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O outro lado

Empresário acusa Walter Maierovitch de perseguição

Embora se diga que no Brasil não há pena perpétua, o empresário Johnny Ortiz, industrial do ramo de vídeo-bingos, contesta. Para ele, essa punição existe e atende pelo nome de acusação. “Basta uma acusação glamourosa como a de que você é mafioso e a expressão é fundida ao seu sobrenome eternamente”, afirmou Ortiz, em entrevista ao jornal Diário de S.Paulo.

Na entrevista, o empresário descreve o trajeto pelo qual um bloco de acusações do qual sua empresa foi alvo em 1998, gera novos inquéritos toda vez que os bingos voltam às manchetes. Com dezenas de certidões que mostram a regularidade de suas atividades, o empresário lembra já ter sido investigado pela Receita Federal, Ministério Público, Polícia Federal, e por órgãos estaduais. Os documentos de sua defesa estão expostos no site www.familiaortiz.com.br

Ortiz aponta o nome de dois algozes: o juiz aposentado Walter Maierovitch e o procurador da República, Luiz Francisco de Souza. O primeiro, afirma o empresário, repete as suposições de nove anos atrás — sem considerar que nenhuma delas se sustentou — como forma para se auto-promover; o procurador, por seu turno, apresentou ação popular por improbidade administrativa que ele recebeu pronta de um desafeto do então ministro dos Esportes, Rafael Greca. Nessa ação, Ortiz foi arrolado junto com algumas dezenas de pessoas.

Ao Diário de São Paulo, o juiz aposentado Maierovitch repete uma vez mais que suas acusações à família Ortiz seriam embasadas em investigações da Direção de Investigação Antimáfia da Itália. Maierovitch diz que a família Ortiz tem tentado intimidá-lo. Ele ofereceu a quebra do seu sigilo bancário e fiscal, em uma aparente defesa de acusação que não lhe foi feita.

Leia a entrevista de Ortiz

Qual a ligação entre a sua família e as empresas de bingos e caça-níqueis?

Gostaria antes de agradecer a você a oportunidade desta entrevista. É a primeira vez que a imprensa nos procura para falar, desde 1998, quando passamos a ser atacados com suposições que passaram a ser divulgadas como se fossem verdades inquestionáveis. Nesse tempo todo, por maldade ou falta de conhecimento, algumas pessoas misturaram as coisas. Caça-níqueis e vídeo-bingo: uma coisa não tem nada a ver com a outra. Os caça-níqueis você vê na rua, nos bares, lanchonetes e padarias. Mas nunca verá uma máquina de vídeo-bingo, a não ser em casas de bingo. Foi uma tecnologia inventada por brasileiros e agora exportada para o mundo. Vários paises estão utilizando o vídeo-bingo brasileiro, como Espanha, México, Estados Unidos, Noruega entre muitos outros. Voltando a pergunta inicial: nós começamos com bingos no Brasil, até quando saiu a lei para máquinas de vídeo-bingo. A partir daí, vendemos a participação nos bingos e passamos a nos dedicar unicamente ao vídeo-bingo. Acreditávamos no país e investimos forte no setor. A prova que o fizemos bem é que estamos trabalhando como líderes de mercado em outros paises. Nunca tivemos qualquer tipo de relação com os caça-níqueis ou máquinas de rua.

Como surgiu a acusação de envolvimento do nome da sua família com o crime organizado?

Na célebre operação “Mãos Limpas” da Itália, centenas ou milhares de pessoas foram arroladas. Com a depuração do processo, verificaram-se enganos (como sempre acontece). Entre essas pessoas estavam alguns europeus que vieram para o Brasil, interessados na liberação do bingo. Por essa época, fomos procurados por esses empresários pelo simples fato de sermos representantes, com exclusividade, de máquinas de vídeo-bingo no país. Esse contato comercial não evoluiu. Mas foi o suficiente para que fôssemos citados em uma carta rogatória (documento em que um país pede a outro subsídios ou averiguações de suspeitas existentes). Nossos negócios foram vasculhados pelas polícias civil, militar e federal. Fomos investigados pela Receita Federal e pelo Ministério Público. Nada, rigorosamente nada, foi apurado que pudesse nos comprometer.

Mas por que razão essas acusações continuam a ser feitas?

