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Denúncia vazia

Leia a denúncia do MPF contra financiador do Corinthians

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De acordo com documentos recebidos da Procuradoria Geral da Federação da Rússia, devidamente traduzidos por tradutores públicos, por fatos ocorridos no mesmo período, Berezovsky responde, naquele país, a três investigações policiais:

a) Em abril de 1993, o governo da Federação Russa criou a Aeroflot – Linhas Aéreas Internacionais Russas, com 51 % (cinqüenta e um por cento) das ações pertencentes ao Estado. Menos de um ano depois, Boris Berezovsky e Nikolai Gluchkov constituíram, na Confederação Suíça, a empresa Andava. A Andava, por seu turno, criou a Corporação Financeira Unida FOK, tendo sido designado Cheinin como seu diretor geral. Utilizando-se de sua influência, Berezovsky conseguiu que Gluchkov e Krasnenker fossem designados, respectivamente, como vice-diretor geral e vice-diretor geral para comércio e propaganda da Aeroflot. Berezovsky, Gluchkov e Krasnenker, em comum acordo com Kryzhevskaya, contadora-chefe da Aeroflot, e sob o pretexto de manutenção de recursos no Exterior, desviaram para a conta corrente corrente nº 423237, mantida pela Andava junto ao UBS, em Lausane, na Confederação Suíça, recursos da Aeroflot correspondentes a cerca de duzentos e cinqüenta e dois milhões de dólares. Da conta corrente da Andava, tais recursos foram transferidos para contas pessoais de Gluchkov, Krasnenker, Kryzhevskaya e Cheinin e para a conta corrente nº 90-254.646.1 no UBS, de titularidade da empresa Ruko Trading, cujo proprietário é Boris Berezovsky. Para garantir que os recursos não pudessem ser reclamados pela Aeroflot, os nominados forjaram contratos e títulos com a Corporação FOK, associando, de maneira dissimulada, ao capital desviado, juros e multas contratuais.

Conforme tradução pública da sentença juntada aos autos, Gluchkov , Kryzhevskaya e Cheinin responderam a processo criminal e foram condenados como incursos no artigo 159, parte 3 (b) do Código Penal da Federação Russa. A conduta praticada amolda-se ao peculato, conforme previsto no art. 312 do Código Penal Brasileiro.

Também por esses fatos, Boris está sendo investigado pelo delito estampado no art. 174 parte 3 do Código Penal da Federação Russa, correspondente, em nossa legislação penal, à lavagem de capitais praticada por organização criminosa. Boris Berezovsky fugiu antes do início do processo e, pelas leis processuais vigentes à época, não poderia ser processado à revelia.

A atuação de Boris Berezovsky, bem como dos demais envolvidos, é objeto de investigação criminal na Confederação Suíça.

b) Entre 1994 e 1995, Boris Berezovsky teria comandado um grupo organizado do qual participaram Patarkatsichvili e Dubov. Berezovsky, presidente do Conselho de Diretores da Logovaz, empresa que comercializava automóveis e detentor de 7,7% (sete inteiros e sete décimos por cento) do capital inicial da sociedade, obteve 2322 (dois mil, trezentos e vinte e dois) automóveis em consignação da empresa fabricante Autovaz. Vendidos os automóveis, os recursos correspondentes não foram pagos ao fabricante mas desviados em proveito dos acima nominados, visando-se diversas finalidades, entre elas o pagamento de ações da ORT – Televisão Russa Social, adquiridas por Boris Berezovsky, assegurando-se sua eleição como primeiro vice-presidente do Conselho de Diretores e o controle do primeiro canal de televisão da Federação Russa. Ademais, em assembléia do Conselho de Diretores obteve a nomeação de Patarkatsichvili como primeiro vice-diretor geral de comércio e finanças da ORT. Os recursos desviados também foram utilizados, conforme extensa relação contida nos documentos oriundos da Procuradoria Geral da Federação Russa, para a compra da Editora Ogoniok e aquisição de imóveis junto à empresa Soiuz International, entre eles um chalé para a filha de Boris Berezovsky, Elena Berezovskaia.

Visando-se ocultar os valores desviados, Boris Berezovsky fez com que a Logovaz assumisse de maneira dissimulada, através da entrega fictícia de títulos, os débitos fiscais que a Autovaz possuía junto ao distrito de Samara. Tal compensação de créditos nunca ocorreu de fato.

Por conta de tais fatos, Boris Berezovsky também responde, nesse caso, a investigação por infração ao artigo 159, parte 3 (b) do Código Penal da Federação Russa (antigo art. 147 do mesmo diploma legal), correspondente ao delito de peculato previsto no art. 312 do Código Penal Brasileiro.

 é diretor de redação da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 13 de julho de 2007, 12h23

Comentários de leitores

10 comentários

Ô imprensa tacanha a nossa (como diz o Gabriel ...

Rubão o semeador de Justiça (Advogado Autônomo)

Ô imprensa tacanha a nossa (como diz o Gabriel Garcia Marquez), o jornalista cheio de velhacaria inocenta um bando de investigados pelo MPF e Estadual. Boris Abramovich Berezovsky (Eduardo José Farah da FPF de Sun Paulemon... também começou de baixo...) rapinou os recursos públicos da URSS e da Aeroflot em conluio com a contadora, que os encaminha para a farra de dinheiro surrupiado do mundo por gangsters lobistas na famosa Suiça... O mínimo que o jornalista haveria de fazer, era registrar na revista a denúncia contra esses malas (incluindo o Turco Velho e os sacanas do caso da Amil!)que acabaram com um dos únicos divertimentos que a comunidade corinthiana tinha, incluindo este escriba que vos escrebe. Um abraço ao Dr. Sidney Gonçalves grande criminalista!

"DENUNCIA VAZIA" ha ha ha ha. IMAGINE SE FOSSE...

veritas (Outros)

"DENUNCIA VAZIA" ha ha ha ha. IMAGINE SE FOSSE DENUNCIA CHEIA E AGORA JOSÉ ??? PARABÉNS MAIS UMA VEZ MP CONTINUE O BELO TRABALHO. AOS INSATISFEITOS QUE FIQUEM NO ESPERNEIO...

Desconheço a formação jurídica do ilustre diret...

Marcos de Moraes (Advogado Autônomo - Criminal)

Desconheço a formação jurídica do ilustre diretor de redação. Mas creio que esta bem acessorado e pelas matérias anteriores se apresenta conhecedor dos fatos. Fico com a notícia e opinão apresentada !! Aliás, denúncia recebida por magistrado pode sim ser declarada inépta pelos tribunais superiores. São tantos os precedentes que nem vale a penar citar um deles.

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Comentários encerrados em 21/07/2007.
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