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Manchete no Rio

Prédio da Manchete é arrematado com preço abaixo do mínimo

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Falta pouco para um dos principais endereços da história da imprensa e da TV no país passar para as mãos de uma instituição de ensino privado. Os prédios da Bloch Editores, localizado na Praia do Russel, foram arrematados pela Universidade Salgado de Oliveira (Universo) por R$ 28,391 milhões.

O montante alcançado ficou abaixo da avaliação inicial do imóvel, calculada em R$ 37,701 milhões. Devido ao preço final, a venda foi feita de forma condicional, e aguarda a homologação da 5ªVara Empresarial e a aprovação da massa falida, do Ministério Público e dos herdeiros. A juíza Maria da Penha Victorino e eo procurador do Ministério Público do estado e curador da massa falida da Bloch, Luiz Roldão Gustavo de Souza, têm de uma semana a 10 dias para se pronunciarem.

O leilão ocorreu na tarde desta terça-feira (26/6), na entrada do Fórum Central do Rio de Janeiro. Aberto com o preço da avaliação, não houve interesse inicial. Passados 20 minutos, o leiloeiro Fernando Braga pediu então autorização do curador do Ministério Público do estado, para prosseguir com o valor abaixo do estipulado. Ao alcançar o preço de R$ 28,391 milhões, a Universo fez uso da cláusula de prioridade, por ser a atual inquilina.

Com 30 mil metros quadrados, o conjunto, projetado por Oscar Niemeyer num dos endereços mais nobres da cidade, inclui ainda o Teatro Manchete. A Universo alugou o imóvel em março de 2004 pelo período de sete anos. O contrato de locação está em R$ 168 mil mensais e vai até 2011. Ou seja, pelo total do contrato a Universo irá pagar a metade do preço ofertado para comprar o prédio inteiro.

O presidente da Universo, Jefferson Salgado de Oliveira, confirmou o uso do espaço para a criação de um centro de ensino à distância – a Universo Virtual – e um espaço cultural. "Vamos manter o ideal de cultura de Adolpho Bloch, com a criação do centro cultural e a reativação do Teatro".

A instituição afirma ter gasto cerca de R$ 6 milhões nas reformas iniciais. Um dos parceiros para a aquisição foi o Banco Bradesco. Salgado de Oliveira destacou também a importância da compra para a instituição. "O prédio tem uma história para a imprensa e será um fator importante de visibilidade da Universo na cidade do Rio de Janeiro". O prédio poderá ser a primeira filial da Universo na cidade, que conta com outras nove unidades no país.

Para o leiloeiro Fernando Braga, o negócio foi um avanço para acabar com o espólio da Bloch Editores. "Toda vez que conseguimos uma proposta, é um passo positivo para que se efetive a venda".

No entanto, a venda não foi comemorada por todos. Para o presidente da comissão de ex-funcionários José Carlos Jesus, o resultado ficou aquém das expectativas. "É frustrante, pois esperávamos que alcançasse, pelo menos, o preço da avaliação, o que nos daria uma tranqüilidade para que todos os processos, ou pelo menos 80% deles, fossem quitados".

As ações trabalhistas da empresa estão calculadas em R$ 32 milhões. Cerca de 1.722 ex-funcionários aguardam completar as indenizações, que tiveram os pagamentos iniciados em 2005. Outros 665 aguardam a homologação do Tribunal Regional do Trabalho (TRT).

O síndico da massa falida, o advogado Walter Soares, não comentou o valor da transação. "Vou analisar com calma, conferir a avaliação e quando a juíza me convocar, vou me pronunciar". A massa falida recebeu 48 imóveis do espólio da Bloch, dentre terrenos, fazendas e apartamentos, o parque gráfico em Parada de Lucas e as sedes da emissora em Brasília e São Paulo. O próximo bem à venda serão 16 lotes em Santa Cruz, no subúrbio do Rio de Janeiro, em julho.

 é jornalista.