A rogatória italiana citava o objeto das investigações: a máfia italiana, narcotráfico, contrabando e outros crimes cabeludos. A carta chegou ao Brasil quando o juiz aposentado Walter Maierovitch, estava no governo. Fanático por filmes de ação e padecendo de um estrelismo doentio, esse cavalheiro foi afastado do governo em seguida por causa de sua conduta. Desde 1998, mesmo depois de encerradas todas as investigações, esse senhor procura a imprensa para repetir as mesmas bobagens. Foi o que ele fez quando aquele assessor do governo que presidiu a Loterj, o Waldomiro Diniz, foi gravado pedindo propina a um bicheiro do Rio. Para apimentar a história, o tal juiz procurou a imprensa novamente para repetir sua versão maluca. Resultado: todas as investigações já feitas foram repetidas. Um jornal de São Paulo chegou a noticiar que em um cofre na casa de meu irmão foram encontrados 2,5 milhões de dólares em jóias e moeda. Quando enviamos ao jornal o auto de perícia da busca e apreensão, comprovando que nada foi encontrado senão canhotos de talões de cheques, eles publicaram algo como “empresário nega que...” Um tipo de jornalismo desleal. Agora, com esse caso da Operação Furacão, volta ao palco o sr. Maierovitch repetindo afirmações que ele não prova nem vai poder provar nunca porque são mentirosas e irresponsáveis.

Mas, se foi assim, por que vocês não fizeram nada?

Acionamos o juiz aposentado. Mas pergunto: quem tem coragem de atender o pedido de alguém que a TV, as revistas e os jornais chamam de “mafiosos” e “contrabandistas”, contra um “respeitável” juiz aposentado que vive sendo incensado pela imprensa? O que fizemos foi mudar de casa, tirar os filhos da escola, passar milhares de horas se explicando com amigos e parentes. A imprensa mudou nossa nacionalidade, nossa profissão. Até fotos de outras pessoas foram publicadas como se fossem de nossa família. Cansados de tudo isso viemos desenvolver nossa atividade empresarial na Europa, para onde nos mudamos.

É verdade que foram vocês quem trouxeram as máquinas de videopôquer ao Brasil?

Não. Isso não é verdade. Nunca trabalhamos nesse segmento, começamos com bingos e depois com máquinas de vídeo-bingo, sempre num mercado legal e oficial, pagando todos os impostos, taxas e demais encargos — que não são poucos.

A polícia tem agido de forma arbitrária com a família?

A policia agiu impulsionada e pressionada pela imprensa. Há duas pessoas que maldosamente causaram problemas para a minha família, uma delas é o procurador Luiz Francisco de Souza, que assinou uma Ação que lhe chegou pronta (foi feita por parte interessada na causa, um desafeto do então ministro Rafael Greca que trabalhou com as “informações” do Maierovitch). Representamos contra ele mas, como sempre acontece no Ministério Público Federal, o procedimento foi arquivado.

Há quanto tempo vocês estão no Brasil e qual o país de origem de vocês?

Meu irmão nasceu em Petrópolis e eu nasci em São José do Rio Preto, no Rio de Janeiro. Sempre vivemos no Brasil até 2003. Algumas notícias nos atribuíram outras nacionalidades. Um belo dia, meu irmão foi viajar e descobriu que havia uma “ordem de extradição” contra ele. Pergunto: para onde se pode extraditar um brasileiro senão para o Brasil? Novamente contratamos advogados. Ninguém soube dizer de onde partiu essa informação que foi parar nos computadores da Polícia Federal.

Por que você e seu irmão deixaram o Brasil?

Por que acreditávamos no Brasil e havíamos criado um sistema fantástico de aceitação internacional. Mas o prêmio que recebemos foi essa tortura infinita e interminável. Acho que posso dizer que fomos expulsos do Brasil pela imprensa. Por outro lado, o governo preferiu enfrentar a questão do bingo politicamente e não quis regulamentar a atividade, o que já poderia ter feito há muito tempo. Achamos melhor procurar países mais estáveis, com mercados sérios e onde haja segurança jurídica. Esse é um grande mal do Brasil: você é prejudicado, tem prejuízos morais e materiais mas não consegue ter seus direitos reconhecidos pela Justiça. Investe-se no setor financeiro, mas não no setor produtivo. Sem segurança jurídica o empresário não quer investir no pais, deixando assim de pagar impostos, gerar empregos, enfim não pode contribuir para o crescimento da economia. Era o que nós gostaríamos de estar fazendo no nosso pais. Como isso virou um sonho impossível, estamos gerando tudo isso em outros paises.

A família tem negócios no Brasil?

Não mais. Caso o setor seja regulamentado com seriedade, ficaríamos felizes de poder voltar. É importante destacar que o Brasil é um dos poucos países no mundo, onde não há essa regulamentação, e não entendo por que não fazê-lo sem preconceitos, como ocorre na Espanha por exemplo. O ex-secretário da receita federal, dr. Osires, fez um cálculo que o governo deixa de receber por volta de 2.5 bilhões de reais em taxas e obviamente, deixando quase 300.000 pessoas sem emprego.

Como é a vida de alguém que precisa constantemente provar inocência quando a polícia finge não acreditar?

