amorosino Júnior, ex-presidente da torcida organizada Tricolor Independente, foi preso em flagrante e indiciado por homicídio. Ele negou o crime. Em depoimento, disse que, se tivesse participado do ataque, teria manchas de sangue na roupa branca que usava. Uma testemunha, no entanto, o apontou entre cerca de 60 torcedores. A mesma testemunha esteve no Hospital das Clínicas, onde identificou o corpo de Costa como a vítima que ele viu ser atacada.

 é repórter da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 1 de março de 2007, 16h11

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