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Pobreza não tem raça

Modelo de política racial americano não serve ao Brasil

Comentários de leitores

16 comentários

A questão não é de cor de pele, porque ninguem ...

Antonio Manoel Bandeira Cardoso (Advogado da União)

A questão não é de cor de pele, porque ninguem é impedido de chegar a universidade por ser negro ou asiático, mas por ser pobre. O que acontece com as cotas é que o branco pobre é que vai ficar a margem. O que é necessário é garantir educação de primeiro e segundo gráus para todos, porque assim todos terão a mesma oportunidade de ingressar na universidade. Eu quero que aqueles que sustentam haver discriminação na hora do vestibular, que digam como alguém sabe quem é branco e quem é negro por meio de uma extensa lista de nomes de candidatos ao vestibular.

A questão é muito polêmica. Só esqueceu a nobre...

Rodrigo (Advogado Assalariado - Trabalhista)

A questão é muito polêmica. Só esqueceu a nobre doutora de dizer que as cotas nos EUA são destinadas não apenas aos negros, mas aos indianos e asiaticos. Segue um Rui Barbosa para o nosso deleite: Era uma raça que a legalidade nacional estragara. Cumpria às leis nacionais acudir-lhe na degradação, em que tendia a ser consumida,e se extinguir, se lhe não valessem. Valeram-lhe? Não. Deixaram-na estiolar nas senzalas, de onde se ausentara o interesse dos senhores pela sua antiga mercadoria, pelo seu gado humano de outrora. Executada assim, a abolição era uma ironia atroz. Dar liberdade ao negro, desinteressando-se, como se desinteressaram absolutamente da sua sorte, não vinha a ser mais do que alforriar os senhores. O escravo continuava a sê-lo dos vícios, em que o mergulhavam. Substituiu-se o chicote pela cachaça, o veneno, por excelência, etnicida, exterminador. Trocou-se a extenuação pelo serviço na extenuação pela ociosidade e suas objeções. Fez-se do liberto o guarda-costas político, o capanga eleitoral. Aguçaram-se-lhe os maus instintos do atavismo servil com a educação da taberna, do bacamarte e da navalha. Nenhuma providência administrativa, econômica, ou moral, se estudou, ou tentou, para salvar do total perdimento esses valores humanos, que soçobravam. Nem a instrução, nem a caridade,nem a higiene intervieram de qualquer modo. O escravo emancipado, sua família, sua descendência encharcaram putrescentes no desamparo, em que se achavam atascados. E eis aqui está como a política republicana liquidou o nosso antigo operariado, a plebe do trabalho brasileiro durante os séculos da nossa elaboração colonial e os quase setenta anos do nosso desenvolvimento sob a monarquia.

A questão é polêmica. Não gosto das cotas raci...

www.professormanuel.blogspot.com (Bacharel)

A questão é polêmica. Não gosto das cotas raciais. Acho que elas tem mais potencial para o mal que para o bem. Os negros têm mais posição de destaque hoje que tinham ontem e menos que amanhã. É uma evolução natural, como também está acontecendo com as mulheres. Acho que a medida correta seria trabalhar para impedir a deterioração e melhorar o ensino público, para dar a todos as mesmas oportunidades. Infelizmente, é bem mais fácil e impactante aprovar as cotas do gerenciar corretamente o ensino público. E nossos políticos sempre buscam o caminho mais fácil...

Professor, muito obrigado. Coloquei a questão p...

Rodrigo (Advogado Assalariado - Trabalhista)

Professor, muito obrigado. Coloquei a questão para melhor debatermos. Agora outra questão: Quantos médicos negros vocês conhecem? Não vale nigerianos. Quantos engenheiros negros vocês conhecem? Não vale mestre de obras. Quantos Juízes do Supremo Tribunal Federal vocês conhecem? Não vale dizer que o Gilmar Mendes é moreninho.

Eu só não entendo porque esse pessoal só defend...

jb (Funcionário público)

Eu só não entendo porque esse pessoal só defende cotas para negros em universidades. Por que não cotas no serviço público, no privado, nos campos de futebol, no Pan, nos estacionamentos, etc. Por que não encaminhar uma PEC institucionalizando e constitucionalizando a discriminação pela cor de pele no Brasil. Seria muito mais produtivo para toda a sociedade brasileira. Especialmente para os miseráveis não negros. Ou será que não existem no Brasil?

