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Causa injusta

Trabalhador não pode ser demitido por ser alcoólatra

Trabalhador não pode ser demitido por justa causa pelo fato de ser alcoólatra. O entendimento, já pacificado na Justiça do Trabalho, foi reafirmado pela 3ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho. A Turma negou o recurso do Laboratório de Análises Médicas José Rodrigues Lima, que pretendia reverter a decisão que afastou a justa causa na dispensa de empregado com problemas de alcoolismo.

De acordo com o processo, o empregado foi admitido em 1986, como auxiliar operacional (técnico de laboratório), com salário de R$ 522. Contou que foi dispensado em 2003, sem receber as verbas rescisórias nem FGTS. Pediu na 1ª Vara do Trabalho de São Vicente (SP) o pagamento das verbas, o reajuste salarial da categoria nos meses de outubro de 1999 e outubro de 2001, aviso prévio indenizado e adicional de produtividade, dentre outros.

O Laboratório, em contestação, alegou que o empregado tinha o hábito de trabalhar embriagado, comprometendo o resultado do serviço. Para exercer a profissão, precisava do completo controle das funções motoras, pois tinha de manusear cuidadosamente objetos cortantes, seringas e agulhas. A empresa apresentou atestado médico com diagnóstico de transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de álcool. Contou, ainda, que em certa ocasião o empregado agrediu verbalmente os colegas e clientes, chegando a quebrar objetos. Por esses motivos, foi dispensado por justa causa, com base no artigo 482 ,“f”, da CLT (embriaguez habitual ou em serviço).

A primeira instância foi favorável ao laboratório, pois considerou configurada a situação prevista na CLT, reconhecendo a justa causa para a despedida. O empregado recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (São Paulo). Alegou que nunca recebeu advertência ou suspensão durante os 17 anos em que trabalhou para o empregador. Contou que não passou pelo exame demissional para atestar seu real estado de saúde no ato da dispensa e que o sindicato sequer homologou a rescisão por constatar irregularidades. Alegou que as testemunhas não confirmaram o hábito de embriaguez.

O TRT paulista reformou a sentença e afastou a justa causa. Concedeu ao empregado o saldo de salário, aviso prévio e as verbas rescisórias. Os juízes ressaltaram que o documento que comprova o problema do trabalhador com álcool deveria ser utilizado para afastar o empregado para tratamento clínico e “não para ter efetuado sua dispensa”. Destacou, ainda, que “o alcoolismo crônico é conhecido internacionalmente como doença pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o que afasta a aplicação do artigo 482 da CLT”.

O laboratório recorreu, sem sucesso, ao TST. A ministra Maria Cristina Pedduzi, relatora, lembrou que a Súmula 126 do TST prevê a impossibilidade de reexame de fatos e provas pela corte superior trabalhista. Dessa forma, se o TRT entendeu que não ficou suficientemente comprovada a embriaguez, a decisão tem de ser mantida.

RR 1.690/2003-481-02-00.1

Revista Consultor Jurídico, 26 de julho de 2007, 10h27

Comentários de leitores

4 comentários

Lado 1: Não é fácil aceitar, mas a decisão da...

Denilson Marques Lopes Evangelista (Oficial da Polícia Militar)

Lado 1: Não é fácil aceitar, mas a decisão da Justiça foi a correta, a meu ver. Claro, desde que o cidadão submeta-se a tratamento e seja arbitrado um tempo razoável de melhora do seu desempenho no trabalho. Lado 2: Não seria mais adequado a Justiça determinar ao Estado que, além de custear o tratamento de recuperação, arcasse com as despesas de manutenção do indivíduo, dando-lhe, por exemplo, 1 ou 2 salários mínimos por mês durante o tratamento??? Por que que a empresa é que tem de suportar a despesa? Se o alcoolismo é problema da sociedade, não seria mais lógica que o Estado arcasse com as despesas. ACHO A SEGUNDA OPÇÃO MAIS CORRETA.

Tenho 30 anos de formado. Jamais vi tamanho dis...

allmirante (Advogado Autônomo)

Tenho 30 anos de formado. Jamais vi tamanho disparate. Esses constituintes da justiça de mussolini nada entendem de comércio, indústria, agricultura, relações humanas, sociedade. E duvido que entendam suas próprias leis. Nem é necessário. Basta condenar quem tem dinheiro, não quem tem direito, para gáudio da "vítima", de seu advogado, dos burocratas que lhes serviram, e dessa impostura jurídica denominada "do trabalho." Pergunta-se: Quem alcoolizado está apto ao trabalho? E a té mesmo a pleitear junto a justiça fascista? É por estas e por outras que não só abomino, como desprezo esses carrapatos da produção, sempre alertas para associarem-se aos sanguesugas que lhes bate à porta.

A questão é bem objetiva. Vão contradizer o que...

Ramiro. (Advogado Autônomo)

A questão é bem objetiva. Vão contradizer o que afirma a Organização Mundial de Saúde? E afirmar que alcoolismo é defeito de caráter? O catálogo da OMS tem classificação númerica inclusive para alcoolismo, igual procedimento de qualquer outra doença reconhecida. A questão é, o que o Estado oferece em termos de clínicas especializadas para tal doença? É o preço da legalidade. Fosse assim os mestres cervejeiros com maior idade iriam todos para a rua por justa causa, sabendo-se que alcoolismo para eles é doença funcional. Se por outro lado o empregador conseguisse provar recusa sistemática de aceitar o tratamento. Mas a plausibilidade técnica parece pouco em voga.

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