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Advogado popstar

Müssnich se transforma em celebridade do Direito Empresarial

(Reportagem publicada originalmente na Revista Exame, de 18 de julho de 2007, e escrita por Malu Gaspar).

Lançamento de livro de advogado tem tudo para ser um evento morno, em que a comunidade jurídica se encontra para contar casos e aproveita para fazer média com o colega-autor. No final de junho, no Rio de Janeiro, um desses lançamentos quebrou a regra e se transformou numa reunião de celebridades variadas — e de advogados fazendo média, é claro.

O autor, no caso, era o carioca Francisco Müssnich, sócio do escritório Barbosa, Müssnich & Aragão (BM&A) e especialista em assuntos empresariais. Da atriz Carolina Ferraz ao comentarista de futebol Arnaldo César Coelho, passando pela estilista Lenny Niemeyer, pelo ex-presidente da CVM Marcelo Trindade e pelo discretíssimo Gilberto Sayão, sócio do UBS Pactual, uma multidão esperou cerca de 2 horas em fila num shopping da zona sul do Rio por um autógrafo de Müssnich num exemplar de Cartas a um Jovem Advogado.

O lançamento do livro — parte de uma série cujos outros títulos foram escritos por Fernando Henrique Cardoso e Adib Jatene — foi o maior da história da editora Campus. Só na noite de autógrafos foram vendidos 700 exemplares. Nas duas semanas seguintes, outros 2,6 mil livros, média considerável para o mercado editorial brasileiro e boa medida da popularidade de Müssnich.

O frisson ajuda a entender um dos mais excêntricos e polêmicos advogados do Brasil. Com 52 anos, 31 de carreira, Müssnich é de uma informalidade rara em advogados. Usa indistintamente a carioquíssima forma de tratamento “mermão” (traduzindo: meu irmão), seja o interlocutor um banqueiro ou o ascensorista do prédio em que trabalha, no centro do Rio, onde alguns taxistas, por sua vez, costumam chamá-lo de Chicão.

Peladeiro aposentado, jogador de vôlei de praia, contador de piadas inveterado, jeitão hiperativo, ele é capaz de discutir com igual paixão a escalação da melhor equipe do Botafogo de todos os tempos e as cláusulas contratuais de uma fusão de bilhões de dólares, sem medo de recorrer a palavrões.

Acumula, ao mesmo tempo, um longo e respeitável histórico nos bastidores das maiores operações empresariais do Brasil, como a venda do banco Pactual para o UBS, por 2,6 bilhões de dólares, em maio de 2006, e a fusão de Americanas.com e Submarino, em novembro. Até 2014, Müssnich deve se tornar ainda mais conhecido, uma vez que é o responsável pela parte jurídica da organização da Copa do Mundo de Futebol em 2014 (o Brasil é o único candidato a sediar a competição).

Hoje, o pequeno escritório fundado por ele e um grupo de sócios em 1995 é um dos maiores em fusões e aquisições do país (terceiro no ranking de 2006), com faturamento estimado em 120 milhões de reais por ano e crescendo — muitos reputam esse desempenho ao estilo de Müssnich.

“Às vezes as pessoas se concentram no lado pitoresco do Chico e se esquecem de levar em conta o advogado brilhante e competente que ele é”, diz o sócio Paulo Aragão, que dirige o escritório de São Paulo.

Brilhante, competente e caro

Uma hora de trabalho de Müssnich custa aos clientes R$ 850. Numa conta matemática livre, 8 horas de trabalho por dia lhe rendem quase R$ 150 000 mil por mês — isso sem contar taxa de sucesso, bônus e outros extras. Quem o contrata parece feliz com os resultados. Uma das características mais marcantes de Müssnich é a defesa passional dos clientes. A atitude rende admiradores fiéis, como o bilionário André Esteves, sócio do UBS Pactual, ou o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga. Mas também atrai inimigos ferozes e engajados.

Nenhum dos casos em que Müssnich atuou demonstra isso tão claramente quanto sua defesa do banco Opportunity na maior disputa societária da história do Brasil. O banco de Daniel Dantas e os fundos de pensão liderados pela Previ, do Banco do Brasil — recentemente unidos ao Citibank — travam há anos uma luta renhida pelo controle de empresas compradas na privatização. Müssnich e Dantas se conhecem desde o final dos anos 80, mas se aproximaram a partir de 1999, quando Dantas contratou o escritório de Müssnich para defendê-lo na briga.

Começou ali uma amizade que se transformou em admiração e evoluiu para parentesco, depois que Müssnich, divorciado e pai de dois filhos, começou a namorar a irmã de Dantas, Verônica. Habitualmente expansivo, Müssnich fica tenso ao falar do assunto. “Fazem isso para me desqualificar. Tenho orgulho de defender o Opportunity, mas isso não tem a ver com meu relacionamento.”

O engajamento de Müssnich na disputa ajudou a torná-lo conhecido fora dos meios jurídicos e a sedimentar sua imagem de advogado de temperamento explosivo. Sua ligação com o Opportunity chegou a fazer com que seus sócios temessem pela imagem do escritório. Eles se preocupavam com a repercussão de episódios como a vez em que Müssnich e um dos advogados dos fundos de pensão, João Laudo de Camargo, quase se estapearam em frente a uma assembléia de acionistas. Hoje, o ódio entre Müssnich e os representantes de fundos de pensão e do Citi é recíproco.

Não deixa de ser sintomático que um dos principais conselhos de Müssnich aos futuros advogados seja justamente acostumar-se ao conflito. “Ser advogado é ter adversários”, diz ele. Gostar de briga é mais um traço marcante de sua personalidade. “Ele procura o acordo até o final, mas, se tiver de brigar, briga mesmo”, diz Roni Argalji, dono da fabricante de roupas Duloren, que assumiu o controle da empresa há sete anos com a ajuda de Müssnich, após uma longa briga com os primos.

Nem mesmo nas horas de lazer ele deixa de lado o apreço pela competição. Sua última traquinagem foi contratar um treinador pessoal de vôlei de praia para praticar com ele, à noite e em segredo, na praia do Leme, a quilômetros da rede em que joga habitualmente, no Leblon. O motivo: novato no esporte, Müssnich se classificou, no final do ano passado, em 31º lugar no ranking de 32 jogadores da rede. Com o treinamento secreto, a performance melhorou. “Já estou em 20º”, diz, orgulhoso.

Revista Consultor Jurídico, 17 de julho de 2007, 16h47

Comentários de leitores

2 comentários

Sinto-me impulsionado pelas orientações de Müss...

Sânio E.F. de Aquino (Advogado Autônomo - Civil)

Sinto-me impulsionado pelas orientações de Müssnich. Seu livro tem sido perfeita companhia nessas férias acadêmicas. Parabéns, "Chicão"!

Esse "homem de Havard", está presente em todas ...

Luís da Velosa (Bacharel)

Esse "homem de Havard", está presente em todas as estações. Quem desejar conhecer, com completude, essa personalidade nativa do Brasil, leia o livro de sua autoria "Cartas a um Jovem Advogado - Paixão, Determinação e Talento." O escritório, "Barbosa, Müssnich & Aragão Advogados", ao lado de tantos outros do mesmo naipe, está aliado à AFFINITAS, uma conglomeração de excelências. O mundo jurídico, nacional e internacional, está de parabéns. Ainda bem que o temos em meio às nossas desventuras.

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