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Ponte da Amizade

PF divulga documento sobre situação na fronteira com Paraguai

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A Fenapef (Federação Nacional dos Policiais Federais) divulgou, nesta quarta-feira (25/7), um novo dossiê sobre aquele que é tido como o maior ponto de contrabando da América Latina: a fronteira do Brasil com o Paraguai. Segundo a Fenapef, a situação na fronteira ainda é grave, mas está “menos pior” porque algumas medidas foram adotadas no local.

Os últimos números oficiais mostram que, de janeiro a julho de 2006, foram apreendidos o equivalente a R$ 377,2 milhões em 548 operações de repressão à pirataria, contrabando e descaminho em todo o país. Isso representa aumento de 32,3% em relação ao mesmo período de 2005.

No primeiro semestre, somente a Delegacia de Foz do Iguaçu apreendeu cerca de R$ 68 milhões — um volume 35% superior ao mesmo período de 2005.

Leia a íntegra do documento:

A situação dos policiais federais e dos fiscais da Receita Federal que trabalham na Ponte da Amizade, na fronteira do Brasil com o Paraguai, parece que aos poucos fica menos constrangedora. A Fenapef voltou à ponte na última semana e pode comprovar que algumas medidas foram colocadas em prática principalmente para evitar o contrabando descarado praticado em cima da ponte. As medidas adotadas, no entanto, estão longe de resolverem o problema.

Uma das portas abertas ao contrabando, um buraco feito na cerca da Ponte da Amizade, ganhou agora a vigilância de servidores da PF, da Receita Federal e da Polícia Rodoviária Federal. A iniciativa ajudou a acabar com o “rapel” e o arremesso de contrabando pelo buraco. No entanto, o dinheiro público seria muito melhor aproveitado se o “administrador” de plantão fechasse o rombo da cerca aproveitando os servidores em outras funções.

Só para se ter uma idéia, policiais rodoviários federais foram deslocados da fronteira com a Argentina para a Ponte da Amizade só para engrossar a vigilância no local. A iniciativa acaba reforçando o efetivo na Ponte da Amizade, mas é lógico, enfraquece na fronteira com a Argentina.

No percurso da ponte outra dificuldade ainda não foi superada. Por incrível que pareça, a divisa entre dois países sofre com a precariedade na iluminação pública. “Perto de 60% das luminárias da ponte estão queimadas o que dificulta e torna o trabalho dos policiais mais perigoso”, diz Francisco Sabino, diretor de Relações do Trabalho da Fenapef.

Sabino, por sinal, procurou o presidente da Câmara de Vereadores em Foz do Iguaçu, Carlos Juliano Budel (PSDB) para tentar resolver este problema. O diretor da Fenapef levou também a reivindicação do aumento de efetivo da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal na região. O objetivo é que a Câmara, institucionalmente, assuma esta luta. Além do diretor da Federação, participaram do encontro o delegado Sindical, Adão Luiz Souza Almeida e o representante da Associação dos Servidores da Polícia Federal, Marcelino.

Francisco Sabino frisa que o delegado chefe em Foz do Iguaçu poderia dialogar com as outras instituições no sentido de buscar soluções para os problemas na ponte e no restante da fronteira. “Os “gestores” da PF em Foz do Iguaçu têm que buscar saídas para que a situação não se agrave cada vez mais”.

- Outra providência que pode ser adotada para melhorar a eficiência no combate ao crime é a utilização compartilhada do monitoramento feito através de Câmeras pela Receita Federal. A RF tem um equipamento que pode receber imagens de até 109 câmeras de vídeo, porém só 12 estão instaladas. Além disso, a Receita não dispõe de pessoal para operar o equipamento. “Os policiais poderiam fazer este trabalho numa gestão compartilhada da segurança na Ponte”, diz Sabino.

Sabino destaca que é preciso transformar a conduta dos gestores para que a Polícia Federal que atua na tríplice fronteira saia ganhando. “A sociedade merece um delegado que tenha compromisso com a instituição e que respeite os servidores. Que vista a calça jeans, a camiseta branca e o tênis, e não de um ninja que se veste todo de preto só para sair chutando marmita e pessoa caída no chão, apreendendo batata frita e canetas”.

VISITA - O diretor de relações do Trabalho da Fenapef, Francisco Sabino e o presidente do Sindicato dos Policiais Rodoviários Federais no Paraná, Ismael Oliveira se reuniram com o superintendente substituto da PRF no estado, inspetor Marcelo Gladson Pires. Sabino e Ismael foram discutir com o inspetor medidas para melhorar a segurança na fronteira do Brasil com o Paraguai.

 é repórter especial da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 25 de julho de 2007, 13h54

Comentários de leitores

2 comentários

Vergonha esse relatório. Quem escreveu nunca...

Rodrigo P. Martins (Advogado Autônomo - Criminal)

Vergonha esse relatório. Quem escreveu nunca morou em Foz do Iguaçu para saber. Falar que seria melhor o administrador fechar o rombo na cerca é uma tremenda besteira, parece que nunca veio a cidade para saber o que realmente acontece, quantas e quantas vezes eu vi a cerca ser fechada, vi muros serem levantados e de nada adiantou, é necessário sim, DOS DOIS LADOS DA PONTE policiais de plantão, 24h de preferência. A iluminação pública é o fim da picada, Foz do Iguaçu além de ter sido chamada a atenção do TCE por superfaturar a contribuição de iluminação pública não pode mecher em nada na ponte e sua região pois trata-se de uma questão de competência, é dever da união e não do município. Digo isso porque o município já tentou melhorar a segurança na região da fronteira e não pode colocar GMs devido não ter competência para tal, com a iluminação será o mesmo. Francamente, neste momento Foz do Iguaçu este ano já está com 200 homicídios, milhões de problemas e o Sabino me relata isso? Jesus... A PF carece de policiais na fronteira, o relatório acerta na iluminação mas passa longe quando diz que um delegado não tem compromisso com a instituição. A PF está de parabéns pelo trabalho que faz, pena que a operação padrão não seja rotina, muambeiro só quer saber de contrabando e chorar pitangas.

Antes de tudo, uma correção se impõe: a FENAPEF...

DPF Falcão - apos (Delegado de Polícia Federal)

Antes de tudo, uma correção se impõe: a FENAPEF NÃO é a POLÍCIA FEDERAL, logo, NÃO foi a POLÍCIA FEDERAL que divulgou o mecionado documento, mas uma das federações que congregam os policiais federais, no caso, majoritariamente, agentes, escrivães e papiloscopistas, haja vista que peritos e delegados têm representações próprias. Outra observação: calça jeans, camiseta branca e tênis não fazem parte do dia-a-dia da autoridade policial (delegado, que por exigêngia normativa deve usar o traje passeio), ao contrário da indumentária "ninja" (calça e camisa pretas com identificação da instituição), de uso comum em missões policiais e em determinadas atividades internas e nas de polícia marítima, aeroportuária e de fronteiras. Por derradeiro, a união de esforços entre os vários órgãos encarregados da fiscalização e/ou repressão, é o caminho certo para o sucesso, louvando-se toda e qualquer iniciativa nessa direção.

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