Caro Rodrigo, O tratamento diferenciado das ...

www.professormanuel.blogspot.com (Bacharel)

Caro Rodrigo, O tratamento diferenciado das pessoas com deficiência em concursos públicos visa corrigir uma desigualdade natural. Essas pessoas possuem muito mais dificuldade tanto na fase de preparação como no momento de prestar a prova. O cadeirante tem dificuldade de acesso às bibliotecas públicas não acessíveis, o deficiente visual tem dificuldade de encontrar livros em braile, o deficiente auditivo não encontra cursinhos com tradução simultânea para Libras. Não é justo que a pessoa com deficiência concorra, em igualdade de condições, com quem não passou por estas dificuldades. É por isto que a lei manda que a pessoa com deficiência concorra apenas com outras pessoas com deficiência. No momento da prova, a pessoa com deficiência (assim como outras pessoas com necessidades especiais, como obesos, grávidas, idosos, etc) pode precisar de um atendimento especial. Um ledor das questões, alguém para marcar a folha de respostas, letras maiores em sua prova. De outra forma, ficará ela em desvantagem em relação aos demais. A lei manda que esta desvantagem seja suprimida. Naturalmente, a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho possui o benéfico efeito colateral de reduzir o preconceito pelo convívio com a diferença. Mas este não é o objetivo principal da reserva de vagas. Trata-se de tratar desigualmente os desiguais, raciocínio que não pode ser estendido às cotas raciais, que não passam de ação afirmativa. Mais uma informação importante: a reserva de vagas vale para todos os tipos de deficiência, seja ela física, mental, sensorial ou múltipla (classificação do Dec 3298/1999 modificado pelo Dec 5296/2004).

O sistema de cotas para negros, no Brasil, é um...

 (Advogado Autônomo - Civil)

O sistema de cotas para negros, no Brasil, é uma das maiores imbecilidades de que se tem notícia nos últimos tempos. Deviam sim, valorizar a escola pública. Contratar bons professores, bem pagos, que exerceriam com profissionalismo e não como um bico ou para ter uma aposentadoria no porvir. Na escola pública estão os mais pobres e também negros, brancos, pardos, etc. Não precisamos mais do que isso! Apenas valorizar o que já temos. É uma questão política. Há que se dar o anzol e ensinar a pescar. Dar o peixe é discriminação. Ninguém gosta de esmolas. Ela humilha e acomoda!

Deficiente fisicos já são discriminados. Será p...

paulo (Advogado da União)

Deficiente fisicos já são discriminados. Será preciso instituir outro mecanismo de discriminação, passando os deficientes físicos a serem taxados também de deficientes mentais que não conseguem passar num vestibular comum?

Essa ideia idiota de quotas no Brasil somente p...

paulo (Advogado da União)

Essa ideia idiota de quotas no Brasil somente poderia partir de um norte-americano com assento na reitoria da UNB. Será que nos EUA existe algum brasileiro reitor de universidade e que consegue impor políticas desse tipo? As quotas discriminam TODOS OS NEGROS, porque aqueles que entram na faculdade por mérito serão discriminados em razão dos outros analfabetos que se formaram à custa do protecionismo das quotas. Assim, na dúvida, ninguem irá procurar profissionais negros.

Volto a perguntar: por quê a questão não se est...

Rodrigo (Advogado Assalariado - Trabalhista)

Volto a perguntar: por quê a questão não se estende aos deficientes físicos?

O artigo é muito bem escrito, e a autora demons...

Gera (Advogado Assalariado - Administrativa)

O artigo é muito bem escrito, e a autora demonstra ter profundo conhecimento do tema sobre o qual discorre. A questão acerca das ações afirmativas tem gerado debates acalorados em diferentes foros. Um regime democrático pressupõe a pluralidade de opiniões. O que a autora procura demonstrar, de forma fundamentada, é que não há soluções simples nem apressadas para questões complexas. Ela merece respeito por sua capacidade acadêmica e, sobretudo, por sua coragem de escrever sobre temática que tem sido marcada precipuamente pela paixão.