Revista Consultor Jurídico, 26 de junho de 2007, 19h17

Comentários de leitores

5 comentários

Não bastaram os inúmeros erros – ou o mesmo err...

marcosbin ()

Não bastaram os inúmeros erros – ou o mesmo erro cometido inúmeras vezes, na matéria de 23 de junho – para que o jornalista Bruno Dias passasse a escrever corretamente o nome do local em questão. O prédio da extinta TV Manchete NÃO fica na “Praia do Russel”, e SIM na RUA DO RUSSEL, mesmo endereço do Sistema Globo de Rádio. Não existe tal praia no Rio de Janeiro, cidade que o intrépido repórter e seus editores – todos possivelmente paulistas, pois o ConJur fica em São Paulo – parecem desconhecer. Aliás, embora muitas pessoas não percebam, esta reportagem é um bom exemplo das desigualdades vividas no Brasil e da triste realidade do Rio da Janeiro, a segunda maior cidade do país. Nós, cariocas, que até os anos 80 tínhamos uma economia razoavelmente estável e duas grandes emissoras de TV com sede na cidade, hoje temos apenas uma, a Globo, que cada vez mais se aproxima de São Paulo, assim como boa parte das empresas brasileiras. A brutal concentração de renda em São Paulo (o estado, pequeno em tamanho, tem mais de 40% do nosso PIB) faz com que boa parte das atividades econômicas de um país tão grande e diversificado culturalmente esteja nas mãos de um pequeno grupo. E isso inclui a imprensa, o chamado Quarto Poder, que no caso brasileiro é mal-informada e bairrista. Que o digam os programas esportivos... Enquanto o Rio de Janeiro viver sob a maldição do samba do Salgueiro, de ser a terra do samba, da mulata e do futebol, nossa degradação econômica será cada vez maior. E enquanto o Brasil não conhecer o Brasil, como diz a famosa canção interpretada por Elis Regina, novas “Praias do Russel” serão criadas a todo o momento.

Sr. Félix Soibelman, Não sou advogado da Glo...

A.G. Moreira (Consultor)

Sr. Félix Soibelman, Não sou advogado da Globo, nem , sequer, acusador. Entretanto, este grupo de comunicação, sempre, sobreviveu ( e sobrevive ), pelo beneplácito dos governos vigentes . Se o Brasil adotar uma ditadura de esquerda, com certeza a Globo, também, a apoiará , como apoiou a de direita !!! Quem não apoiou, fechou as portas , em questão de meses ou dias !!! Todos os que sobreviveram, deram o seu apoio à ditadura !!! Entretanto, a Globo, foi a que mais tirou proveitos ! Mas, gostaria de saber, se algum órgão de imprensa, sobreviveria, no Brasil, se não tivésse, o "suporte", do Estado ( federal, estadual e municipal) !!! Vejam as quantias que o Estado atribui, anualmente, a cada órgão de imprensa e ficarão estarrecidos !!! Quanto à sua opinião de que a Globo : "é uma das empresas mais prósperas do Brasil" ! Lamento informar-lhe que o Sr. deverá consultar, além de dívidas da Globo ,para com o governo, as instituições de crédito deste país e estrangeiro, de um modo especial o BNDS ( com aval do governo) . Só a este, último, ainda que a Globo fosse leiloada, em hasta pública, os valores alcançados, seriam insuficientes, para liquidar as pendências !!!

A base legal que proibe o preço simbólico, irri...

Luís da Velosa (Bacharel)

A base legal que proibe o preço simbólico, irrisório, afastado da avaliação, tem espeque no §3º do Art. 44, da Lei nº 8666/6/1993. Agora, se a avaliação foi superestimada, que se revogue a avaliação definida com critérios objetivos e se justifique a adjudicação por preço abaixo do avaliado, inclusive porque em assim não se procedendo, há descumprimento do princípio constitucional da isonomia que deve imperar entre os licitantes.

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