Consultor Jurídico

Artigos

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Faz de conta

País precisa sair de escombros morais para progredir

Por 

Brasil, pátria amada. Celeiro de esperanças, que se esvaem. No desgoverno que ora te caracteriza, há uma ojeriza pelas coisas boas, aquelas dos tempos idos de nossos pais. Amanhece e anoitece, na repetição incessante de escândalos – a ferir de morte o homem de bem.

É violência de todo tipo, do pobre ao rico. Vê-se um povo sofrido, ao desabrigo da educação. Tem-se uma população ignorante, a reconduzir governantes indignos e incapazes de governar. Pior, disso insciente, a lhes servir de pasto a intentos mil. E, de novo, na manhã de cada dia, anoitece no manto vil da ousadia que fere o brio.

Invasões se sucedem. A autoridade de quase nada vale, em um vale de lágrimas a transbordar. O caos está presente. A anarquia faz-se companheira de todas as vidas, na sucessão de dias sem fim. Enfim, vem a lume o mandatário grande, distante da grandeza de outras eras. Brada, para que todos ouçam: “nada temam, isso é terrorismo da mídia”.

E o povo, esse povo mais que sofrido, uma vez mais acredita ou finge acreditar. E os mandatários do grande senhor, fazendo-lhe coro – pois compõem equipe homogênea –, também alteiam vozes. O jeito é relaxar e gozar, diz daqui; o que sucede é devido ao progresso da nação, diz de lá. E a bandalheira, associada à inércia, reinstala-se em seu seio – outrora nobre e bom.

O choro dos que sofrem, nas filas de hospitais ou nas perdas irreparáveis de vidas para a violência cada vez mais presente, fica inaudível, ante a ilusão hipnótica de um carisma popular que embriaga e entorpece a massa ignorante, da qual se nutre um populismo nunca antes visto.

E o país treme, agita e contorce, inerte diante dos persistentes cometimentos da corrupção desenfreada, com a sensação fria de impunidade. Brinca-se com a população. Faz-se pouco de sua capacidade de pensar, compreender e tomar decisões reacionais. De cima a baixo, desfaz-se da sociedade. A inversão de valores é gritante, só equiparável ao torpor da maioria esmagadora do povo, cuja aparente indiferença machuca o sentimento de vergonha que ainda resta.

O baixo nível prospera nessa ficção de vida melhor. O que antes foi bom, hoje é considerado ruim. Finge-se preservar valores, vindo à tona os falsos profetas a pregar o que não fazem e a fazer o que não pregam. O picadeiro está montado. Eis o pão e o circo a surgirem de novo, na imensidão desta Roma atual, em que o faz de conta monta a ilusão do povo, jugulado à ignorância do palhaço inconsciente.

E na vertente destes novos velhos tempos, uma vez mais prepondera o desalento dos corações oprimidos, que, mais esclarecidos, sentem impotentes à reação. É a realidade cedendo passo à ilusão, como sempre. E o que fazer? Eis a indagação que não quer parar. E como parar esse faz de conta que só nos faz mais complicar?

Este é o dilema do momento, na sangria de corações embrutecidos, inconscientes da realidade de seu poder. É tempo, mais que nunca, de reagir, de volver a antigos valores morais, jamais envilecidos pela ação do tempo. É hora de renascer, qual fênix ressuscita dos escombros da ruína moral que nos prende à retaguarda do progresso. Acorda, Brasil!

 é juiz de Direito

Revista Consultor Jurídico, 4 de julho de 2007, 0h01

Comentários de leitores

5 comentários

O Exmº Juiz de Direito, Dr. Edison Vicentini Ba...

Luís da Velosa (Bacharel)

O Exmº Juiz de Direito, Dr. Edison Vicentini Barroso, está cansado, e, nós outros, da mesma forma. Mas, precisamos reagir e dar curso ao esforço dos cansados, no sentido de soerguer a sociedade dos escomunais escombros. Caso não reajamos urgentemente, certamente nos acomodaremos, isso é exatamente o que o mal quer. Olvidemos os uivos e vamos à luta pelo lídimo direito que detemos, aquele sagrado da convivência civilizada, de sermos respeitados, de dirigirmos os destinos do nosso infelicitado país. É chegada a hora de colocarmos, como bem enfatiza o Sen. Pedro Simon, os áulicos da patifaria que se decarrilaram do dever e se somaram à delinqûencia especializada do surrupiar o erário, comprometendo a nação e esgarçando o tecido social. Se existem avanços em alguns empreendimentos ou posições governamentais - e existem - por outro lado estão corroendo os pilares da democracia, que medra entre nós a passos de moluscos, retirando do naipe a Educação, Saúde, Segurança, e toda uma gama de infraestruturas indispensáveis ao desenvolvimento nacional. No que mais demonstram conhecimento, por incrível que nos pareça, é no "trato" com a moeda pública, que leva o perdularismo ao superlativo.

Mais do que não eleger esses políticos pilantra...

Ruberval, de Apiacás, MT (Engenheiro)

Mais do que não eleger esses políticos pilantras, bando de vagabundos, que estamos cansados de vê-los na contramão da ética e da moral, é colocarmos pessoas com novas atitudes, comprometidos com a honestidade e com o progresso social do país.

...“a reconduzir governantes indignos e incapaz...

Embira (Advogado Autônomo - Civil)

...“a reconduzir governantes indignos e incapazes de governar”. Será que li bem? Então é a velha tese de Pelé segundo a qual o brasileiro não sabe votar? Ou será um ressentimento porque Renan Calheiros e Joaquim Roriz ainda não foram cassados, apesar da retumbante campanha da mídia, com Arnaldo Jabor espumando de raiva e Lucia Hippolito desfiando todo seu cientificismo político? Mas, Renan e Roriz fazem parte de nossa elite política desde tempos imemoriais. Renan foi ministro da Justiça de FHC e, naquele tempo, ninguém dizia que vivíamos uma crise moral. E Roriz, que foi ministro de Collor, teve dezenas de chances de ser condenado, mas, ainda não foi. Sê-lo-á agora? E por que só agora? Será que esse súbito moralismo é a chave do “progresso”? Se eu acreditasse que moralismo é o caminho do progresso, mudaria para o Afeganistão.

Ver todos comentários

Comentários encerrados em 12/07/2007.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.