Muito bom o artigo. Já havia comprado o livro d...

Patricia (Advogado Autônomo - Civil)

Muito bom o artigo. Já havia comprado o livro da autora em questão sobre o tema. Ao ler, pude claramente perceber a hipocrisia com que o assunto vem sendo tratado pelos dirigentes políticos e pelos reitores das universidades. Chega de demagogia racial!As cotas no Brasil não irão solucionar o problema da inserção do negro na sociedade, porque no Brasil, como bem disse a autora, negro rico vira branco, e branco pobre vira negro!! Excelente o artigo!

O artigo demonstra a necessidade de pararmos co...

Renata (Oficial de Justiça)

O artigo demonstra a necessidade de pararmos com esta alienação cultural que permeia o debate. Chega de colonialismo intelectual! É preciso enfrentar o problema racial brasileiro a partir da visão dos nossos problemas, em vez de querermos combatê-lo a partir de soluções criadas para uma realidade totalmente distinta, como é a norte-americana. No Brasil, a implementação de cotas exclusivamente raciais poderá fomentar o racismo, em vez de combatê-lo! Eis o perigo de adotarmos medidas apenas "politicamente corretas", mas despidas de eficácia social. Parabéns à autora pelo excelente artigo! E parabéns também ao Conjur pela iniciativa de publicar um tema tão polêmico e que tantos se acovardam em debatê-los!.

Não consegui ler as delas, muitos menos as suas...

Rodrigo (Advogado Assalariado - Trabalhista)

Não consegui ler as delas, muitos menos as suas; reprodução barata das palavras da ilustre compiladora. A matéria tratada não pode ser pauta de mero relativismo. Procure obter na privada o comentário que fosse jogou e consiga rebate-lo consoante a afirmação lá consignada. Se não consegue, acho-te boiando na mesma fossa. Abraços...

O texto em si tem apenas três laudas e meia. Se...

caiçara (Advogado Autônomo)

O texto em si tem apenas três laudas e meia. Se o indivíduo não consegue ler três míseras laudas então não tem opinião que mereça ser publicada nem em papel higiênico usado, que o diga em sitio de debate jurídico. Ademais o tema é grave e a opinião da Douta Procuradora vem em bom tempo. Como asseverado as ações afirmativas surgiram como resposta do Governo Americano a séria crise racial, quando boa parcela da sociedade efetivamente não aceitava sequer permanecer em uma mesma sala com seus concidadãos por questões de cor da pele. Foi necessário forçar a sociedade a aceitar a inclusão do negro nos EUA. Tanto isso é verdade que hoje, com a mudança de mentalidade da sociedade "WASP" americana a Suprema Corte determinou por maioria que a politica de ações afirmativas é uma forma de discriminação. Aqui não é e nunca foi necessário forçar a sociedade a aceitar pretos, brancos ou mulatos, o problema é a aceitação do pobre. (vide o caso do personagem histórico-folclórico Xica da Silva, uma bela mulata que, enquanto possuidora de dinheiros e posses porquanto amante de homem poderoso, frequentava a alta roda da Côrte) Ações afirmativas no Brasil somente vão fomentar um ódio que nunca existiu em nosso meio social, criando situações de confronto e violência. A melhoria da qualidade de ensino nas escolas públicas (sou do tempo do Colégio Canada, do Barão do Rio Branco e do Primo Ferreira, todos em Santos, que mesmo públicos forneciam o melhor ensino da região), a cobrança de mensalidades de alunos com capacidade contributiva nas universidades públicas e o reforço do método extritamente meritório (sem falsas aprovações ou cotas facistas) em todas as unidades de ensino certamente serão medidas muitos mais efetivas e justas que qualquer sistema de cotas.

É doutora, só escrevendo 7 laudas para explicar...

Rodrigo (Advogado Assalariado - Trabalhista)

É doutora, só escrevendo 7 laudas para explicar o inexplicável. A despeito de todo o narrado (parei na primeira página), como explicaria a lei sobre a inclusão de deficientes em empresas e concursos públicos? Vai dormir...

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