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A voz do dono

Saiba quem foi o empresário Octavio Frias de Oliveira

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A morte do empresário Octavio Frias de Oliveira, publisher do Grupo Folha, gerou uma seqüência de homenagens e reverências em número e tom bem acima do que se costuma testemunhar no país.

Seu Frias, como era tratado, secundado por seus filhos, introduziu conceitos e visão empresariais na condução de um projeto de renovação do jornalismo brasileiro, tanto em matéria de produção de conteúdo quanto no aspecto do marketing e negócios.

Na descrição feita pelo jornal Valor Econômico, Frias foi “um dos mais importantes brasileiros do setor de comunicação no século XX. Ele mudou a imprensa brasileira, depois de ingressar no ramo, já aos 50 anos, com a aquisição da "Folha", em sociedade com Carlos Caldeira Filho, em 1962.

Sob seu comando, continua o Valor, a "Folha" tornou-se peça central de um poderoso grupo de mídia, com presença no setor gráfico e de informação eletrônica. Folha-UOL S.A. (holding) é o segundo maior grupo de comunicação do país, atrás das Organizações Globo. Folha e Globo controlam juntos o Valor. Frias fez da "Folha" um jornal ousado, cujo sucesso se baseou na independência. Em suas palavras: "A independência não é fácil. As tentações são muito grandes e ocorrem todos os dias. Mas não há preço que a pague. E está aí um dos sucessos da Folha" .

Frias disse que preferia ser lembrado como homem de negócios — uma descrição exata do que foi. Como empreendedor, administrou suas empresas com um misto de ousadia nos objetivos de longo prazo e notável prudência e parcimônia na gestão do dia-a-dia.

As apostas de Frias na Folha, e depois na diversificação, deram certo. Em 1996, a Folha atingiria tiragens recordes de 1,5 milhão de exemplares e conseguiria também a supremacia nos classificados. Nos últimos anos, o jornal consolidou sua posição no mercado, apoiado em seus princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência. O grupo que Frias dirigiu faturou R$ 765 milhões em 2006 e tem a maior empresa de internet da América Latina, o UOL, com 10,67 milhões de visitantes únicos domiciliares.

O mais interessante em Frias, era seu estilo pessoal de conduzir jornalismo e negócios, sem permitir que os princípios das duas atividades colidissem. Coube a ele, por exemplo, aprofundar o espírito de autocrítica que acabou sendo importado por toda a linha de frente da imprensa brasileira. Essa prática incomodou muito, e ainda incomoda, jornalistas que preferiam o mau hábito de esconder seus erros em vez de admiti-los publicamente.

O papel do dono de um jornal, naturalmente, não é do conhecimento dos seus leitores. Ao menos da grande maioria. Essa é a explicação pela qual este site publica, abaixo, um documento raro, que mostra seu Frias em ação.

Corria o ano de 1985. Com seu filho, Otavio Frias Filho, na direção do jornal, o empresário chancelou o que se batizou de Projeto Folha. O programa, em sua teoria implícita, podia levar incautos a confundir seu texto com uma peça de retórica. Falava de metas que, aparentemente, qualquer projeto jornalístico deveria seguir. Mas ao ser aplicado na prática, podou, inclemente, uma série de regalias profissionais das quais os repórteres desfrutavam. O projeto tirava o jornalista do papel de eixo central do jornalismo, para dar esse lugar ao leitor.

O tiroteio que se segue é retrato fiel do momento em que o empresário, confrontado pela quase totalidade dos repórteres da Folha, insatisfeitos com as inovações, enfrenta a redação. Por mais evidente que seja a ascendência de um patrão sobre seus empregados, o enfrentamento fascina pela argumentação do empresário.

Do embate participaram nomes lustrosos do jornalismo como Paulo Francis e Aloysio Biondi (já falecidos), Boris Casoy, Paulo Markun, Caio Blinder, Ricardo Kotscho, José Roberto Alencar, Caio Túlio Costa, Dácio Nitrini e Matinas Suzuki, que trabalhavam na Folha à época.

Acompanhe o debate de Frias com seus jornalistas

Sr. Frias — “Vou ler o abaixo assinado entregue. Os Jornalistas e o Projeto Folha — ‘Em junho de 1984 foi caracterizado em documento do Conselho Editorial o jornalismo a ser praticado pela Folha. Trata-se’ — dizia então o documento — ‘de um jornalismo crítico, pluralista apartidário e moderno’. E acrescentava: ‘Precisamos informar mais e melhor. Chegou a hora de discutir a implantação do Projeto Folha no dia a dia’. Por que chegou a hora hoje, o documento não explicita. Por que só hoje? Ele vem sendo discutido desde a sua implantação.

“Todos os profissionais nele envolvidos — direção de redação, editorialistas, secretários, editores, editores-assistentes, chefias de reportagem, repórteres especiais, redatores, repórteres, repórteres-fotográficos, diagramadores e noticiaristas — foram convidados a reunião que produziu este documento.”

 é diretor da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 2 de maio de 2007, 13h31

Comentários de leitores

3 comentários

C50 era a tal de Veraneio (cor de abóbora e pre...

Rubão o semeador de Justiça (Advogado Autônomo)

C50 era a tal de Veraneio (cor de abóbora e preta) que os guardinha usava roupa bege e capacete azul claro não era? Tinha tb as veraneio (chicabum) de chapa branca (não é cut e farsa que eu tô falando) de todas as cores, acho que era essa que os jornalistas-sem farda se utilizavam.

Você confia em alguém que é "publisher"? Eu não...

Armando do Prado (Professor)

Você confia em alguém que é "publisher"? Eu não. Vivíamos os anos 70. Estávamos nas ruas gritando e lutando contra a ditadura. Contra nós C 50, carros da GM equivalentes hoje à Blazer e, carros do grupo Folha, emprestados para o combate aos subversivos. Como vingança, escrevíamos nos muros: "Cuidado Frias". Pois é. Esse era o extraordinário dono de jornal. Ajudava os órgãos de repressão. atendia os poderosos como no episódio de Lourenço Diaféria. Cedia, tirando Abramo e empregando o "flexível" de sempre Boris Casoy. Hoje, vituperou contra Lula, apoiando descaradamente o candidato da "Opus dei". Esse o marcante jornalista". Por que a morte tem que tornar humanos em querubins? Simples, porque os humanos tendem a se justificar com os mortos, num processo vicioso que nem Freud conseguiria explicar.

Era um homem exemplar, empregava até mesmo TIRA...

Rubão o semeador de Justiça (Advogado Autônomo)

Era um homem exemplar, empregava até mesmo TIRAS para fazer o serviço porco da repressão militar com fantasia de jornalista. Quem sabe seja o motivo de ser o Folha da Tarde o jornal de maior TIRAgem do Brazil...

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