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Custo Brasil

Crise aérea mostra que governo Lula prejudica 100% dos brasileiros

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Perdoem-me os amigos e leitores por repetir reportagem da Revista Veja, mas esta é uma pergunta que não quer e não pode calar e por isso merece ser repetida e refletida. Assistimos outra tragédia aérea que, segundo as estatísticas, é a maior já vista no país e uma das maiores do mundo. Para que isso ocorresse alguém deve ter relaxado e gozado, como sugeriu a ministra Marta Suplicy. O ministro Mantega afirmou que isso é parte do espetáculo do crescimento. Nunca ouvi dizer que desenvolvimento provoca morte, ao contrário, ele contribui com a vida. Diz o governo, em todos os seus níveis, que não existe crise, não existem problemas, são apenas as dores de um parto e que o espetáculo do crescimento as provoca.

O ministro Marco Aurélio Garcia também relaxou e gozou em nossa cara, com gestos obscenos, histéricos, vergonhosos e indesculpáveis. Outra autoridade afirmou que a culpa de tudo isso é do terrorismo, inclusive da imprensa. E como se não bastasse afirmam que o apagão aéreo não atinge mais que 8% da população. O presidente Lula é como aquele chefe autoritário que nada sabe e nada vê, esculacha em público seus auxiliares e marca e remarca datas para o fim da crise.

A cobrança séria de resultados inexiste. O mínimo que podemos dizer é que tais atitudes e afirmações, vindas de autoridades, são um escárnio. Esperam um problema que atinja 100% da população para assumir de vez a responsabilidade que o povo lhes delegou? É fácil achar e é fácil medir.

No início de 2002, antes da primeira eleição do Lula, a taxa de juros do Banco Central estava em torno de 14%. Com a subida do oposicionista nas pesquisas, o mercado financeiro começou a temer pelo pior. No final de 2002, refrescando nossa memória, quanto mais perto da eleição, maior era a dificuldade do Brasil captar recursos, tanto aqui como no exterior, e só conseguíamos dinheiro no curto prazo com vencimento exatamente para 31 de dezembro de 2002, último dia do governo Fernando Henrique. Significava a falta de confiança dos investidores. A inflação ameaçou voltar. A taxa de juros subiu acima de 24% ao ano, nos primeiros momentos do novo governo e o Brasil parou.

Hoje, após o susto do projeto alternativo de Lula ser implementado, voltamos ao que era. A taxa de juros voltou ao que estava. Qualquer pessoa que tenha estudado minimamente um pouco de finanças e sabe utilizar uma tabela de cálculo de juros compostos pode, com uma simples operação aritmética, medir quanto custou a brincadeira. Caso Serra estivesse na frente das pesquisas e ganhasse no primeiro turno em 2002, as taxas de juros do Banco Central provavelmente oscilariam em torno de 12% nos últimos anos, quiçá menos.

Lula ganhou e pagamos uma diferença em torno de 40% no período, o que representa cerca de 400 bilhões de reais, considerando-se uma dívida pública de um trilhão de reais. Como a taxa do Banco Central afeta a taxa média de juros no país, pode-se também afirmar que a sociedade, no mínimo, pagou a mais, no mesmo período, uma taxa igualmente superior. Considerando-se por alto uma dívida privada em torno do mesmo valor da pública, o prejuízo atingiria cerca de 800 bilhões. Isso afeta significativamente os gastos da sociedade para sustentar o governo e a promoção do desenvolvimento.

Imaginem se dispuséssemos desse imenso volume de dinheiro para financiar o crescimento. O Brasil teria desenvolvido muito mais e com benefícios para todos. Se considerarmos ainda que Serra manteria o necessário ritmo das privatizações, conforme seu programa, as vantagens para a economia e a sociedade seriam ainda maiores e facilmente teríamos alcançado cerca de 7% de crescimento anual.

Quem afirma que não existe caos aéreo mente, da mesma forma que mente os que dizem que os juros subiram por causa do governo anterior. Afirmar que tragédias são decorrentes do espetáculo do crescimento é outra inverdade, da mesma forma que é falso concluirmos que nunca desenvolvemos tanto. Uma rápida incursão na história e no que ocorre em todo o mundo mostra outra realidade.

O presidente Lula, autoritariamente, afirma aos participantes do Conselho de Desenvolvimento: vocês têm que aceitar que nunca as condições econômicas foram tão boas. Alguém vai acreditar? Só acredita quem não faz contas. A conclusão a que se chega é que o custo do governo Lula para o Brasil foi de aproximadamente um trilhão de reais. Os áulicos vão afirmar que é pura ilação, palavra que me traz arrepios pois nada mais é do que desculpa de quem quer esconder alguma análise, uma projeção ou escamotear a realidade como estamos vendo constantemente.

Esse prejuízo daria para inundar o Brasil de empregos, linhas de metrôs, aeroportos, renda proveniente de trabalho, trens, portos, navios, aviões, fábricas, estradas, usinas, hospitais, escolas, lojas e tudo o mais que precisaríamos para desenvolver e trazer a prosperidade ao povo. Concluir que as tragédias como o do avião da TAM e tantas outras são naturais é inaceitável, pois as vidas que se perde é de imenso valor.

Concluímos, no entanto, que o sofrimento gerado no Brasil pela incompetência do atual governo é maior. Se o governo, com o apagão aéreo, prejudica supostamente apenas 8% da população, a sua incompetente política de desenvolvimento atinge 100% dos brasileiros que, embora tardiamente, já começam a vaiar.

 é consultor e professor de Planejamento e Finanças há 33 anos.

Revista Consultor Jurídico, 30 de julho de 2007, 15h13

Comentários de leitores

9 comentários

É lamentável o oportunismo que nós somos obriga...

Relax (Procurador Autárquico)

É lamentável o oportunismo que nós somos obrigados a assistir diariamente. Aproveitar da desgraça alheia para usar com fins políticos mostra bem o nível de nossa sociedade dita civilizada.

Parece-me mais um artigo de um oportunista, dig...

Ruberval, de Apiacás, MT (Engenheiro)

Parece-me mais um artigo de um oportunista, diga-se, a mando de alguém.

Quem "mama nas tetas do governo", vai falar mal...

A.G. Moreira (Consultor)

Quem "mama nas tetas do governo", vai falar mal dele ???

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