Veja: a polícia cansou de nos investigar e sabe que nada há contra nós. Verifique os sites de tribunais. Pode consultar os arquivos policiais. Tudo o que aconteceu — inquéritos, processos — foi gerado inicialmente pela carta rogatória e, nos sete anos que se seguiram, pelas entrevistas do dr. Maierovitch, uma pessoa que já chegou a publicar na revista onde trabalha uma foto de um jovem loiro, de olhos claros, como sendo meu irmão, que é moreno e tem olhos castanhos. Depois que chegam na Internet, essas notícias são repetidas inúmeras vezes. E existe essa coisa de as pessoas acharem que algo publicado na imprensa é mais verdadeiro que a realidade. Uma distorção. Com isso, somos prejudicados até fora do país, porque no primeiro mundo a legislação exige que pessoas ligadas ao jogo sejam submetidas a vários filtros, entre eles "compliance" e "due diligence" (para verificar a idoneidade do empresário, checar sua vida, da sua família e seu passado). Me sinto como um prisioneiro de Auschwitz, pois tenho a marcação não no braço, mas na testa, sem ter culpa nenhuma. E não adianta gritar, protestar, mostrar documentos, certidões. Qualquer notícia fala mais alto que documentos. Não entendo como depois de quase 10 anos, a imprensa continua veiculando coisas que já foram mais que esclarecidas e provadas em todas as esferas. Repito: fomos investigados pela polícia civil, policia federal, receita federal, receita estadual, ministério publico e em todos órgãos, ficou claro e evidente que não temos e nunca tivemos nada de errado. Conclusão: dizem que no Brasil não tem pena perpétua. Mas tem sim. Ela se chama “acusação”. Basta uma acusação glamourosa como a de que você “representa a máfia italiana no Brasil” e essa frase vai ser fundida como seu sobrenome e será repetida eternamente. E eu nem sei se ainda existe a tal máfia italiana...

A família tem sofrido constrangimentos, ameaças?

Os constrangimentos são constantes, como você pode imaginar, sempre saindo a mesma coisa. A gente prova que tudo é mentira este ano. No ano que vem começa tudo outra vez. É difícil abrir uma conta em um banco ou falar com Diretores de jogos de outros países.

Existe alguma ligação entre a família Ortiz e banqueiros do jogo do bicho?

Nenhuma, não existe e nunca existiu.

De onde surgiram hipóteses de que as máquinas de caça-níqueis seriam trazidas da Colômbia pela família?

De alguma mente sórdida, ou para atingir quem estavam tendo sucesso empresarial ou para criar noticias. Nunca estive na Colômbia, nunca importamos ou exportamos nada, nenhum material para esse país. Já ouvi dizer que a atratividade do bingo começou a atrapalhar outras modalidades de jogos e entretenimentos. Mas não posso dizer que houve esse tipo de “patrocínio” contra nós. Prefiro acreditar que o preconceito foi a alavanca do nosso martírio.

Por que existe essa eterna perseguição em relação à família?

Vamos convir: uma pessoa que se credencia como “especialista em crime organizado” chega com um enredo cinematográfico e criativo que envolve a máfia da Itália, o cartel de Medellín, fala em lavagem de dinheiro e contrabando. Isso faz brilhar os olhos da imprensa e do Ministério Público. Pouco importa que não seja verdade. É só juntar um pedaço de história aqui, uma frase solta ali. Como é que você vai provar que não tem ligação com uma coisa dessas? O certo seria quem acusa provar, não é? Mas no nosso caso ficou a nosso cargo provar que alguma coisa não existe, o que não é nada fácil. Mas fizemos isso: conseguimos todas as certidões para provar nossa inocência. Faz dois anos que isso tudo está no site “Família Ortiz”. Mas quem quer saber de defesa num país em que o que faz sucesso é acusação?

Houve algum momento em que essas denúncias prejudicaram a vida de vocês?

Muitos, imagine uma pessoa amiga, por mais que você explique e esta pessoa lê todos os dias, o contrário do que você diz! Bancos onde tínhamos conta há muito tempo, pediram que a encerrássemos. Ir a um lugar publico era difícil, pois as pessoas começavam a apontar o dedo e cochichar, olhando para nós. É uma sensação, melhor é uma seria de sensações que é inclusive difícil de explicar, pois mistura raiva, angustia, depressão, inconformismo, falta de esperança, desanimo e este foram alguns motivos mais para deixar o país que amamos.

O que tem sido feito contra essas pessoas que fazem as acusações?

Contra o procurador entramos com uma representação. Contra o juiz aposentado Walter Maierovitch uma ação, que por ser juiz não deu em nada. Contra a imprensa, algumas ações, mas nossos advogados nunca quiseram comprar briga com a imprensa.

Revista Consultor Jurídico, 2 de maio de 2007, 12h07

Comentários de leitores

1 comentário

É, família Ortiz, quando a trinca "crime-da-mod...

olhovivo (Outros)

É, família Ortiz, quando a trinca "crime-da-moda/vedetismo/imprensa-sedenta" se une contra alguém, a melhor saída é o aeroporto mais próximo.

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